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7.11.13

Aniversário #2

(©)

E parabéns à Grande Dame Gwyneth Jones, que nasceu há 77 anos numa terrinha no País de Gales chamada Pontnewynydd. Sem mais palavras.




8.10.13

Patrice Chéreau, 1944-2013

Ferruccio Furlanetto

Patrice Chéreau (© Libération)
De Chéreau, fica-me acima de tudo o mítico Anel de 1976/80 em Bayreuth e a Isolde de Waltraud Meier em Milão, mas também a extraordinária encenação que fez para a peça I am the Wind, que o Festival de Almada em boa hora mostrou. A busca da essência contra o espalhafato circense.
Chéreau faleceu ontem em Paris, vítima de cancro.




31.7.13

Do Anel de Bayreuth

Terminou há poucas horas a apresentação do primeiro ciclo do novo Anel de Bayreuth, o esperado Anel do Bicentenário, com aplausos estrondosos para o maestro Kirill Petrenko e a Orquestra do Festival e uma pateada monumental (mas monumental mesmo: durou longos minutos) para a equipa do engendrador Frank Castorf.
Sabe-se que o sonho húmido de Castorf, habituado a cortar e alterar os textos dos autores clássicos que encena na Volksbühne, em Berlim, era fazer o mesmo à obra de Richard Wagner, heresia que nem as tontas que o contrataram, as meias-irmãs Katharina Wagner e Eva Wagner-Pasquier (bisnetas do compositor), permitiram.

Fiquemos com uma pequena ideia do que foi este Anel: a cena final de "Siegfried", em que Brünnhilde é acordada pelo seu herói, canta loas ao Sol e à Luz, ambos descobrem o amor, e tudo isto se passa enquanto tomam um copo numa esplanada em Alexanderplatz. Talvez a ideia de Castorf fosse chocar o público (olha a novidade!), já que, resumindo as críticas que li e ouvi num debate após a transmissão de hoje (via Bayerischer Rundfunk), não conta uma história nova e limita-se a mostrar imagens disparatadas para entreter visualmente o espectador, descurando o trabalho com os cantores e a essência da obra, exactamente o oposto do que fazia Patrice Chéreau há quase quarenta anos.

Catherine Foster e Lance Ryan como Brünnhilde e Siegfried (© Bayreuther Festspiele/Enrico Nawrath)

O Intermezzo tem mais imagens: "Das Rheingold", "Die Walküre", "Siegfried", "Götterdämmerung".


21.5.13

Comemorações

(© arte)


Dois concertos comemorativos do bicentenário de Richard Wagner a ver em directo de Dresden e quase em directo de Bayreuth.
Hoje, às 20h00, Christian Thielemann e Jonas Kaufmann.
Amanhã, dia 22, às 21h25, novamente Christian Thielemann, mas com Eva-Maria Westbroek, Johan Botha e Kwangchul Youn.

26.7.12

Presas por ter cão

O Festival de Bayreuth abriu ontem, envolto numa triste polémica por conta de um assunto muito delicado. Não me refiro ao caso do vestido de Angela Merkel, mas sim à saída do cantor Yevgeny Nikitin do elenco de O Navio Fantasma a poucos dias da estreia.

Nikitin é - era? - um baixo-barítono muito solicitado pelos grandes teatros da Europa e dos Estados Unidos e tudo indicava que continuaria a sê-lo - veremos -, não fosse o caso de se ter descoberto que tem tatuados no peito vários símbolos rúnicos comummente associados à ideologia nazi. A suástica já não está lá, foi substituída por uma estrela com um emblema, porém o caldo já estava entornado. A imprensa alemã mostrou as imagens e as manas Wagner, que actualmente dirigem o Festival, reagiram, conversaram com Nikitin e tê-lo-ão convencido a retirar-se da produção (quem ganhou com isto foi Samuel Youn - o Wanderer do "Siegfried" de Graham Vick no Teatro de São Carlos -, que saltou rapidamente para o papel de Holandês em substituição de Nikitin).

