Não vou dar a novidade a ninguém se disser que as vistas do rio entre Pinhão e o Pocinho são deslumbrantes. Estamos no Alto Douro Vinhateiro e vamos até ao Vale do Côa, no Douro Superior, uma das zonas mais infernalmente quentes e secas da Região Demarcada do Douro. É aí, depois de atravessarmos o fim do mundo, que encontramos a quinta onde são vindimadas as uvas que produzirão um dos mais saborosos néctares. Não há deus que dele desdenhe.
1.9.10
31.8.10
22.8.10
Quel grido #1
O caso estava mal parado. O dia de trabalho ia ser muito longo e nem eu já acreditava que ainda fosse possível conseguir. Foi um autêntico bafejo da sorte que me permitiu sair de Lisboa na companhia da T. e da S., apontarmos à abençoada A8 rumo a Óbidos e, aí, apanharmos um autocarro que nos deixou sãos, salvos e a horas no Braço do Bom Sucesso.
Dizer que o programa era aliciante é pouco. Elisabete Matos ia cantar algumas das árias mais exigentes do reportório dramático: Ambizioso spirto... Vieni t’affretta, Suicidio e In questa reggia, para mencionar apenas três. O ambiente estava muito bom. Muitos espectadores cobriam as pernas e a cabeça com as mantinhas que tinham levado de casa; não fazia propriamente frio, mas sentia-se a frescura da noite e a humidade que descia sobre a lagoa. Ainda assim, no intervalo pudemos apreciar um branco da região, bem fresquinho, em simpatiquíssima companhia. O veredicto foi de que ele sabia mesmo a uvas.
No final do concerto tivemos direito a mais alguns brindes: Meine Lippen, sie küssen so heiss, a divertida ária Je suis un peu grise e uma dedicatória a Teresa Berganza, que se ergueu na plateia e recebeu, também ela, um aplauso estrondoso. Ousado, sim, começar um concerto com L’amour est un oiseau rebelle quando na assistência se encontra Berganza, a Carmen.
Escusado será dizer que o concerto foi extraordinário. Na memória ficam a voz gloriosa de Elisabete Matos, as suas belíssimas interpretações e... ah! o grido estratosférico de Turandot.
4.8.10
VI Festival de Ópera de Óbidos
Está aí, com uma récita de "O Barbeiro de Sevilha" e outra de "La Bohème" (ambas na Cerca do Castelo).
A encerrar o evento, a 21 de Agosto, um concerto com Elisabete Matos e este programa:
Primeira parte
Georges Bizet - Carmen, Abertura
Georges Bizet - Carmen, “L’amour est un oiseau rebelle”
Giuseppe Verdi - La Forza del Destino, abertura
Giuseppe Verdi - La Forza del Destino, “Pace, pace mio Dio”
Giuseppe Verdi - Nabucco, “Va pensiero”
Giuseppe Verdi - MacBeth, “Ambizioso spirto... Vieni t’affretta”
Pietro Mascagni - Cavalleria Rusticana, Intermezzo
Pietro Mascagni - Cavalleria Rusticana, “Inneggiamo, il Signor non è
morto”
Segunda parte
Giacomo Puccini - Suor Angelica, Intermezzo
Giacomo Puccini - Tosca, “Vissi d’arte”
Amilcare Ponchielli - Gioconda, “Suicidio!”
Giacomo Puccini - Manon Lescaut, Intermezzo
Giacomo Puccini - Edgar, “Addio mio dolce amor”
Giacomo Puccini - Turandot, “In questa reggia”
Elisabete Matos, soprano
Orquestra do Norte
Coro da Orquestra do Norte
Jose Miguel Pérez Sierra, maestro
Será no Braço do Bom Sucesso, aonde se chega do seguinte modo:
Pode adquirir o seu bilhete online.
Elisabete Matos na cena final de "La Gioconda", de Ponchielli, em Tóquio (2009):
23.7.10
As Cordas de Amália
Ainda não viu? Passa hoje às 21h00 na RTP2 e não deve perder. A realização é de Ricardo Espírito Santo.
De acordo com o registo de nascimento de Amália ela faria hoje 90 anos.
22.7.10
Sublime Touch of a Shy Genius
Compreende-se que Maria João Pires, que amanhã terá a bonita idade de 66 anos, se sinta cansada de actuar em palcos por toda a parte. Contudo, ficaremos muito felizes se ela resolver não se retirar tão depressa. Ainda ontem, às dez da noite, deu um magnífico recital de Nocturnos de Chopin no Royal Albert Hall (programa). Podemos ouvi-lo repetidamente no BBC iPlayer durante os próximos seis dias.
O Público menciona um artigo do London Evening Standard onde se lê isto: “I feel the Proms are full of real people and not just the classical music public. They're very warm, very nice.” And the vast auditorium? “I will imagine that I am in a small hall with 100 people.”
No mesmo jornal podemos ler uma crítica com um título sugestivo: Maria João Pires' sublime touch of a shy genius.
E o Telegraph diz o seguinte: That unexpected intimacy accounts for some of the intensity of Maria Joao Pires’s recital of Chopin Nocturnes on Wednesday. But it would have counted for nothing without her special poetry. She’s a tiny, almost bird-like figure, and she seemed even smaller in that huge space, which was packed with more people than I’ve ever seen for a late-night Prom. It must be daunting for a pianist, but Pires seemed perfectly at ease, as if she was playing for a few friends at home.
Requalificação
Brahea armata (Julho de 2007, no Príncipe Real)
Não será uma grande novidade, mas o Público diz hoje que já há árvores a morrer no Príncipe Real.
Rui Pedro Lérias, um Amigo do Príncipe Real, tem chamado a atenção para vários problemas que assolam aquele jardim. São as árvores jovens que definham, a falta de sombra, a poeira que não há meio de acamar, tudo isto conferindo um aspecto desolador a um jardim outrora fresco, frondoso e agradável. Parece que a ideia era requalificar*, um verbo que cada vez assusta mais, pois as intervenções a que assistimos tendem a alterar tudo para pior.
*O claustro do Mosteiro de Alcobaça também foi requalificado:
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18.7.10
Germana Tânger (actualizado)
O Festival ao Largo teve a gentileza de nos mostrar as fotografias da Noite Germana Tânger e eu não resisti à tentação de guardar algumas aqui.
E agora também um clip.
E agora também um clip.
(© Ricardo Brito)
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