20.5.12

De Bach a Britten

Através da Helena cheguei ao excerto de um documentário que nos mostra Fischer-Dieskau cantando e falando sobre Bach e Britten,


o qual me levou a um outro vídeo em que ele canta Welt, ade, ich bin dein müde (Mundo, adeus, estou cansado de ti). O Bach de Fischer-Dieskau, tão fora de moda, maravilhoso.

Boa Viagem

"Winterreise", por Fischer-Dieskau e Alfred Brendel:

19.5.12

Morreu o Cantor




A morte de Dietrich Fischer-Dieskau, há muito temida, aconteceu. Para mim foi o mais completo cantor da segunda metade do século XX, e consequentemente um dos mais importantes da história. Estou, absolutamente, de luto.

A sua voz de um poder imenso e de uma maleabilidade única, o seu preciosíssimo rigor musical e a absoluta entrega dramática e emocional foram postos ao serviço de um repertório absolutamente avassalador – de Monteverdi a Schnittke, com todo o Bach, todo o Mozart, todo o Wagner, todo o Strauss, muitíssimo Verdi e tantos, tantos italianos, no que diz respeito a ópera e a repertório sinfónico de concerto. Quanto ao universo do “lied” e da “mélodie” é verdadeiramente assombrosa a quantidade de obras que interpretou e imediatamente guindou a leituras modelares.

A sua morte é tanto mais inaceitável porque ele era o cantor imortal – a sua voz coexistiu, de facto, com as de Flagstad, Nilsson, Schwarzkopf, Seefried, Ludwig, Stich-Randall, Rysanek, Callas, Tebaldi, Di Stefano, Corelli, Bergonzi, Bastianini, Wunderlich, Domingo, Kraus, Pavarotti… e, no meio destes, conseguiu reinar durante décadas. Que tempos! Que gloriosos tempos!

Dúvidas? Ouça-se Fischer-Dieskau no “Wandrers Nachtlied I” de Schubert – na gravação com Jörg Demus! – e no Monólogo de Amfortas na gravação dirigida por Solti.

Depois, só resta chorar.

Jorge Rodrigues

Wandrers Nachtlied I D 224 by Fischer-Dieskau/demus on Grooveshark

18.5.12

Dietrich Fischer-Dieskau

O Mundo ficou hoje mais pobre. Julia Varady anunciou a morte do marido, Dietrich Fischer-Dieskau, quando faltavam poucos dias para comemorar 87 anos.


14.5.12

A Andorinha



"La Rondine", de Puccini, vai ter estreia em Portugal, no Teatro Nacional de São Carlos, na próxima quinta-feira, dia 17 de Maio, com Dora Rodrigues no papel de Magda.

Dora Rodrigues e Mário João Alves (© TNSC - Facebook)






Magda Dora Rodrigues
Lisette Carla Caramujo
Ruggero Mário João Alves
Prunier Marco Alves dos Santos
Rambaldo Luís Rodrigues
Yvette/Georgette Cristiana Oliveira
Bianca/Gabriella Sofia de Castro
Suzy/Lolette Ana Ferro
Gobin Bruno Almeida
Périchaud Hugo Oliveira
Crébillon Nuno Dias
e outros

Adenda: Informa-nos Hugo Santos que "La Rondine" teve estreia em Portugal no Teatro da Trindade, na temporada de 1970, com Zuleica Saque no papel de Magda.

5.5.12

Viagem a Tralalá #2

Wladimir Kaminer e Helena Araújo, esta tarde, na apresentação de "Viagem a Tralalá" na Feira do Livro de Lisboa:



4.5.12

Viagem a Tralalá #1


Wladimir Kaminer anda a conhecer o Alentejo, na companhia da Helena Araújo, e amanhã (5 de Maio) estará na Feira do Livro de Lisboa, na Praça Laranja, às 19h00, para apresentar "Viagem a Tralalá". O livro foi traduzido pela própria Helena e, obviamente, promete. A edição é da Tinta-da-china, integrada na Colecção de Literatura de Viagens dirigida por Carlos Vaz Marques.


