22.2.13

When I was 35


When I was seventeen
It was a very good year
It was a very good year for small town girls
And soft summer nights
We'd hide from the lights
On the village green
When I was seventeen


When I was twenty-one
It was a very good year
It was a very good year for city girls
Who lived up the stair
With all that perfumed hair
And it came undone
When I was twenty-one


When I was thirty-five
It was a very good year
It was a very good year for blue-blooded girls
Of independent means
We'd ride in limousines
Their chauffeurs would drive
When I was thirty-five


But now the days are short
I'm in the autumn of the year
And now I think of my life as vintage wine
From fine old kegs
From the brim to the dregs
It poured sweet and clear
It was a very good year

10.2.13

Artur Pizarro nos 20 anos da OSP



Parece que, nos próximos tempos, vamos ter Pizarro mais vezes por cá, segundo o próprio confidenciou à conversa com Pedro Wallenstein (Músicos da OSP). A sua próxima visita será já em Março, no CCB, com Pavel Gomziakov.
Ontem pudemos ouvê-lo no Teatro de São Carlos a tocar o Concerto nº 2 de Brahms, dirigido por Rui Pinheiro, que substituiu Martin André por motivo de doença. Não é surpresa que os concertos de Artur Pizarro transmitam grandes emoções. Para lá da técnica e do virtuosismo, Artur tem o condão de passar para o público sentimentos profundos em relação à obra que está a interpretar, só possíveis graças a uma enorme maturidade e, diria eu, a um modo de encarar a arte herdado dos grandes pianistas. Artur é um pianista moderno, que coloca a sua i-partitura sobre o piano, mas que pouco ou nada tem a ver com a esmagadora maioria dos pianistas que vão aparecendo e pululando por aí. Artur é um pianista moderno mas à antiga, se é que me faço entender.

Hardmusica)


A sua interpretação do concerto de Brahms foi belíssima, no entanto o 3º andamento, Andante, merece um realce especial. Começa com um solo de violoncelo, magnífico no arco de Irene Lima, subtilmente acompanhado pela orquestra, ao qual se junta mais tarde o piano em diálogo perfeito. Artur e Irene proporcionaram-nos as emoções que só os grandes artistas podem dar. Foi o momento mais sublime da noite e, com ele, concretizou-se um dos meus sonhos secretos: Irene Lima e Artur Pizarro juntos. E Pizarro, como se soubesse que era esse o meu desejo, convidou Irene para tocarem um encore: foi o Largo da Sonata de Chopin. O entendimento entre ambos foi tão evidente que nem se percebe por que razão não tocam mais vezes um com o outro.



Na primeira parte do concerto de ontem ouvimos Abertura Festiva, uma obra de Luís Tinoco em estreia absoluta, encomendada para a comemoração dos 20 anos da OSP, e a Sinfonia nº 5 de Joly Braga Santos. Poderá ser uma mania minha, mas continua a parecer-me uma ideia disparatada dispor a orquestra no meio da sala. Não só fica mais de metade da plateia por vender como a acústica da sala não foi pensada para isso. Numa obra para grande orquestra como a sinfonia de Braga Santos, em que os metais e a percussão têm um peso quase predominante, o som torna-se ensurdecedor. Imagine-se a ouvir a dita sinfonia na sua salinha com o volume da aparelhagem no máximo e perceberá a ideia. Tirando isso, parabéns aos músicos da Orquestra Sinfónica Portuguesa.

8.2.13

A OSP Na Outra Margem


Ainda a propósito dos 20 anos da Orquestra Sinfónica Portuguesa, Irene Lima e Pedro Wallenstein conversaram com Manuela Paraíso (Na Outra Margem) e reflectiram sobre várias questões relacionadas com a OSP, o Teatro de São Carlos e o programa comemorativo que vai tendo lugar ao longo do mês de Fevereiro.

(Músicos da OSP no Facebook)

A ouvir:

7.2.13

"Experts identify new Mozart portrait"

(Via artdaily.org)

 A ouvir: Maria João Pires com a Orquestra Gulbenkian, dirigida por Theodor Guschlbauer, em 1973.


