31.12.07

Youkali - Teresa Stratas


C'est presqu'au bout du monde
Ma barque vagabonde
Errant au gré de l'onde
M'y conduisit un jour
L'île est toute petite
Mais la fée qui l'habite
Gentiment nous invite
À en faire le tour

Youkali
C'est le pays de nos désirs
Youkali
C'est le bonheur, c'est le plaisir
Youkali
C'est la terre où l'on quitte tous les soucis
C'est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L'étoile qu'on suit
C'est Youkali

Youkali
C'est le respect de tous les voeux échangés
Youkali
C'est le pays des beaux amours partagés
C'est l'espérance
Qui est au coeur de tous les humains
La délivrance
Que nous attendons tous pour demain

Youkali
C'est le pays de nos désirs
Youkali
C'est le bonheur, c'est le plaisir
Mais c'est un rêve, une folie
Il n'y a pas de Youkali

Et la vie nous entraîne
Lassante, quotidienne
Mais la pauvre âme humaine
Cherchant partout l'oubli
À, pour quitter la terre
Se trouver le mystère
Où nos rêves se terrent
En quelque Youkali

Youkali
C'est le pays de nos désirs
Youkali
C'est le bonheur, c'est le plaisir
Youkali
C'est la terre où l'on quitte tous les soucis
C'est, dans notre nuit, comme une éclaircie
L'étoile qu'on suit
C'est Youkali

Youkali
C'est le respect de tous les voeux échangés
Youkali
C'est le pays des beaux amours partagés
C'est l'espérance
Qui est au coeur de tous les humains
La délivrance
Que nous attendons tous pour demain

Youkali
C'est le pays de nos désirs
Youkali
C'est le bonheur, c'est le plaisir
Mais c'est un rêve, une folie
Il n'y a pas de Youkali

Mais c'est un rêve, une folie
Il n'y a pas de Youkali

Roger Fernay/Kurt Weill, 1935(?)

28.12.07

Gustave Courbet no Grand Palais


Le Désespéré (auto-retrato), colecção particular

Até ao dia 28 de Janeiro de 2008, quem for a Paris poderá visitar a exposição "Courbet", nas Galeries nationales du Grand Palais. Quem não for, dispõe aqui de um Parcours de l'exposition. Courbet nasceu em 1819 e morreu a 31 de Dezembro de 1877.

http://www.grandpalais.fr/
http://www.rmn.fr/Gustave-Courbet,4

22.12.07

A Longa Viagem do Inverno

Though I have worked very hard at the "Winterreise", every time I come back to it I am amazed not only by the extraordinary mastery of it, but by the renewal of the magic: each time, the mystery remains.

Benjamin Britten, 1964

O ciclo de canções "Winterreise", de Schubert (1797-1828), já aqui tinha entrado, por outras razões e com Dietrich Fischer-Dieskau. Hoje está de volta, trazido por Benjamin Britten e Peter Pears.


Wasserflut

Manche Trän' aus meinen Augen
ist gefallen in den Schnee;
seine kalten Flocken saugen
durstig ein das heiße Weh.

Wenn die Gräser sprossen wollen,
weht daher ein lauer Wind,
und das Eis zerspringt in Schollen,
und der weiche Schnee zerrinnt.

Schnee, du weißt von meinem Sehnen.
Sag, wohin doch geht dein Lauf ?
Folge nach nur meinen Tränen,
nimmt dich bald das Bächlein auf.

Wirst mit ihm die Stadt durchziehen,
muntre Straßen ein und aus.
Fühlst du meine Tränen glühen,
da ist meiner Liebsten Haus.

Wilhelm Müller

Torrente

Muitas lágrimas dos meus olhos
caíram sobre a neve.
Os flocos frios, sedentos,
bebem a dor ardente.

Quando as ervas querem nascer,
sopra um vento morno,
o gelo desfaz-se em pedaços
e a neve macia derrete.

Neve, tu conheces o meu desejo.
Diz, por onde vai a tua torrente?
Se seguires as minhas lágrimas,
o ribeiro leva-te daqui.

Percorrerás com ele a cidade
e as ruas alegres.
Quando sentires o ardor das minhas lágrimas,
aí é a casa da minha amada.

21.12.07

Valha-nos Bach


(OedipusColoneus)

Weihnachts-Oratorium
(Oratória de Natal)

Recitativo e ária Bereite dich, Zion

(...)
Nun wird mein liebster Bräutigam,
Nun wird der Held aus Davids Stamm
Zum Trost, zum Heil der Erden
Einmal geboren werden.
Nun wird der Stern aus Jakob scheinen,
Sein Strahl bricht schon hervor.
Auf, Zion, und verlasse nun das Weinen,
Dein Wohl steigt hoch empor!

Bereite dich, Zion, mit zärtlichen Trieben,
Den Schönsten, den Liebsten bald bei dir zu sehn!
Deine Wangen
Müssen heut viel schöner prangen,
Eile, den Bräutigam sehnlichst zu lieben!
(...)

