8.11.12

La Gioconda em Roma

Elisabete Matos, Ekaterina Semenchuk e Aquiles Machado

Roma é eterna. Já correu muita água sob as pontes que atravessam o Tibre desde que o vi nos últimos dias de Outubro, mas as pedras da Roma imperial lá estarão a contar a História de sempre e Santa Teresa continuará em êxtase. As cúpulas erguem-se imponentes, poderosas, cobrindo as pinturas e as talhas mais assombrosas que olhos humanos possam admirar. As cores de Roma, as praças de Roma, as fontes de Roma, os pinheiros de Roma, as esculturas de Michelangelo nas igrejas de Roma, Roma.


Havia quase vinte anos que não se ouvia "La Gioconda" em Roma. A última Gioconda tinha sido Ghena Dimitrova; agora foi a vez de Elisabete Matos, que já antes cantara o papel em Tóquio, aí interpretar a personagem da cantora de Veneza que se suicida para não cair nas mãos do pérfido Barnaba. Ponchielli compôs a música para o libreto de Tobia Gorrio (pseudónimo de Arrigo Boito) baseado numa obra de Victor Hugo. A sinopse pode ser lida aqui.

Madre! Enzo adorato! Ah come t'amo!

Como convém, a acção desenrola-se num crescendo dramático de grande intensidade, com uma descontracção visual pelo meio, característica da Grande Ópera à francesa - a Dança das Horas -, culminando no IV acto com o anúncio do suicídio por Gioconda e, finalmente, a sua morte.

Talvez deva começar por dizer que o espectáculo, no seu todo, foi um sucesso enorme. A encenação de Pier Luigi Pizzi é tradicional, com cenografia e guarda-roupa simples e pouco aparatosos, mas eficazes e evocativos das pontes, das gôndolas e das festas da Veneza do século XVII. A orquestra, dirigida por Roberto Abbado, sobrinho de Claudio, soou sempre muito bem, afinada e certinha. No entanto, uma ópera como "La Gioconda", que anuncia o verismo, parece-me pedir uma leitura menos rígida e um pouco mais de emoção.

Tive a oportunidade de assistir a duas das quatro récitas do elenco principal, que se apresentou muito equilibrado e com cantores de grande nível. Elisabetta Fiorillo, no papel de La Cieca, tem uma voz de contralto profunda e enorme; Ekaterina Semenchuk, mezzo-soprano russa, dispõe de um timbre quente e penetrante e compôs uma belíssima Laura; Roberto Scandiuzzi, um baixo de voz nobre, com vários Filippo II e Boris Godunov no currículo, é um Alvise imponente; o barítono Claudio Sgura foi o vil Barnaba, impressionante tanto vocal como cenicamente; Aquiles Machado pode não ter o tipo de voz ideal para interpretar Enzo Grimaldo, mas vestiu muito bem a personagem e esteve em grande forma; dos papéis secundários, destaque para Enrico Iori - que foi Filippo II no "Don Carlo" de Lisboa - como Zuane.
Terminemos em grande, com a nossa Gioconda, porque é um privilégio ver e ouvir Elisabete Matos num dos papéis maiores do reportório de soprano dramático. A Gioconda exige uma cantora que detenha graves potentes, agudos cintilantes e um registo médio seguro. Em troca, oferece-lhe dificuldades técnicas várias, principalmente no IV acto. E foi aqui que Elisabete Matos conseguiu exceder-se a si própria. Depois de um Suicidio arrepiante, deu-nos mais uma série de momentos brilhantes na cena com Enzo e Laura (imagem no topo) e assim continuou, crescendo até ao encontro final com Barnaba (Ora posso morir).

Volesti il mio corpo, demon maledetto? E il corpo ti do!
(Si trafigge nel cuore col pugnale.)


Numa época em que pairam nuvens negras sobre os teatros (as de lá menos negras que as nossas) e em que o futuro se mostra incerto, e tendo em conta que não haverá dinheiro para grandes produções no Teatro de São Carlos, se me deixassem mandar, esta Gioconda viria a Lisboa, nem que fosse em versão de concerto.

22.10.12

O Rach 1 de Artur Pizarro

No passado mês de Abril, Artur Pizarro visitou o Teatro de São Carlos e o Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian em dois dias consecutivos. Quem não teve a possibilidade de assistir aos concertos ao vivo pode agora ouvir o Rach 1, que Pizarro tocou com a Orquestra Sinfónica Portuguesa e Martin André na Gulbenkian. Espera-se que manbrighton nos ofereça um dia destes o Rach 3 com a Gulbenkian em São Carlos.



