9.9.12

Amor de Poeta




Os últimos anos de Robert e Clara Schumann, juntos, foram vividos nesta casa da Bilker Straße, em Düsseldorf.
Por essa altura, a saúde de Schumann ia-se degradando a olhos vistos e as alucinações começavam a ser frequentes, levando o compositor a tentar o suicídio atirando-se de uma ponte sobre o Reno. Passados poucos dias foi levado para um hospital psiquiátrico perto de Bona, onde acabou por morrer cerca de dois anos mais tarde, em 1856.

O aspecto da margem esquerda do Reno, que passa por Düsseldorf enrolado em meandros, não devia ser muito diferente do actual. Ainda por lá pastam rebanhos de ovelhas e o ar quase campestre recorda-nos que o nome da cidade lhe foi muito bem posto: Aldeia de Düssel, sendo Düssel um afluente do Reno que ali desemboca no grande rio.

(As ovelhas vêem-se mal mas estão precisamente no centro da fotografia)































Não longe da casa de Schumann, mas agora na Bolkerstraße, encontramos a casa onde nasceu Heinrich Heine, autor dos poemas seleccionados pelo compositor para o ciclo Dichterliebe. Apesar de contemporâneos (Heine era mais velho mas morreu poucos meses antes de Schumann), o poeta e o compositor não se encontraram em Düsseldorf, uma vez que nessa época Heine vivia um prolongado exílio em Paris. Contudo, das mãos de ambos e à vez, saiu um dos mais celebrados ciclos para canto e piano. (Poemas com traduções em Inglês)



 Dichterliebe, por Fritz Wunderlich e Hubert Giesen, em Salzburgo (1965):


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Placa encontrada no pátio da casa de Schumann

Nota: As fotografias são manhosas; foram tiradas a correr e com o que estava à mão.

6.9.12

Parabéns, Elisabete

Pormenor do camarim dedicado a Elisabete Matos na exposição Noites em São Carlos (foto © Sofia de Araújo)





























A nossa Matos faz hoje aninhos e comemora-os na Coruña porque no próximo Sábado canta a Abigaille ao lado do Nabucco de Leo Nucci. Parabéns, Elisabete. E toi toi tois.

No Met foi assim:


4.9.12

Bruckner em Lisboa

© Wikipedia

Em dia de aniversário de Anton Bruckner (1824-1896), vem a calhar o concerto de Sergiu Celibidache com a Orquestra Filarmónica de Munique no Coliseu dos Recreios, em 1994, quando Lisboa foi Capital Europeia da Cultura.

28.8.12

Para a rentrée


A Deutsche Grammophon já nos deixa ouvir um pedacinho do novo disco que Maria João Pires gravou com Claudio Abbado e a Orchestra Mozart e que sairá em Setembro. São os concertos nº 20 e 27 de Mozart, claro.


5.8.12

Grande Reportagem: Noites em São Carlos

Interrompe-se aqui o intervalo para dar conta do que se passa no Teatro Nacional de São Carlos até ao próximo dia 4 de Setembro: a exposição Noites em São Carlos. Se gosta destas coisas do teatro, não a perca. O preço máximo é de 3€ por pessoa e dá-lhe acesso a subir ao palco e a visitar os bastidores e os camarins.
A exposição mostra-nos uma pequena parte do precioso espólio do Teatro. Ora veja:

Traje de cena usado por Alfredo Kraus como Duque de Mântua (1979)
Cortinas, adereços e trajes de cena da Aida de 1950
Khnum


No palco do Teatro está montada uma produção de "Madama Butterfly", com o guarda-roupa esplendoroso que o figurinista Hugo Manoel seleccionou na casa Hayashi Kimono, em Tóquio, para a temporada de 1976/77:









Os camarins estão dedicados aos grandes cantores portugueses. Pode ver de perto vestidos que Elisabete Matos usou no Don Carlo, trajes de cena e outros objectos de Tomaz Alcaide, entre outras relíquias do passado:

Lohengrin (António de Andrade)
Don Giovanni (Francisco de Andrade)
Papageno (Álvaro Malta - 1981/82)
Rosina (Maria Cristina de Castro - 1957/58)


O que aqui está é uma pequena amostra do que o caro leitor pode, e deve, ir ver na exposição do Teatro de São Carlos. Não se esqueça de ir espreitar atrás do palco


e de subir ao Salão Nobre. Termine a sua visita na colecção de caricaturas de cantores célebres, como esta de Birgit Nilsson por Zé Manel:



E agora, para finalizar, o momento Caras: Asta-Rose Alcaide, viúva de Tomaz Alcaide, à conversa com Elvira Ferreira no Largo de São Carlos.