Nikitin tem-se desfeito em explicações contraditórias e pouco convincentes, insistindo no facto de ter decorado a pele nos seus tempos de juventude, quando fazia parte de um grupo de música rock, e de se ter arrependido. No entanto, alguns símbolos foram tatuados recentemente.

Bref. As manas Wagner, por quem não nutro especial simpatia (parecem apostadas em destruir o Festival criado pelo bisavô, apresentando cada ano produções mais horríveis que as anteriores), viram-se metidas numa grande alhada e são agora criticadas e acusadas de querer mostrar uma atitude politicamente correcta ou branquear a imagem de Bayreuth. Mas se não tivessem cão, o que andaria por aí agora de ai Jesus que Bayreuth continua nas mãos dos nazis?

A abertura foi assim, com Christian Thielemann a dirigir a orquestra,
e o Joaquim deixa-nos ouvir mais alguns excertos do Holandês que ontem estreou.

Samuel Youn e Adrianne Pieczonka como Holandês e Senta

21.6.12

Hojotoho

Nos últimos dias, além do futebol, a exposição de Joana Vasconcelos em Versalhes tem dado bastante que falar (visita muito aconselhável). Das mais rasgadas loas às críticas mais ferozes, há de tudo. Em Le Figaro, para não irmos mais longe, encontramos três artigos que lhe são dedicados: 1, 2 e 3.

Pode-se gostar das obras de Joana Vasconcelos, ou não, ou de umas sim e de outras não. O que me parece muito o Portugal-dos-pequeninos do costume é o orgulho nacionalista exacerbado, por um lado, enquanto do outro lado da barricada os críticos demolem Joana Vasconcelos, a artista do regime. Sabemos que no futebol também é assim. Ora somos os maiores, ora Cristiano Ronaldo é uma fraude e José Mourinho não é tão bom como se apregoa por aí. A regra da pequenez repete-se e aplica-se quando se trata de pintores, de escritores, de músicos, de quase tudo e todos. Por muito sucesso que se tenha, nunca se é suficientemente bom, principalmente aos olhos de quem não é ninguém, nem nunca será.


Pérola de forma irregular

Lembra-nos muito bem o artdaily.org que o termo "Barroco" é de origem portuguesa. E barrocas são também as valquírias de Joana Vasconcelos, as douradas mais que as outras.

The work of Joana Vasconcelos can only resonate with the duality of the Versailles project itself, this ambivalence between the classical and the baroque styles made explicit by Louis Marin. Versailles is the result of a production, a construction that is at the same time real, symbolic and imaginary. “Imaginary” in that it reveals the “baroque”, fantastic and fanciful desire to show absolute power. There is a curious irony of history here if one remembers that the term “baroque” comes from the Portuguese “barroco” that means an irregularly shaped pearl.

"Valquíria Dourada" na Galeria das Batalhas (© artdaily.org)



























31.1.12

"The Life and Times of Max Lorenz"

É um documentário excelente e imperdível para quem se interessa por estas coisas da música, dos cantores e das suas relações com o poder.

Max Lorenz foi um ídolo de Hitler e de Bayreuth até quase cair em desgraça por ter ousado casar com uma mulher judia e por ter sido apanhado em flagrante com outro homem. Foi a influência de Winifred (viúva de Siegfried Wagner), que na época dirigia o Festival de Bayreuth, que levou o Führer a permitir que Lorenz continuasse a cantar no Festspielhaus. Winifred, nora de Richard Wagner, terá dito a Hitler que sem Max Lorenz o Festival não se fazia.
A sua insistência em aparecer em público acompanhado pela mulher era vista pelos nazis como uma provocação e foi graças à intervenção de Göring que ela e a mãe não foram levadas pela SS. Max Lorenz, gozando de um estatuto privilegiado, protegido de Göring, terá também impedido que vários amigos judeus fossem perseguidos.

