15.12.12

A Música das Plantas



As plantas ouvem e também falam. O El País explica como é:
La obra consiste en un jardín de plantas que reaccionan a la presencia del público emitiendo sonidos. “Se trata de una bio-instalación, que invita a reflexionar sobre nuestro papel en relación a los demás seres vivos, basada en la sensibilidad de las plantas y en el aura electroestática de los seres humanos”, explican los artistas, que presentaron una de sus instalaciones bio-interactiva hace unos años en la última edición de la Bienal de Sevilla (Biacs). Para activar los sonidos hay que rozar suavemente las plantas y a veces la proximidad de una persona ya es suficiente para generar unas sonoridades, surgidas de una interfaz electrónica, que transforma las reacciones eléctricas de las plantas en sonidos.

12.12.12

Lisa della Casa e Galina Vishnevskaya

Chegaram ontem as notícias da razia. Desapareceram desta vida duas grandes cantoras do século XX: Lisa della Casa (93 anos) e Galina Vishnevskaya (86).

Lisa della Casa, nascida na Suíça, celebrizou-se como grande intérprete de Mozart e de Richard Strauss.

Em "Don Giovanni", com a direcção de Wilhelm Furtwängler:


Como Arabella, um dos grandes papéis da sua vida:



A cantora russa Galina Vishnevskaya abordou um reportório mais abrangente de soprano dramático. Verdi, Puccini e os Russos foram os seus compositores de eleição.

Canções e Danças da Morte, com Rostropovich, seu marido, ao piano:


10.12.12

Lohengrin alla Scala #2

In fernem Land (foto via Joaquim)

Quem não viu o "Lohengrin" do Scala pode fazê-lo agora, e depressa, antes que o retirem do circuito.

7.12.12

Kirsten Flagstad

Kirsten Flagstad como Brünnhilde (©)

Kirsten Flagstad deixou-nos a 7 de Dezembro de 1962, há exactamente cinquenta anos. Nasceu a 12 de Julho de 1895 em Hamar, na Noruega, e veio a ser a maior soprano wagneriana do século XX, se não de todos os tempos. Os seus pais, músicos profissionais, ter-se-ão apercebido do gosto pela música e do talento em potência da jovem Kirsten e, no dia do seu décimo aniversário, ofereceram-lhe a partitura de "Lohengrin". Elsa von Brabant foi o seu primeiro papel wagneriano, que estreou em Oslo em 1929.

Euch Lüften, em 1937



Em 1933, depois da sua primeira Isolde, em Oslo, foi chamada a cantar em Bayreuth, onde rapidamente passou de pequenos papéis para Sieglinde, ao lado da Brünnhilde de Frida Leider. Seguiu-se Nova Iorque. Em 1935, além de Sieglinde, Elsa e Elisabeth, Flagstad cantou Isolde, a sua primeira Brünnhilde e a sua primeira Kundry.

Ich sah das Kind, em 1951




Após o êxito extraordinário no Met, Flagstad estabeleceu-se como a grande intérprete de Brünnhilde, Isolde e Kundry e a sua carreira centrou-se, nos anos seguintes, principalmente nestes papéis, que cantou em várias cidades dos Estados Unidos e em Londres. Com Lauritz Melchior, Kirsten Flagstad fez o par wagneriano mais sensacional de todos os tempos: Isolda e Tristão, Brünnhilde e Siegfried, Elisabeth e Tannhäuser, Kundry e Parsifal.

O sink hernieder




Em 1941, Flagstad regressou dos Estados Unidos à Noruega, fazendo a sua entrada na Europa por Lisboa. Que se saiba, não cantou cá. A menos que tenha gritado Hojotoho ao passar à Torre de Belém.

5.12.12

Lohengrin alla Scala #1

Fotos de ensaio © Associated Press/Monika Rittershaus, La Scala (via)

A próxima sexta-feira, 7 de Dezembro, é dia de Sant'Ambrósio, logo, abre a nova temporada do Scala. Desta vez cabem as honras a "Lohengrin" e a Jonas Kaufmann, na companhia de Anja Harteros, René Pape, Tómas Tómasson, Evelyn Herlitzius, Zeljko Lucic e Daniel Barenboim. Quem tiver arte em casa pode ver a transmissão a partir das 19h15, quase em directo. Em Milão começa às 5 da tarde.

Jonas Kaufmann fala sobre "Lohengrin":


27.11.12

Gala de Ópera com Elisabete Matos



Domingo, 9 Dezembro | 19h00
Centro Cultural Vila Flor, Guimarães

A soprano Elisabete Matos associa-se a um espectáculo solidário cuja receita irá reverter a favor da nova Pediatria do Centro Hospitalar de São João.

(Bilheteira online)

A “Gala de Ópera com Elisabete Matos” é um espectáculo solidário com o projecto “Um Lugar pró Joãozinho” que visa erguer a nova Pediatria do Centro Hospitalar de São João com o apoio de donativos privados e que tem como Presidente da Comissão de Honra a Dra. Maria Cavaco Silva. A grande missão deste projecto é construir um Serviço Pediátrico, alicerçado em valores de rigor, compromisso, excelência, integridade, privacidade, partilha e acompanhamento, baluartes de uma Pediatria para o futuro. Ajudando a rasgar novos campos na capacidade do conhecimento para todas as crianças e famílias a quem a condição de estar doente ajudará também a uma consciência da vida e dos seus valores maiores. A soprano Elisabete Matos decidiu associar-se ao projecto e leva um conjunto de jovens solistas portugueses ao concerto que contará com a interpretação da Orquestra Académica da Universidade do Minho sob a batuta do maestro Vítor Matos. A “Gala de Ópera com Elisabete Matos” conta com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães.