Werner Güra
Andreas Scholl

Akademie für Alte Musik Berlin
RIAS-Kammerchor
René Jacobs

19.12.07

Fraude

E se esta época de festas fosse como uma dor de cabeça ou de dentes? Tomamos um comprimido, dormitamos um pouco e, quando acordamos, já passou. Por mim, adormecia agora e acordava lá para Janeiro, quando os dias começam a crescer. Escapava a esta azáfama, que não se pode ir à Baixa, o Chiado está num rebuliço e o trânsito é o inferno.

O Pai Natal também anda por aí numa estafa, trepando pelas paredes, carregado de presentes para os meninos e para as meninas. Antes de ele ter nascido, era o menino Jesus, em pessoa, quem na madrugada do dia 25 de Dezembro descia sorrateiramente pela chaminé. Mesmo levantando-me da cama várias vezes durante a noite para ir espreitar, nunca o consegui ver.


18.12.07

João Grosso - Ode Marítima


Quarta-feira
19 de Dezembro
19h30

Vai ser no Maria Caxuxa
(Rua da Barroca, Bairro Alto)

15.12.07

On rigole!

(Foto do Expresso)

Já não temos Dimitra Theodossiou como diva, mas rainha morta, rainha posta. Chelsey Schill foi ontem coroada de aplausos. Mesmo antes de terminar a ária Gualtier Maldè... Caro nome, e em grande aflição e arrastamento de notas, tudo muito lento ou ela não aguentaria, já se ouvia um Bravo! Com tanto atabalhoamento aplaudido de modo efusivo ao longo da récita de 14 de Dezembro (Cortigiani, o quarteto...), a direcção do Teatro de São Carlos deve estar a rir à grande e à francesa. Para quê investir em cantores caros? O público gosta sempre, desde que possa cantarolar umas árias. Como Duque de Mântua, Saimir Pirgu foi o menos mau dos cantores. Do resto, nem vale a pena falar. Um "Rigoletto" para esquecer. Vil razza dannata.

(Nem se exigia tanto.)


GILDA

Gualtier Maldè... nome di lui sì amato,
ti scolpisci nel core innamorato!

Caro nome che il mio cor
festi primo palpitar,
le delizie dell'amor
mi dêi sempre rammentar!
Col pensier il mio desir
a te sempre volerà,
e fin l'ultimo sospir,
caro nome, tuo sarà.

Ler a crítica de Augusto M. Seabra no Letra de Forma:
Ah! La maledizione!! - I
Ah! La maledizione!! - II

14.12.07

O "Ring" de Keilberth


Um monumento.
Gravado em Bayreuth em 1955, ficou guardado numa gaveta até ser editado pela Testament em 2006. Foi utilizada a melhor tecnologia da época para registar "Der Ring des Nibelungen" em som estereofónico e o resultado é verdadeiramente extraordinário. Joseph Keilberth dirigia o coro e a orquestra do Festival de Bayreuth. Astrid Varnay e Wolfgang Windgassen eram Brünnhilde e Siegfried. Os gémeos Sieglinde e Siegmund eram Gré Brouwenstijn e Ramón Vinay. Hans Hotter cantava o deus Wotan.

A edição é muito cuidada e vem ilustrada com fotografias da encenação de Wieland Wagner, neto do compositor e responsável pela renovação de Bayreuth no período pós-guerra. (Também já saiu a versão económica.)

Eis uma pequena amostra: a Morte de Siegfried e a marcha fúnebre que se lhe segue. Perto do final de "Götterdämmerung" (Crepúsculo dos Deuses), Siegfried é morto por Hagen, cumprindo-se mais uma vez a maldição do anel. Siegfried recorda o momento em que acordou Brünnhilde com um beijo e despede-se da vida. A marcha fúnebre é um desfile dos principais motivos musicais "condutores" (Leitmotive) da tetralogia.


SIEGFRIED

Brünnhilde! Heilige Braut!
Wach' auf! Öffne dein Auge!
Wer verschloss dich wieder in Schlaf?
Wer band dich in Schlummer so bang?
Der Wecker kam; er küsst dich wach,
und aber, der Braut bricht er die Bande:
da lacht ihm Brünnhildes Lust!
Ach! Dieses Auge, ewig nun offen!
Ach, dieses Atems wonniges Wehen!
Süsses Vergehen,
seliges Grauen.
Brünnhild' bietet mir Gruss!

SIEGFRIED

Brünnhilde! Noiva sagrada!
Acorda! Abre os teus olhos!
Quem te forçou de novo a dormir?
Quem te encerrou neste sono assustador?
Chegou o que te vai acordar, com um beijo,
e libertar a noiva dos grilhões.
A alegria de Brünnhilde sorri-lhe!
Ah! Estes olhos, agora abertos para sempre!
Ah! Esta respiração maravilhosa!
Feliz agonia,
Doce Sofrimento.
Brünnhilde saúda-me!