6.1.11

Separar Águas

A Helena conta-nos uma história muito interessante e comovente a propósito de uma visita ao campo de concentração de Buchenwald.
Sobrevivente: "Ah, Wagner! Sabe, no campo de concentração havia altifalantes para os soldados darem as ordens aos prisioneiros. Uma vez, esqueceram-se de desligar o altifalante, e de repente ecoou por todo o campo a abertura do Navio Fantasma". Ah, que música genial!
Quando se aperceberam do que se estava a passar, correram a desligar o altifalante. Já foram tarde: eu estava feliz, porque tinha conseguido ouvir toda a abertura, tão inesperada naquele lugar. Na altura eu era muito novo, mas já me tinha começado a interessar por ópera, já apreciava Wagner.
(...)
Ide lá ler tudo.


Entretanto, o encenador da Tetralogia do bicentenário de Wagner em Bayreuth (2013) pode vir a ser Wim Wenders.

30.11.10

Peter Hofmann (1944-2010)

Em 1976, na produção de Patrice Chéreau para a comemoração do centenário d'O Anel do Nibelungo, em Bayreuth,  coube a Peter Hofmann o papel de Siegmund (em "Die Walküre"). Ainda em Bayreuth interpretou Parsifal, Lohengrin e Tristan, mas a sua carreira de tenor heróico não seria longa. Nos anos 1980/90, Peter Hofmann passou por vários géneros mais ligeiros, incluindo o rock e o teatro musical, e terminou oficialmente a carreira em 2004.
Os últimos anos da sua vida foram acompanhados pela doença de Parkinson, pela pobreza e pelas pensões sociais (segundo um artigo em Der Tagesspiegel de 2006). Faleceu na noite passada.





2.1.08

O Despertar de Brünnhilde - "Heil dir, Sonne!"

Acordar

Acordar assim. Para o dia, ou para o ano, mesmo que um e outro comecem com chuva. Saudar o Sol, a luz, os deuses e o mundo.


BRÜNNHILDE
Heil dir, Sonne!
Heil dir, Licht!
Heil dir, leuchtender Tag!
Lang war mein Schlaf;
ich bin erwacht.
Wer ist der Held, der mich erweckt'?
Salve, Sol!
Salve, Luz!
Salve, dia glorioso!
O meu sono foi longo;
acordei.
Quem é o herói que me acordou?
SIEGFRIED
(von ihrem Blicke und ihrer Stimme
feierlich ergriffen, steht wie festgebannt)
Durch das Feuer drang ich,
das den Fels umbrann;
ich erbrach dir den festen Helm:
Siegfried bin ich, der dich erweckt'.

(impressionado com o olhar e a voz de Brünnhilde,
fica petrificado)
Penetrei o fogo
que arde em torno do rochedo;
livrei-te do sólido elmo:
O meu nome é Siegfried. Fui eu quem te acordou.
BRÜNNHILDE
(hoch aufgerichtet sitzend)
Heil euch, Götter!
Heil dir, Welt!
Heil dir, prangende Erde!
Zu End' ist nun mein Schlaf;
erwacht, seh' ich:
Siegfried ist es, der mich erweckt!

(sentando-se)
Salve, Deuses!
Salve, Mundo!
Salve, Terra brilhante!
O meu sono chegou ao fim;
acordada, vejo:
Foi Siegfried quem me acordou!


SIEGFRIED
(in erhabenste Verzückung ausbrechend)
O Heil der Mutter, die mich gebar;
Heil der Erde, die mich genährt!
Daß ich das Aug' erschaut,
das jetzt mir Seligem lacht!

(irrompendo num arrebatamento sublime)
Salve, ó Mãe, que me deu à luz!
Salve, ó Terra, que me alimentou!
Para eu ver, feliz,
estes olhos que me riem!
BRÜNNHILDE
(mit größter Bewegtheit)
O Heil der Mutter, die dich gebar!
Heil der Erde, die dich genährt!
Nur dein Blick durfte mich schau'n,
erwachen durft' ich nur dir!

