23.7.10

Sumo de Cereja

De repente apeteceu-me sumo de cereja.

As Cordas de Amália

Ainda não viu? Passa hoje às 21h00 na RTP2 e não deve perder. A realização é de Ricardo Espírito Santo.
De acordo com o registo de nascimento de Amália ela faria hoje 90 anos.

22.7.10

Sublime Touch of a Shy Genius

Compreende-se que Maria João Pires, que amanhã terá a bonita idade de 66 anos, se sinta cansada de actuar em palcos por toda a parte. Contudo, ficaremos muito felizes se ela resolver não se retirar tão depressa. Ainda ontem, às dez da noite, deu um magnífico recital de Nocturnos de Chopin no Royal Albert Hall (programa). Podemos ouvi-lo repetidamente no BBC iPlayer durante os próximos seis dias.


O Público menciona um artigo do London Evening Standard onde se lê isto: “I feel the Proms are full of real people and not just the classical music public. They're very warm, very nice.” And the vast auditorium? “I will imagine that I am in a small hall with 100 people.” 
No mesmo jornal podemos ler uma crítica com um título sugestivo: Maria João Pires' sublime touch of a shy genius.
E o Telegraph diz o seguinte: That unexpected intimacy accounts for some of the intensity of Maria Joao Pires’s recital of Chopin Nocturnes on Wednesday. But it would have counted for nothing without her special poetry. She’s a tiny, almost bird-like figure, and she seemed even smaller in that huge space, which was packed with more people than I’ve ever seen for a late-night Prom. It must be daunting for a pianist, but Pires seemed perfectly at ease, as if she was playing for a few friends at home.

Requalificação

 
Brahea armata (Julho de 2007, no Príncipe Real)

Não será uma grande novidade, mas o Público diz hoje que já há árvores a morrer no Príncipe Real.
Rui Pedro Lérias, um Amigo do Príncipe Real, tem chamado a atenção para vários problemas que assolam aquele jardim. São as árvores jovens que definham, a falta de sombra, a poeira que não há meio de acamar, tudo isto conferindo um aspecto desolador a um jardim outrora fresco, frondoso e agradável. Parece que a ideia era requalificar*, um verbo que cada vez assusta mais, pois as intervenções a que assistimos tendem a alterar tudo para pior.





*O claustro do Mosteiro de Alcobaça também foi requalificado:

16.7.10

Ao Largo - II

O Festival ao Largo é um sucesso. Com os espectáculos a começarem quase sempre às dez da noite, pelas nove e meia já é difícil encontrar uma cadeira livre e as ruas à volta do Largo de São Carlos começam a encher-se. Mesmo quando as temperaturas baixam e o vento sopra mais forte, o público mantém-se firme e não arreda pé. Não será um fenómeno, mas antes uma prova de que existe muito boa gente que prefere ouvir música ao vivo a ficar em casa aconchegada. Gente que frequentaria certamente as salas de concerto se pudesse pagar os bilhetes. Velhos, novos, com o cão, com as crianças, todos vão Ao Largo e aderem sem preconceitos aos espectáculos.
Os concertos não têm sido todos excelentes. No entanto, tem havido música para quase todos os gostos e é de louvar que se ponha a prata da casa a tocar e a cantar, dando aos artistas a oportunidade de serem ouvidos por uma quantidade considerável de espectadores. A amplificação das vozes, por vezes, é um problema. Torna-as demasiado audíveis e põe em evidência as suas fraquezas, principalmente quando são acompanhadas ao piano.
Das minhas noites Ao Largo, destaco o concerto com a Orquestra Gulbenkian dirigida por Joana Carneiro (já mencionado aqui e aqui), a Noite Mozart, em que Ana Quintans provou estar no bom caminho (seria bom podermos vê-la no Teatro de São Carlos), e a apresentação dos espectáculos por Jorge Rodrigues, que nos predispõe para a música tal como fazia no Ritornello.
A noite de ontem, dedicada a Germana Tânger, foi memorável. Após a interpretação de "Langsamer Satz", de Anton Webern, pelo Quarteto Vianna da Motta, João Grosso representou o poema "Manucure", de Mário de Sá-Carneiro, como ele nunca tinha sido ouvido e visto antes. Finalmente Germana Tânger subiu ao palco e ali ficou, sentada, encantadora, a contar-nos histórias como se fôssemos íntimos de lá de casa. Aos 90 anos, lindíssimos, comoveu-nos com Sophia e com "Caranguejola", também de Sá-Carneiro:
- Ah, que me metam entre cobertores,
E não me façam mais nada...
Que a porta do meu quarto fique para sempre fechada,
Que não se abra mesmo para ti se tu lá fores!
(continuar a ler)

14.7.10

Come un bel dì di maggio

André Chénier nasceu em Constantinopla, filho de um comerciante francês, e cedo partiu para a França com a família. Em 1789 era ainda um jovem de 26 anos. Entusiasmou-se pela Revolução mas acabou por ser traído por ela: criticou os seus excessos e ganhou com isso a prisão e a condenação à guilhotina pelo Tribunal Revolucionário. Poucos dias depois, o Terror de Robespierre chegava ao fim e, como Deus não dorme, dizem, também ele, Robespierre, ouviria o som da lâmina deslizando até encontrar o seu próprio pescoço.
Umberto Giordano inspirou-se na vida do poeta para compor a ópera "Andrea Chénier".

Je ne suis qu’au printemps, je veux voir la moisson;
Et comme le Soleil, de saison en saison,
Je veux achever mon année.
Brillante sur ma tige, et l’honneur du jardin,
Je n’ai vu luire encor que les feux du matin;
Je veux achever ma journée.
André Chénier, La Jeune Captive



Va, pensiero

O coro do Gran Teatre del Liceu saiu à Rambla em protesto contra as restrições orçamentais: corte de 5% nos salários e redução em 10% do número de trabalhadores do teatro.