10.12.07

Cantatas e sonatas de Handel, ou seja, música para entreter

Retrato de Handel à época da composição das primeiras cantatas italianas
Pastel de Luzie Schneider, cerca de 1710

Pastorella, i bei lumi (ouvir)

(LoRau)

“Música e entretenimento cortês no início do séc. XVIII” é o título do texto de João Silva, incluido no programa de sala do concerto de Andreas Scholl na Gulbenkian, no passado dia 8 de Dezembro. O título não podia definir melhor aquilo que se ouviu: quatro cantatas, com duas sonatas em trio pelo meio.

Imaginemos o salão de um palácio barroco, perucas e leques a abanar, condes e condessas, marqueses e princesas, todos muito entretidos em conversas e jogos. Ao longe, um violino, uma flauta e um cravo, só para entreter, literalmente.

O que se exigia a um compositor não era muito: música de fundo. Por vezes, bastava reciclar umas melodias já utilizadas em outras obras e nem era necessário especificar os instrumentos na partitura. A música seria executada pelos instrumentistas disponíveis no momento (violinos ou flautas, tanto fazia).

Apesar de as sonatas do programa terem sido tocadas em teatros, não perderam o carácter de música de entretenimento, sabendo nós que o público ia ao teatro para comer e conversar, escutando com mais atenção uma ou outra ária pelo castrato preferido. No séc. XXI, em concerto, não me parece que essas sonatas despertem um grande interesse para além da curiosidade histórica.

As cantatas que Scholl interpretou no Grande Auditório da Gulbenkian (e hoje na Casa da Música) enquadram-se, também, nesta atmosfera palaciana e não são representativas do melhor que já ouvimos pela voz deste contratenor. A primeira ária da cantata “Nel dolce tempo”, Pastorella, i bei lumi, permitiu-nos apreciar o seu belo timbre, mas foi na quarta cantata do programa, “Mi palpita il cor”, que ela mais nos seduziu. A ária Ho tanti affanni in petto foi repetida no único encore, talvez o melhor momento do concerto.

Foi bom ver Andreas novamente, mas já vi o Scholl brilhar mais.

[Scholl em entrevista ao Público: (...)uma espécie de «easy listening» do período barroco(...)]

4.12.07

Barbara Bonney - Reseda

O perfume da Reseda que vi no Dias com árvores trouxe-me à memória uma canção que Richard Strauss (1864-1949) compôs a partir de um poema de Hermann von Gilm (1812-1864): "Allerseelen". 

Penso que a voz cristalina de Barbara Bonney foi ouvida na Gulbenkian, pela primeira vez, em Fevereiro de 1992. O Grande Auditório esteve longe de encher e, perto do final, restavam talvez uns dez espectadores, que foram descendo para as primeiras filas. Não sei se a cantora se lembrará desse magnífico recital. Alguns meses antes tinha apresentado o mesmo programa no Wigmore Hall, em Londres, e a casa estava cheia. Em Lisboa, Barbara e Parsons souberam que aqueles poucos espectadores bebiam a sua música e, em estado de graça, ofereceram generosamente três encores. Se há recitais que têm magia, este foi um deles. Não é todos os dias que temos Barbara Bonney a cantar só para nós e os dedos do já falecido Geoffrey Parsons tocando nas teclas com uma delicadeza ímpar. No final, após os últimos acordes de "Morgen", ouviu-se o silêncio absoluto no Grande Auditório. Ninguém ousava destruir o clima criado. O momento perpetuou-se.
                   

Allerseelen

Stell auf den Tisch die duftenden Reseden,
Die letzten roten Astern trag herbei,
Und laß uns wieder von der Liebe reden,
Wie einst im Mai.

Gib mir die Hand, daß ich sie heimlich drücke,
Und wenn man's sieht, mir ist es einerlei,
Gib mir nur einen deiner süßen Blicke,
Wie einst im Mai.

Es blüht und duftet heut auf jedem Grabe,
Ein Tag im Jahr ist ja den Toten frei,
Komm an mein Herz, daß ich dich wieder habe,
Wie einst im Mai.

Dia de finados

Põe sobre a mesa as resedas perfumadas,
Traz também as últimas sécias vermelhas,
E falemos outra vez do amor,
Como uma vez, em Maio.

Dá-me a tua mão, para que a aperte secretamente,
E se alguém notar, tanto me faz,
Dá-me só um dos teus doces olhares,
Como uma vez, em Maio.

Hoje os túmulos estão floridos e fragrantes,
Um dia por ano é dos mortos,
Vem ao meu peito, para que eu volte a abraçar-te,
Como uma vez, em Maio.



(O CD foi gravado em 1989 e editado no ano seguinte. Esta capa pertence a uma reedição.)

Flores lilases