(com grande comoção)
Salve, ó Mãe, que te deu à luz!
Salve, ó Terra, que te alimentou!
Só o teu olhar me poderia ver,
Só para ti poderia acordar!
(Beide bleiben voll strahlenden Entzückens
in ihren gegenseitigen Anblick verloren)
O Siegfried! Siegfried! Seliger Held!
Du Wecker des Lebens, siegendes Licht!
O wüßtest du, Lust der Welt,
wie ich dich je geliebt!
Du warst mein Sinnen,
mein Sorgen du!
Dich Zarten nährt' ich,
noch eh' du gezeugt;
noch eh' du geboren,
barg dich mein Schild:
so lang' lieb' ich dich, Siegfried!
(...)

(ambos ficam num encanto resplandecente,
perdidos no olhar um do outro)
Ó Siegfried! Siegfried! Herói bem-aventurado!
Tu acordas a vida, luz vitoriosa!
Se tu soubesses, alegria do mundo,
como eu sempre te amei!
Tu eras o meu pensamento,
a minha inquietação eras tu!
Cuidei de ti,
antes de o sentires.
Antes de nasceres,
protegeu-te o meu escudo.
Amo-te há todo este tempo, Siegfried!
(...)


(Brünnhilde também acorda aqui.)

14.12.07

O "Ring" de Keilberth


Um monumento.
Gravado em Bayreuth em 1955, ficou guardado numa gaveta até ser editado pela Testament em 2006. Foi utilizada a melhor tecnologia da época para registar "Der Ring des Nibelungen" em som estereofónico e o resultado é verdadeiramente extraordinário. Joseph Keilberth dirigia o coro e a orquestra do Festival de Bayreuth. Astrid Varnay e Wolfgang Windgassen eram Brünnhilde e Siegfried. Os gémeos Sieglinde e Siegmund eram Gré Brouwenstijn e Ramón Vinay. Hans Hotter cantava o deus Wotan.

A edição é muito cuidada e vem ilustrada com fotografias da encenação de Wieland Wagner, neto do compositor e responsável pela renovação de Bayreuth no período pós-guerra. (Também já saiu a versão económica.)

Eis uma pequena amostra: a Morte de Siegfried e a marcha fúnebre que se lhe segue. Perto do final de "Götterdämmerung" (Crepúsculo dos Deuses), Siegfried é morto por Hagen, cumprindo-se mais uma vez a maldição do anel. Siegfried recorda o momento em que acordou Brünnhilde com um beijo e despede-se da vida. A marcha fúnebre é um desfile dos principais motivos musicais "condutores" (Leitmotive) da tetralogia.


SIEGFRIED

Brünnhilde! Heilige Braut!
Wach' auf! Öffne dein Auge!
Wer verschloss dich wieder in Schlaf?
Wer band dich in Schlummer so bang?
Der Wecker kam; er küsst dich wach,
und aber, der Braut bricht er die Bande:
da lacht ihm Brünnhildes Lust!
Ach! Dieses Auge, ewig nun offen!
Ach, dieses Atems wonniges Wehen!
Süsses Vergehen,
seliges Grauen.
Brünnhild' bietet mir Gruss!

SIEGFRIED

Brünnhilde! Noiva sagrada!
Acorda! Abre os teus olhos!
Quem te forçou de novo a dormir?
Quem te encerrou neste sono assustador?
Chegou o que te vai acordar, com um beijo,
e libertar a noiva dos grilhões.
A alegria de Brünnhilde sorri-lhe!
Ah! Estes olhos, agora abertos para sempre!
Ah! Esta respiração maravilhosa!
Feliz agonia,
Doce Sofrimento.
Brünnhilde saúda-me!










6.6.07

Ode à Primavera - Winterstürme

No primeiro acto de "A Valquíria", Siegmund e Sieglinde, gémeos sem o saberem, conhecem-se e apaixonam-se. Wagner recorreu à mitologia nórdica para compor "O Anel do Nibelungo" e fez, aqui, uma alegoria aos amores proibidos. A Primavera liberta o Amor, seu irmão, tal como Siegmund liberta Sieglinde, presa a um marido aterrorizador.
O libreto original é de Richard Wagner.
A produção é de Patrice Chéreau (1976, Bayreuth), Peter Hofmann e Jeannine Altmeyer são os gémeos e Pierre Boulez dirige.