21.10.12

MAP

(Foto vista no Entre as brumas da memória)

É difícil eleger os melhores momentos do documentário de Ricardo Espírito Santo dedicado a Manuel António Pina, Um sítio onde pousar a cabeça. Escolho este, porque sim, e a fotografia, por causa dos gatos.
e ninguém perguntava nada
e ninguém falava alto



20.10.12

La Gioconda

A estreia será já no próximo dia 23 e as récitas seguintes virão a 25, 28 e 30 de Outubro. No palco, com Elisabete Matos, estarão Ekaterina Semenchuk (Laura), Roberto Scandiuzzi (Alvise), Elisabetta Fiorillo (La Cieca), Aquiles Machado (Enzo adorato), Claudio Sgura (Barnaba), Enrico Iori (Zuane) e outros. A encenação é de Pier Luigi Pizzi e o maestro é Roberto Abbado.


10.10.12

Ella mi fu rapita

Wiki)

Hoje comemora-se o 199º aniversário de Giuseppe Fortunino Francesco Verdi. Nem de propósito, acabou de vir parar-me às mãos este pedaço de um concerto da Accademia Teatro alla Scala com a participação de Carlos Cardoso.


(Se tiver dificuldades com o visionamento, tente seguir este link.)

9.10.12

Ver Vermeer em Roma

E quem for a Roma lá para o fim do mês, além da Gioconda de Elisabete Matos, pode ver também a exposição Vermeer. Il secolo d’oro dell’arte olandese, nas Scuderie del Quirinale.

La mostra delle Scuderie del Quirinale include, infatti, una preziosa selezione di opere di Johannes Vermeer - rarissime e distribuite nei musei di tutto il mondo, nessuna in Italia - e all'incirca cinquanta opere degli artisti olandesi suoi contemporanei.

Alegoria da Fé, de Vermeer, ca. 1670-72
(New York, The Metropolitan Museum of Art The Friedsam Collection,
lascito di Michael Friedsam, 1931 © Art Resource/Scala, Firenze)

24.9.12

Requiem aeternam

Da maratona só assisti ao final, o Requiem, ontem ao fim da tarde. Quis a sorte que no dia anterior tivesse falecido o tenor Aníbal Real, coralista do Teatro de São Carlos. Antes do início do concerto foi anunciado que o Teatro, e em especial o coro, dedicava o Requiem à memória do colega. Ouviu-se um minuto de absoluto silêncio.

A missa começou e, de imediato, o público sentiu a emoção que saía do coro e passava pelo seu maestro, pela orquestra e pelos solistas para a sala. Não foi apenas o Requiem de Mozart que se ouviu. Foi uma missa cantada e tocada com muita generosidade para o colega desaparecido na véspera. E isso deu ao concerto de ontem um carácter especial. À memória do Aníbal.

Foto de ensaio ©

Requiem, Kv. 626

Soprano Dora Rodrigues
Meio-soprano Patrícia Quinta
Tenor Bruno Almeida
Barítono Jorge Martins

Direcção musical Giovanni Andreoli

Coro do Teatro Nacional de São Carlos
Orquestra Sinfónica Portuguesa

21.9.12

Lisboa alegre e bem-disposta

Acontecem tantas coisas em Lisboa este fim-de-semana que uma pessoa não dá vazão. Talvez só em Berlim haja mais e melhores escolhas, Helena.
  • Começa com a Reunião do Conselho de Estado;
  • Depois é a Maratona Mozart: quarenta e uma sinfonias e o Requiem, no Domingo, com Dora Rodrigues, Patrícia Quinta, Bruno Almeida e Jorge Martins;
  • Mais Páris e Helena, de Gluck, no São Luiz, com Carmen Matos, Marina Pacheco, Sara Carolina Marques e Sónia Alcobaça. Os bilhetes custam €13 e €17;
  • E ainda o Queer Lisboa, que inaugura logo à noite no São Jorge e festeja a seguir no Ritz Clube.

Sónia Alcobaça em Páris e Helena

18.9.12

Paul McCreesh na Orquestra Gulbenkian



A Fundação Calouste Gulbenkian anunciou há dias que Paul McCreesh será o Maestro Titular da Orquestra a partir da temporada de 2013/14, sucedendo a Lawrence Foster.

McCreesh tornou-se conhecido por cá com a apresentação de obras barrocas e clássicas no CCB, principalmente de Handel e Gluck, com o seu Gabrieli Consort & Players.



 Paul McCreesh com a Orquestra Sinfónica da Rádio Dinamarquesa:


13.9.12

Reabre o Fórum Luísa Todi

As obras do Fórum Municipal Luísa Todi chegaram ao fim e a cerimónia de reabertura, no dia 15 de Setembro, vai ter direito a um recital de Elisabete Matos, acompanhada ao piano por Nuno Vieira de Almeida. João Pereira Bastos é o director artístico do Fórum.