A quem quiser conhecer melhor o autor e as histórias à volta da tradução do livro, aconselha-se uma visita ao 2 Dedos de Conversa, onde a Helena nos dá algumas pistas. A Berlinda.org tem uma entrevista ao autor e uma outra à sua tradutora e o Ípsilon publicou uma crónica de Wladimir Kaminer sobre a sua primeira vez em Lisboa.

E amanhã à noite, na Pensão Amor, ali ao Cais do Sodré, há Russendisko, uma festa que é uma especialidade de Kaminer. A não perder.

Kaminer com Helena Araújo

(Fotos tiradas do 2 Dedos de Conversa)

2.5.12

"Evocação de Silves"

Saúda, por mim, Abû Bakr,
Os queridos lugares de Silves
E diz-me se deles a saudade
É tão grande quanto a minha.
Saúda o Palácio das Varandas,
Da parte de quem nunca as esqueceu.
Morada de leões e de gazelas
Salas e sombras onde eu
Doce refúgio encontrava
Entre ancas opulentas
E tão estreitas cinturas.
Moças níveas e morenas
Atravessavam-me a alma
Como brancas espadas
Como lanças escuras.
Ai quantas noites fiquei,
Lá no remanso do rio,
Preso nos jogos do amor
Com a da pulseira curva,
Igual aos meandros da água
Enquanto o tempo passava...
E me servia de vinho:
O vinho do seu olhar,
Às vezes o do seu copo,
E outras vezes o da boca.
Tangia-me o alaúde
E eis que eu estremecia
Como se estivesse ouvindo
Tendões de colos cortados.
Mas se retirava o manto,
Grácil detalhe mostrando,
Era ramo de salgueiro
Que abria o seu botão
Para ostentar a flor.

Al-Mu'tamid (adaptação a partir de várias versões de Adalberto Alves)

Nos anos 1930 e 1940, um organismo comummente conhecido como Monumentos Nacionais reconstruía tão bem castelos medievais que eles até ficavam a parecer antigos e verdadeiros. Actualmente, requalifica-se e esteriliza-se, como em Alcobaça, Guimarães e Silves. A ASAE dos monumentos e dos centros históricos limpa-os, deslava-os, bota-lhes candeeiros bem bonitos, modernos e originais.

Castelo de Silves (© IGESPAR)


O caso de Silves:
O interior do castelo era um jardim com árvores antigas, que foram cortadas para dar espaço a uma requalificação que levou anos a fazer-se. Quando as obras terminaram, o castelo teve direito a inauguração com a presença do senhor presidente da república. Ei-lo lá, acompanhado pela sua senhora.
Uma coisa correu bem: foram escavadas e postas a descoberto as ruínas do palácio almóada. Contudo, não teria sido necessário arrancar as pimenteiras-bastardas e os jacarandás que por lá abundavam. Nos seus lugares estão agora umas árvores jovens, em forma de pomar, numa espécie de recriação de um jardim árabe com cursos de água secos e pequenos lagos e fontes que não funcionam. Segundo consegui apurar, a água deveria estar em permanente circulação, não se tivesse dado o caso de a construção ter ficado defeituosa.
A cisterna da Moura não tem encanto nenhum. Foi "museologizada". Descemos as escadas para entrar nela e encontramos paredes e colunas cobertas de painéis informativos e fotografias que nos impedem de a ver e a despem de mistério.
Há por lá também uma cafetaria com uma grande esplanada, mas encerrada.
Queridos Monumentos Nacionais, voltai, que estais perdoados.

No Youtube: um vídeo dá uma ideia do desconsolo e um outro mostra imagens da inauguração do castelo requalificado.

26.4.12

A Arte de Gruberová

Mão amiga mostrou-me este documentário sobre a arte de Edita Gruberová. Um documentário que passa por momentos da preparação para a "Lucrezia Borgia" de Barcelona e que nos leva também ao início da sua carreira na Checoslováquia e em Viena. Para os amantes de bel canto.