Siegmund:
Winterstürme wichen dem Wonnemond,
in mildem Lichte leuchtet der Lenz;
auf linden Lüften leicht und lieblich,
Wunder webend er sich wiegt;
durch Wald und Auen weht sein Atem,
weit geöffnet lacht sein Aug'.
Aus sel'ger Vöglein Sange süss er tönt,
holde Düfte haucht er aus;
seinem warmen Blut entblühen wonnige Blumen,
Keim und Spross entspringt seiner Kraft.
Mit zarter Waffen Zier bezwingt er die Welt;
Winter und Sturm wichen der starken Wehr:
wohl musste den tapfern Streichen
die strenge Türe auch weichen,
die trotzig und starr uns trennte von ihm.
Zu seiner Schwester schwang er sich her;
die Liebe lockte den Lenz:
in unsrem Busen barg sie sich tief;
nun lacht sie selig dem Licht.
Die bräutliche Schwester befreite der Bruder;
zertrümmert liegt, was je sie getrennt;
jauchzend grüsst sich das junge Paar:
vereint sind Liebe und Lenz!

Sieglinde:
Du bist der Lenz, nach dem ich verlangte
in frostigen Winters Frist.
Dich grüsste mein Herz mit heiligem Grau'n,
als dein Blick zuerst mir erblühte.
Fremdes nur sah ich von je, freundlos war mir das Nahe;
als hätt' ich nie es gekannt, war, was immer mir kam.
Doch dich kannt' ich deutlich und klar:
als mein Auge dich sah, warst du mein Eigen;
was im Busen ich barg, was ich bin,
hell wie der Tag taucht' es mir auf,
wie tönender Schall schlug's an mein Ohr,
als in frostig öder Fremde zuerst ich den Freund ersah.


Siegmund:
As tempestades do Inverno cederam ao mês de Maio,
a Primavera brilha com luz suave.
Embalada pela brisa, leve e graciosa,
ela tece os seus milagres.
O seu sopro corre por florestas e prados,
os olhos sorriem bem abertos.
Soa docemente no canto dos pássaros,
exalando um perfume fresco.
Do seu sangue quente nascem flores maravilhosas,
botões e rebentos brotam pelo seu poder.
Domina o mundo com a arma da beleza.
O Inverno e a tempestade cedem ao seu ataque;
também a porta que teimosamente nos separava dela
não resistiu aos seus golpes corajosos.
Para o irmão ela veio correndo,
o Amor chamou a Primavera.
Ele, que andava escondido dentro de nós,
agora ri, feliz perante a luz.
A irmã e noiva libertou o irmão,
ruiu tudo o que os separava.
O jovem casal saúda-se em êxtase,
estão unidos o Amor e a Primavera!

Sieglinde:
Tu és a Primavera, que eu tanto desejava
no tempo das geadas.
O meu coração saudou-te, com um tremor divino,
quando o teu olhar me tocou.
Vivia rodeada de estranhos, sem amigos,
como se não conhecesse nada.
Mas, a ti, reconheci-te claramente:
quando os meus olhos te viram, soube que eras meu.
Tudo o que escondia dentro de mim, tudo o que sou,
tonou-se límpido como o dia,
soou-me no ouvido como um trovão,
quando vi pela primeira vez um amigo
neste sítio inóspito e gelado.
(...)


16.3.07

Die Walküre - acto I

Ele é Peter Hofmann, ela é Jeannine Altmeyer (uma vez foi Brünnhilde em São Carlos). Siegmund e Sieglinde, o par de gémeos apaixonados, no final do I acto de "A Valquíria". Como deve ser. Ainda Bayreuth, Chéreau e Boulez a dirigir.

Götterdämmerung

Na cena final do "Crepúsculo dos Deuses" volta a haver fogo mágico. Gwyneth Jones "incendiou" Bayreuth. É um pedaço da melhor música que alguém alguma vez compôs.