3.2.13

Elisabete Matos nos 20 anos da OSP

Johannes Stert com a OSP
A Orquestra Sinfónica Portuguesa está de parabéns. Ontem mostrou mais uma vez que tem amadurecido muito bem ao longo dos vinte anos de existência e que se encontra em grande forma. A Orquestra e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos, quando têm a casa cheia e estão a fazer aquilo de que gostam mesmo e que é a sua razão de ser - Ópera e concertos de qualidade -, puxam pelos galões e mostram o que valem. Principalmente quando têm de acompanhar solistas de grande nível e com quem têm desenvolvido uma relação privilegiada. Nos últimos anos, noites verdadeira- mente gloriosas em São Carlos foram as das récitas de "Tosca" e de "Don Carlo" e as dos concertos que contaram com a presença de Elisabete Matos. É por isso natural que se sinta no Teatro o entusiasmo contagiante quando se sabe que Elisabete Matos vem cá. E é também natural que a Orquestra tenha convidado Elisabete Matos para o primeiro concerto comemorativo dos seus vinte anos.

Elisabete Matos com o Coro do TNSC (fotos © Hardmusica)


Cabe agora mencionar alguns dos momentos que mais me emocionaram no concerto de ontem, que teve a direcção musical de Johannes Stert, e que foram Ernani, Ernani involami (ária e cabaleta de Elvira), Patria oppressa (coro dos escoceses refugiados, de "Macbeth"), Ecco l'orrido campo... Ma dall'arido stelo divulsa (cena e ária de Amelia, de "Un Ballo in Maschera") e todo o final dedicado a Wagner: Schläfst du, Gast e Du bist der Lenz (Sieglinde) e, de "Tannhäuser", Dich, teure Halle e Freudig begrüssen (coro dos convidados).

Da orquestra apetece-me destacar a qualidade da percussão e dos metais, que noutros tempos foram o seu elo mais fraco. Estiveram excelentes no prelúdio do III acto de "Lohengrin".
Foram também impressionantes os gritos do coro, Peter Grimes, Peter Grimes, no final de Who holds himself apart, um reportório ao qual não está habituado - e que poderá fazer pouco sentido num concerto em que a solista canta Verdi e Wagner -, mas que provou estar apto a assumir.

Em resumo, um concerto de alto nível, com a sala esgotada, que só não estava mais cheia porque foi construído um palco para a orquestra que ocupa quase metade da plateia. O caríssimo Senhor Martin André já terá percebido que muitos dos concertos que programa não vendem, porém se os convidados são Elisabete Matos ou Artur Pizarro (já no próximo Sábado), a casa enche e todos os lugares são poucos? Com que justificação se pode impedir o Teatro de vender cerca de 250 lugares por concerto? Qual é a lógica de colocar os cantores no meio da sala, com graves prejuízos para eles e para o público em termos acústicos, como aconteceu na interpretação de Os Sinos de Rachmaninov no dia 26 de Janeiro? Elisabete Matos optou por cantar junto do coro, atrás da orquestra, no sítio onde se supõe que os cantores cantem, que é o palco do Teatro. E esteve magnífica. Só não é justo ter de competir com o volume sonoro de uma orquestra que inunda um teatro inteiro. Ainda assim, como a sua voz tem o tamanho que se sabe, impôs-se e foi um gosto e um privilégio ouvi-la. Tão depressa não a teremos por cá.

No final do ensaio geral, Elisabete Matos deu uma curta entrevista a Jorge Rodrigues para a página dos Músicos da OSP no Facebook. Ei-la:


26.1.13

Temporada


Informa o Público que foi anunciada ontem uma temporada de Ópera no Teatro de São Carlos, a acontecer entre 10 de Abril e 11 de Maio. Comemora-se o bicentenário de Verdi com a sua trilogia - "Il trovatore", "La Traviata" e "Rigoletto" -, mas diz que não há dinheiro para mais e Wagner fica de fora. Para já, foram adiantados os nomes de três cantores: Agostina Smimmero, Giovanni Furlanetto e Joana Seara.