31.7.12

Noites em São Carlos




















Nove núcleos expositivos em nove espaços diferentes: Foyer, sala principal, palco, camarotes, bastidores, camarins, técnica, corredores e Salão Nobre. Cenários, figurinos, guarda-roupa, adereços, fotografias, maquetas. Originais desde o século XVIII até aos nossos dias.

Toda a informação no sítio do Teatro Nacional de São Carlos.

27.7.12

Turandot ao Largo


27 e 28 de Julho
"Turandot"
Ferruccio Busoni
Ópera em Versão de Concerto

direcção musical: Moritz Gnann
 
Turandot: Sónia Alcobaça
Kalaf: Mário João Alves
Altoum: Nuno Dias
Adelma: Maria Luísa de Freitas
Barak: Luís Rodrigues
Truffaldino: Carlos Guilherme
Pantalone: André Baleiro
Tartaglia: Nuno Pereira
Rainha Mãe: Filipa Lopes
Uma cantora: Carolina Figueiredo

Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Orquestra Sinfónica Portuguesa

26.7.12

Presas por ter cão

O Festival de Bayreuth abriu ontem, envolto numa triste polémica por conta de um assunto muito delicado. Não me refiro ao caso do vestido de Angela Merkel, mas sim à saída do cantor Yevgeny Nikitin do elenco de O Navio Fantasma a poucos dias da estreia.

Nikitin é - era? - um baixo-barítono muito solicitado pelos grandes teatros da Europa e dos Estados Unidos e tudo indicava que continuaria a sê-lo - veremos -, não fosse o caso de se ter descoberto que tem tatuados no peito vários símbolos rúnicos comummente associados à ideologia nazi. A suástica já não está lá, foi substituída por uma estrela com um emblema, porém o caldo já estava entornado. A imprensa alemã mostrou as imagens e as manas Wagner, que actualmente dirigem o Festival, reagiram, conversaram com Nikitin e tê-lo-ão convencido a retirar-se da produção (quem ganhou com isto foi Samuel Youn - o Wanderer do "Siegfried" de Graham Vick no Teatro de São Carlos -, que saltou rapidamente para o papel de Holandês em substituição de Nikitin).

Nikitin tem-se desfeito em explicações contraditórias e pouco convincentes, insistindo no facto de ter decorado a pele nos seus tempos de juventude, quando fazia parte de um grupo de música rock, e de se ter arrependido. No entanto, alguns símbolos foram tatuados recentemente.

Bref. As manas Wagner, por quem não nutro especial simpatia (parecem apostadas em destruir o Festival criado pelo bisavô, apresentando cada ano produções mais horríveis que as anteriores), viram-se metidas numa grande alhada e são agora criticadas e acusadas de querer mostrar uma atitude politicamente correcta ou branquear a imagem de Bayreuth. Mas se não tivessem cão, o que andaria por aí agora de ai Jesus que Bayreuth continua nas mãos dos nazis?

A abertura foi assim, com Christian Thielemann a dirigir a orquestra,
e o Joaquim deixa-nos ouvir mais alguns excertos do Holandês que ontem estreou.

Samuel Youn e Adrianne Pieczonka como Holandês e Senta

Prémio Calouste Gulbenkian 2012

Ontem, o Prémio Calouste Gulbenkian 2012 foi atribuído à West-Eastern Divan Orchestra, criada por Daniel Barenboim e Edward Said em 1999 e composta por músicos de Israel, da Palestina e de outros países árabes.
Fundámos esta orquestra como um fórum onde jovens músicos israelitas e árabes pudessem compreender que somos todos iguais perante Beethoven.
Daniel Barenboim em 2003 (Público)


A escolha da West-Eastern Divan Orchestra é oportuna e exemplar a vários títulos: celebra o poder de comunicação universal da música e a sua capacidade de transcender divisões e conflitos; aposta nos jovens e na sua aptidão em encontrar soluções novas para problemas velhos; é uma chamada de atenção para um conflito que grassa há décadas e se repercute numa região inteira. Mas é também a celebração do valor do diálogo intercultural e do seu contributo para a harmonia e a paz.
Jorge Sampaio, Presidente do Júri

Ainda no sítio da Fundação Gulbenkian, podemos ler que "a West-Eastern Divan Orchestra tem a clara intenção de ajudar a ultrapassar as barreiras e os conflitos históricos entre israelitas e palestinianos, a partir do gosto pela música que os leva a conhecerem-se melhor e a superarem ódios e desentendimentos. Para os criadores da Orquestra, a única convicção política sobre o conflito do Médio Oriente é a de que nunca será resolvido pela via militar. Acreditando que os destinos dos dois territórios estão ligados para sempre, Said e Barenboim quiseram mostrar, com esta Orquestra, que só construindo pontes se pode encorajar as pessoas a ouvirem os dois lados do conflito".