Fogo mágico em Bayreuth

CENA FINAL DE "A VALQUÍRIA"
Brünnhilde era Gwyneth Jones e Wotan era Donald McIntyre. Patrice Chéreau encenou e decidiu que quando Brünnhilde adormece nos braços do pai, tem mesmo de haver fogo mágico.

WOTAN (Wotans Abschied)
Leb' wohl, du kühnes, herrliches Kind!
Du meines Herzens heiligster Stolz!
Leb' wohl! Leb' wohl! Leb' wohl!
Muss ich dich meiden,
und darf nicht minnig
mein Gruss dich mehr grüssen;
sollst du nun nicht mehr neben mir reiten,
noch Met beim Mahl mir reichen;
muss ich verlieren dich, die ich liebe,
du lachende Lust meines Auges:
ein bräutliches Feuer soll dir nun brennen,
wie nie einer Braut es gebrannt!
Flammende Glut umglühe den Fels;
mit zehrenden Schrecken
scheuch' es den Zagen;
der Feige fliehe Brünnhildes Fels!
Denn einer nur freie die Braut,
der freier als ich, der Gott!

Der Augen leuchtendes Paar,
das oft ich lächelnd gekost,
wenn Kampfeslust ein Kuss dir lohnte,
wenn kindisch lallend der Helden Lob
von holden Lippen dir floss:
dieser Augen strahlendes Paar,
das oft im Sturm mir geglänzt,
wenn Hoffnungssehnen das Herz mir sengte,
nach Weltenwonne mein Wunsch verlangte
aus wild webendem Bangen:
zum letztenmal
letz' es mich heut'
mit des Lebewohles letztem Kuss!
Dem glücklichen Manne
glänze sein Stern:
dem unseligen Ew'gen
muss es scheidend sich schliessen.
Denn so kehrt der Gott sich dir ab,
so küsst er die Gottheit von dir!



(gabrilu06)

Wotan
Adeus, minha criança temerária e magnífica!
Tu, o orgulho sagrado do meu coração!
Adeus! Adeus! Adeus!
Tenho de te abandonar
e não voltarei a dar-te, com amor, a saudação.
Não tornarás a cavalgar a meu lado,
nem me trarás mais o hidromel.
Tenho de te perder, a ti, que eu amo,
tu, a alegria dos meus olhos.
Que arda aqui um fogo nupcial,
como nunca ardeu antes!
Que as chamas incandescentes incendeiem o rochedo
e com o seu terror afastem os medrosos.
Que os cobardes fujam do rochedo de Brünnhilde!
Só um libertará a noiva,
o que for mais livre que eu, o Deus!

Este par de olhos brilhantes,
que tantas vezes acariciei,
quando a tua valentia merecia um beijo,
quando um louvor aos heróis
fluía dos teus lábios de criança;
Este par de olhos luminosos,
que nas tempestades me sorria,
quando o desespero me consomia o coração,
quando o meu desejo procurava os prazeres do mundo
por caminhos tortuosos;
Que uma última vez eu os possa beijar,
com o último beijo do adeus!
Que ao homem feliz brilhe a sua estrela,
para o infeliz imortal ela apaga-se.
Assim se afasta o Deus de ti,
roubando-te a divindade com este beijo!

Loge, hör'! Lausche hieher!
Wie zuerst ich dich fand, als feurige Glut,
wie dann einst du mir schwandest,
als schweifende Lohe;
wie ich dich band, bann ich dich heut'!
Herauf, wabernde Lohe,
umlodre mir feurig den Fels!
Loge! Loge! Hieher!
Wer meines Speeres Spitze fürchtet,
durchschreite das Feuer nie!



(TheChromiumDragon)

Loge, ouve! Aparece!
Como te vi pela primeira vez, como labareda,
como uma vez me desapareceste,
chama ardente.
Porque te submeti, agora te invoco!
Sobe, chama mágica,
Envolve o rochedo de fogo!
Loge! Loge! Aqui!
Aquele que temer a ponta da minha lança
jamais atravessará este fogo!