Grace Bumbry na Ópera de Viena

Em Viena pode-se ir à Ópera todas as noites por três ou quatro euros. Oitenta minutos antes do início das récitas começa a venda dos lugares de pé, situados ao fundo da plateia, no balcão e na galeria. Porém, não se assuste o leitor: os Stehplätze estão munidos de suportes à altura dos cotovelos, pelo que o problema maior poderá não ser virem a doer-lhe as cruzes, mas, sim, começar a sentir as pernas derreadas. Alguns clientes habituais da Staatsoper é o que fazem, assim como turistas acidentais que debandam à primeira oportunidade, após terem recheado as máquinas fotográficas com as suas caras à frente das vistas do interior da Ópera de Viena.
Foi assim que me surgiu a oportunidade rara de ver A Dama de Espadas de Tchaikovsky. Rara porque a ópera não é frequentemente apresentada, e raríssima porque a Condessa era Grace Bumbry. Marina Poplavskaya já fora substituída (por motivo de doença) por Hasmik Papian no papel de Lisa e Neil Shicoff também foi substituído na récita de 19 de Janeiro por Marian Talaba. Tratava-se da reposição da encenação que se vê lá em baixo, de Vera Nemirova, mas agora com a estreia do nosso conhecido maestro Marko Letonja na Ópera de Viena.

©
A presença e a voz de Grace Bumbry valeram a noite. Não há como negar que as suas entradas em cena ofuscavam todos à sua volta e faziam-nos esquecer que a produção não era bonita e tinha pouco interesse. Foi ela quem recebeu os maiores aplausos da noite. Muitos dos que lá estavam, quando forem velhinhos, poderão dizer que ainda ouviram Grace Bumbry ao vivo.



"Pique Dame" (em Bildergalerie há mais.)

25.1.13

Nabucco em Viena

Se não gostam de música, por que é que encenam Ópera?
Esta é a questão que me tem ocupado os dias. E ainda: se encontrarem por aí um tal de Günter Krämer, dêem-lhe uns açoites por mim. Posso estar a chover um bocadinho no molhado, que o tema dos encenadores já devia ter dado o que tinha a dar, contudo o que aquele senhor fez não se faz. Mesmo dando de barato que as actualizações são um dado adquirido e que é cada vez mais difícil fugir delas, até na ainda há pouco tempo conservadora Ópera de Viena, se se roubar a "Nabucco" o carácter histórico-bíblico, deixa de haver "Nabucco". Pior ainda quando se corta a repetição das cabaletas de Abigaille e de Nabucco. Se o que se vê não faz sentido, também a música e os cantores saem prejudicados pela vontade ditatorial do tal senhor. Quando estamos preparados para que Elisabete Matos repita o seu resplendente Salgo già del trono aurato, vem o corte. Não é justo. E isto acontece porquê? Porque, apesar de se tratar de uma reposição, a produção original saiu assim da cabeça do senhor que manda.

Dito isto, o elenco foi como segue:

Jesús López-Cobos | Maestro
Andrzej Dobber | Nabucco
Elisabete Matos | Abigaille
Michele Pertusi | Zaccaria
Dimitrios Flemotomos | Ismaele
Monika Bohinec | Fenena
Simina Ivan | Anna
Janusz Monarcha | Oberpriester des Baal
Jinxu Xiahou | Abdallo

Apesar de nem todos os cantores terem estado à altura do que se espera de um "Nabucco" na Ópera de Viena, houve a orquestra, houve López-Cobos, o excelente Zaccaria de Pertusi e a brilhante estreia de Elisabete Matos na Wiener Staatsoper. No final das récitas lá estavam os admiradores à espera dos autógrafos, expressando o desejo de que Elisabete Matos regresse a Viena, alguns empunhando fotografias impressas a partir de imagens como esta (para a próxima tentarei não me esquecer de cobrar os direitos de autor).

"Nabucco" na Ópera de Viena (Bildergalerie)

Jardim Botânico de Coimbra

"Consequência do temporal que assolou o País, o Jardim Botânico de Coimbra encontra-se encerrado ao público por razões de segurança! É uma pequena tragédia, sobretudo porque há árvores centenárias que caíram... A Terra Líquida esteve, há muito pouco tempo, a filmar este lindíssimo local. Existe a vontade comum de constituir uma parceria entre a Direcção do Botânico e a TLFilmes para produzir uma série de televisão - e este pequeno filme serve, basicamente, para apresentar o projecto a possíveis patrocinadores."

Ricardo Espírito Santo