PROGRAMA
Puccini
Prelúdio Sinfónico (1871), Orquestra Académica da Universidade do Minho
Addio mio dolce amor, "Edgar" (ária de Fidelia), Elisabete Matos
O mio babbino caro, "Gianni Schicchi" (ária de Lauretta), Sofia Pinto
Mi chiamano Mimi, "La Bohème" (ária de Mimi), Dora Rodrigues
Donde lieta usci, "La Bohème" (ária de Mimi), Sofia Pinto
Quando men vo, "La Bohème" (ária de Musetta), Mónica Pais
Interlúdio, "Manon Lescaut" (4ª acto), Orquestra
Se comme voi, piccina io fossi, "Le Villi", Mónica Pais
Recondita armonia, "Tosca" (ária de Cavaradossi), Francisco Reis
Vissi d’arte, "Tosca" (ária de Tosca), Elisabete Matos
Mario, Mario, (até final de dueto), "Tosca" (dueto Tosca e Cavaradossi), Elisabete Matos / Francisco Reis
Tu che di gel sei cinta, "Turandot" (ária de Liù), Dora Rodrigues
In questa reggia, "Turandot" (ária de Turandot), Elisabete Matos
Tu, Tu, Tu, piccolo Iddio, "Madama Butterfly" (ária de Butterfly), Elisabete Matos

Orquestra Académica da Universidade do Minho
Vítor Matos maestro
Elisabete Matos, Dora Rodrigues, Mónica Pais, Sofia Pinto, Francisco Reis solistas

26.11.12

Quel jour de fête!

Magda Olivero, poucos dias antes de comemorar o aniversário nº 100 (©)

Ontem, em Milão, teve lugar a final do Concurso Lírico Magda Olivero. Carlos Cardoso cantou Ah! mes amis... Pour mon âme, de "La Fille du Régiment", e ficou em terceiro lugar. Bravo! Em primeiro e segundo lugares ficaram, respectivamente, Kiandra Howarth e Yeo Ji Won. Ouvejamo-lo!

24.11.12

Prodígios

Já me tinha resignado. Os Filarmónicos estavam em Lisboa e eu não ia ouvê-los; os bilhetes estavam esgotados, parecia, desde sempre. Mas eis que o telefone tocou e, qual prodígio como só a Helena sabe produzir, as coisas arranjaram-se de modo a que alguns dos melhores músicos do Mundo quisessem, na véspera do concerto na Gulbenkian, ir ouvir fados à Mesa de Frades e aí se deixassem encantar pelas melodias, pelas vozes fadistas e pela guitarra portuguesa de Ângelo Freire. Foi bonito ver um violinista, um violetista e um trompista discorrendo sobre as sensações que esta música estranha lhes causava e sobre a técnica de dedilhar seis pares de cordas. "Gosto muito de tocar aqui porque posso fazer experiências; no palco não", disse-lhes Ângelo Freire.



Foi mais ou menos assim que começou o concerto da Orquestra Filarmónica de Berlim. A obra chama-se Atmosphères e foi composta por Ligeti em 1961 e utilizada mais tarde por Kubrik em 2001: Odisseia no Espaço. Não será a peça mais expectável num concerto de tournée dos Berliner Philharmoniker, e no entanto faz todo o sentido apresentá-la como eles o fizeram. É uma peça atmosférica, como o nome indica, e a sua composição, conforme se lê no programa de sala, é "um exemplo perfeito da noção de Ligeti de uma música estática e auto-contida, que aliás tinha antecedentes na história da música, nomeadamente no Prelúdio do Lohengrin". Atmosphères termina num silêncio que Sir Simon manteve por alguns segundos, até entrarem os primeiros acordes de Lohengrin. A passagem de Ligeti para Wagner foi perfeita e arrebatadora.

Depois de Wagner ouviu-se Jeux, de Debussy, uma obra que não me fascina mas que foi magistralmente interpretada, e a primeira parte acabou em ambiente eufórico com a Suite nº 2 de Daphnis et Chloé, de Ravel. O bailado, composto para os Ballets Russes, foi estreado em Paris em 1912. A partir dele, Ravel compôs duas suites, a segunda das quais corresponde à cena final, culminando numa "voluptuosa celebração dionisíaca do amor físico". Vendo aqueles músicos a tocar esta peça, fiquei a pensar se Ravel não teria em mente uma coreografia para orquestra, tal é o efeito visual oferecido ao público ora pelos arcos dos naipes de cordas, ora pelos sopros, ora pela percussão, com o esfuziante Wieland Welzel nos tímpanos. Rattle e os Filarmónicos no seu melhor.

Na segunda parte regressou a contenção. A Renana é uma obra com características contemplativas e não será das sinfonias mais arrebatadoras do reportório. Depois do contagiante Ravel apetecia mais um Mahler ou um Bruckner que as delicadezas de Schumann. Talvez para a próxima, se a Fundação Gulbenkian nos fizer o jeito. Se não for ela, dificilmente voltaremos a ouver a melhor orquestra do Mundo em Lisboa.


(Fotografias de Michael Trippel em The Official Tour Weblog. Ide ver.)

20.11.12

O Jovem Van Dyck

Auto-retrato, Van Dyck, ca. 1615 (© Gemäldegalerie der Akademie der bildenen Künste, Viena)

Ora bem. Se puder ir a Madrid antes de 3 de Março de 2013, deverá não perder a exposição El joven Van Dyck no Museu do Prado.