20.2.08

Place Vendôme

Esta é a praça onde qualquer joalheiro digno da sua arte deve possuir uma loja. Não para estar sempre a olhar para a estátua de Napoleão no topo da coluna, mas porque ela é uma das mais belas praças de Paris: a Place Vendôme.


Está rodeada de residências burguesas (os hôtels particuliers) da primeira metade do séc. XVIII, algumas das quais foram ponto de encontro de personalidades do mundo das artes, da política, das finanças e da alta sociedade parisiense. Madame de Pompadour e Montesquieu frequentavam os jantares de sábado à tarde do Club de l'Entresol, que se situava nesta praça. Foi no nº 12 que Napoleão III conheceu Eugenia de Montijo, com quem viria a casar, e que Chopin deu o último suspiro, consumido pela tísica, em 1849.


Estando concentrados no quartier Vendôme todos os grandes nomes da joalharia e dos acessórios de moda, é este o local ideal para quem pretender abrir uma nova loja de chapéus vegetais.

(Chanel na Place Vendôme)

13.2.08

Pont Alexandre III



O czar Alexandre III ofereceu esta ponte a Paris para celebrar a paz entre a França e a Rússia mas foi o seu filho, Nicolau II, quem colocou a primeira pedra. Foi inaugurada por ocasião da Exposição Universal de 1900. Na margem direita do Sena, junto à ponte, foram construídos os pavilhões "Grand" e "Petit Palais"; ao longo do rio encontravam-se os pavilhões das nações, que procuravam alcançar a visibilidade e o prestígio através de realizações arquitectónicas grandiosas, por vezes ao gosto orientalista e "barroquizante" que a Arte Nova trouxe às artes decorativas.
A utilização da electricidade à noite e a primeira linha do metropolitano de Paris foram algumas das novidades.






Les ponts et passerelles sur la Seine
Innovation en Europe à la Belle Époque

11.2.08

Augustin Dumay


A Orquestra Metropolitana de Lisboa tem um novo director musical: o violinista e maestro francês Augustin Dumay. Dumay foi aluno de Nathan Milstein e Arthur Grumiaux e toca habitualmente com orquestras e maestros de grande prestígio. Dedica-se também à música de câmara e destacam-se as suas gravações com Maria João Pires para a Deutsche Grammophon: as sonatas de Beethoven, de Mozart, de Grieg, entre outros, e também os trios de Mozart e Brahms.

Maria João Pires e Augustin Dumay tocam o 1º andamento da sonata para violino e piano em Lá maior de César Franck (1822-1890):


10.2.08

Cortiça

Diz a casa Yves Saint Laurent que a cortiça está na moda. Numa época em que até algumas boas marcas de vinho do Douro começam a usar rolhas sintéticas que tentam imitar a sua cor e textura, os sobreiros correm sérios riscos. Aproveitem a maré, senhores produtores. Mas depressa, enquanto se usam as solas altas.

8.2.08

Jorge Rodrigues entrevista Cecilia Bartoli


A propósito do concerto de amanhã (sábado, 9 de Fevereiro) na Gulbenkian, Cecilia Bartoli falou com Jorge Rodrigues para o Grande Auditório de 8 de Fevereiro. Cecilia fala de Maria Malibran, de interpretação e técnica e da ópera "Ines de Castro". Boa disposição garantida.

4.2.08

La Folle Journée de Nantes 2008

"Schubert dans tous ses états"

Schubert retratado por Kupelwieser, 1813

Como já não temos direito à Festa da Música, o canal Arte, em colaboração com a France Musique, disponibiliza para nós alguns dos concertos que tiveram lugar em Nantes. Uma das obras-primas de Schubert (1797-1828) é o quinteto de cordas D.956, que podemos ver aqui, interpretado pelo Quarteto Prazák com Sonia Wieder-Atherton (violoncelo). Sempre ficamos a saber como foi.

2.2.08

"La Femme Sans Ombre"

"Die Frau ohne Schatten" será das óperas mais difíceis de interpretar, não só pelo intrincado simbolismo da história que conta como, e principalmente, pelas exigências que se colocam à orquestra e aos cantores. Daí serem tão raras as oportunidades de a vermos em cena. A Ópera da Bastilha repôs a encenação de Bob Wilson, de 2002, que não é muito feliz, estilizando os gestos até à exaustão e acabando por retirar à ópera o seu encanto de conto de fadas idealizado por Hofmannsthal e Richard Strauss. Como diz o Le Figaro nesta crítica, se taparmos os ouvidos, não saberemos se estamos a assistir a uma representação da Flauta Mágica ou do Anel do Nibelungo. O que pode ser esteticamente muito belo não serve necessariamente os interesses de um argumento e, neste caso, os sentimentos humanos perdem-se numa movimentação quase maquinal das personagens.

Mas a encenação não destruiu a música e os sons ricos e luxuriantes da composição orquestral de Strauss lá estavam para o deleite do público, mesmo com uma direcção pouco brilhante de Gustav Kuhn. Nos principais papéis masculinos, ao tenor Jon Villars faltou a musicalidade (tal como quando cantou o papel de Calaf na "Turandot" do Teatro de São Carlos, em 2004) e ao baixo Franz Hawlata o fôlego nas linhas mais longas. As senhoras foram bem melhores. A ama da imperatriz, Jane Henschel, cénica e vocalmente gloriosa, foi a melhor cantora da noite. A mulher do tintureiro Barak foi interpretada por Christine Brewer, que acusou algum desgaste, cantando sempre no limite como se a voz fosse quebrar, mas conseguindo contê-la. É a esta mulher que a imperatriz quer comprar a sombra (simbolicamente a fertilidade que a salvará, a ela e ao imperador), decidindo-se finalmente por não o fazer, num acto de humanismo. Eva-Maria Westbroek, a imperatriz, cumpriu bem o seu papel.



(Nota extra-programa: durante alguns minutos o céu esteve azul.)

Outras críticas:

Altamusica.com
ConcertoNet.com
Seen and Heard International

31.1.08

O Apolo da Opéra Garnier

Até meados do séc. XIX, Paris era uma cidade com características medievais, de ruas estreitas e pouco apropriadas ao que se queria apresentar ao mundo como uma grande capital. O imperador Napoleão III encarregou, então, Haussmann do novo projecto urbanístico que viria a transformar Paris numa cidade moderna. Surgiram as avenidas e os grands boulevards, parques e condutas de esgotos. Eram necessários espaços amplos que permitissem a circulação de pessoas e ar e condições sanitárias que evitassem novos surtos de cólera.


(Monumento a Charles Garnier)

Charles Garnier foi o arquitecto escolhido para a construção do teatro de ópera, cujo eclectismo dominou o gosto burguês do Segundo Império até ao início do séc. XX (o gosto "Beaux-Arts de Paris"). Napoleão III pediu também a Haussmann que abrisse uma avenida a ligar o palácio das Tulherias à Ópera, o que causou a demolição de um bairro. A avenue de l'Opéra foi ponto de discórdia entre Garnier e o urbanista: o arquitecto não queria que se plantassem árvores que viriam a esconder a magnitude da sua obra. E assim se fez.

Até à construção da Ópera da Bastilha, esta era a Opéra de Paris. Passou depois a ser conhecida como Opéra Garnier (ou Palais Garnier). Neste templo das artes, lá bem no topo, Apolo domina com a sua lira, acompanhado pela Poesia e pela Música.





A partir de 4 de Fevereiro, é uma outra lira que se pode ver e ouvir na Opéra. Pina Bausch encenou e coreografou "Orfeu e Eurídice", de Gluck (ver um excerto).

29.1.08

Novo Ministro da Cultura

Isabel Pires de Lima foi finalmente substituída e o novo ministro da cultura já tem nome: José António Pinto Ribeiro. Cá estaremos para ver.

(Ler notícia do Expresso)

Joana Vasconcelos - Paris

A exposição "Où le noir est couleur", de Joana Vasconcelos, estará visitável até ao dia 1 de Março na Galerie Nathalie Obadia (3, Rue du Cloître Saint-Merry), mesmo ao lado do Centre Pompidou, que exibe uma das maiores e mais importantes colecções de arte moderna e contemporânea do mundo. Numa sala negra, gira um "Coração Independente" de talheres de plástico, como uma arrecada de filigrana, ao som do fado de Amália. Na sala ao lado, entre outras obras, encontram-se as Três Graças: Aglaia, Talia e Eufrosina. Estas figuras de cimento pintado estão vestidas do já tradicional croché da artista.

L'artiste portugaise fait sensation à Paris en détournant la tradition.

Attention, départ imminent pour le Portugal ! Il se fait à deux pas de Beaubourg, derrière la fontaine carrée où danse la Nana de Niki de Saint Phalle. (...)
(Artigo do Le Figaro)