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22.5.12

Parabéns, Herr Wagner

Richard Wagner por Franz von Lenbach (antes de 1895), na Alte Nationalgalerie, Berlim

Wilhelm Richard Wagner nasceu em Leipzig há exactamente 199 anos. Para comemorar o aniversário lembrei-me das sessões da célebre gravação do Anel por Sir Georg Solti, com a presença de, entre outros, Birgit Nilsson, Fischer-Dieskau e Wolfgang Windgassen.
Aqui ficam dois excertos e, a seguir, para quem lhe tomar o gosto, o documentário "The Golden Ring" completo, em sete bocados. Foi em Viena, em 1964.



20.5.12

De Bach a Britten

Através da Helena cheguei ao excerto de um documentário que nos mostra Fischer-Dieskau cantando e falando sobre Bach e Britten,


o qual me levou a um outro vídeo em que ele canta Welt, ade, ich bin dein müde (Mundo, adeus, estou cansado de ti). O Bach de Fischer-Dieskau, tão fora de moda, maravilhoso.

Boa Viagem

"Winterreise", por Fischer-Dieskau e Alfred Brendel:

19.5.12

Morreu o Cantor




A morte de Dietrich Fischer-Dieskau, há muito temida, aconteceu. Para mim foi o mais completo cantor da segunda metade do século XX, e consequentemente um dos mais importantes da história. Estou, absolutamente, de luto.

A sua voz de um poder imenso e de uma maleabilidade única, o seu preciosíssimo rigor musical e a absoluta entrega dramática e emocional foram postos ao serviço de um repertório absolutamente avassalador – de Monteverdi a Schnittke, com todo o Bach, todo o Mozart, todo o Wagner, todo o Strauss, muitíssimo Verdi e tantos, tantos italianos, no que diz respeito a ópera e a repertório sinfónico de concerto. Quanto ao universo do “lied” e da “mélodie” é verdadeiramente assombrosa a quantidade de obras que interpretou e imediatamente guindou a leituras modelares.

A sua morte é tanto mais inaceitável porque ele era o cantor imortal – a sua voz coexistiu, de facto, com as de Flagstad, Nilsson, Schwarzkopf, Seefried, Ludwig, Stich-Randall, Rysanek, Callas, Tebaldi, Di Stefano, Corelli, Bergonzi, Bastianini, Wunderlich, Domingo, Kraus, Pavarotti… e, no meio destes, conseguiu reinar durante décadas. Que tempos! Que gloriosos tempos!

Dúvidas? Ouça-se Fischer-Dieskau no “Wandrers Nachtlied I” de Schubert – na gravação com Jörg Demus! – e no Monólogo de Amfortas na gravação dirigida por Solti.

Depois, só resta chorar.

Jorge Rodrigues

Wandrers Nachtlied I D 224 by Fischer-Dieskau/demus on Grooveshark

18.5.12

Dietrich Fischer-Dieskau

O Mundo ficou hoje mais pobre. Julia Varady anunciou a morte do marido, Dietrich Fischer-Dieskau, quando faltavam poucos dias para comemorar 87 anos.


17.5.10

Matthias Goerne - "Schwanengesang"



O país pára para ver o último episódio da "Gabriela", quando há finais que envolvam a Selecção Nacional e para assistir à Conversa em Família. Imagino que seja essa a razão pela qual ainda há tantos bilhetes disponíveis para o último recital do ciclo de Schubert que Matthias Goerne trouxe à Gulbenkian. Hoje, antes de "Schwanengesang", poderemos ouvir também "An die ferne Geliebte", de Beethoven.
Schubert compôs as canções de "Schwanengesang" poucas semanas antes de falecer, em 1828, e não é certo que as entendesse como um ciclo, ao contrário de Viagem de Inverno e A Bela Moleira, cujos poemas seguem uma narrativa. No entanto, o conjunto das suas últimas canções foi publicado com o título Canto do Cisne e faz sentido apresentá-lo como se de um ciclo, ou de um testamento, se tratasse.
O Canto do Cisne termina* com um poema de Heinrich Heine, aqui na voz de Fischer-Dieskau, um dos mestres de Goerne:


O Sósia

A noite está calma, as ruas tranquilas,
Naquela casa morava o meu amor;
Há muito que ela abandonou a cidade,
Mas a casa permanece no seu lugar.

Está também ali um homem, fitando o alto
E torcendo as mãos no desespero da dor.
Que horror sinto ao ver o seu rosto -
A Lua revela-me o meu próprio vulto.

Oh! Meu sósia, pálido companheiro!
Por que imitas o desgosto de amor
Que me atormentou neste lugar,
Tantas noites, em tempos passados?

(Tradução de Maria Fernanda Cidrais, no programa de sala)

*"Die Taubenpost" é a última canção composta por Schubert, mas não integra a primeira edição de "Schwanengesang".

7.3.10

A Compensação da Insistência

A lotação da Sala Suggia estava esgotada havia, pelo menos, vários dias. Sábado, 6 de Março, a Orquestra Nacional do Porto (ONP), o Coro Gulbenkian, Lisa Milne e Birgit Remmert, todos dirigidos por Christoph König, iam tocar e cantar a Sinfonia nº 2, "Ressurreição", de Mahler. A Áustria é o país tema na temporada de 2010 e a orquestra tem um projecto ambicioso: a apresentação integral das sinfonias de Gustav Mahler, a prolongar-se por 2011.

Inquirindo na bilheteira se por acaso alguém teria desistido, a resposta era negativa. Nada. Muito bem, tente-se mais tarde. E mais tarde provou-se que há pessoas boas: faltavam poucos minutos para as 6 da tarde e alguém apareceu com uns milagrosos bilhetes de que não necessitava.

A casa veio a baixo. Deu gosto ver o jovem maestro titular da ONP a dirigi-la com energia e decisão e ouvir a resposta vigorosa dos músicos. De Birgit Remmert só esperava um pouco mais de volume na voz. Lá para as últimas filas o seu Urlicht soou a pouco.

O Sermão de Santo António aos Peixes ("Des Antonius von Padua Fischpredigt"), composto por Mahler na mesma época, serviu de base ao terceiro andamento, Scherzo, da Ressurreição.



Dietrich Fischer-Dieskau com Wolfgang Sawallisch





O
Scherzo, seguido de Urlicht, pela Orquestra Sinfónica de Londres, com Leonard Bernstein e Janet Baker

12.1.10

Viagens de Inverno I

A Viagem de Inverno de Schubert acaba assim, nesta melancolia gelada, como se a Primavera nunca mais voltasse.
Neste Janeiro, para não nos esquecermos dos rigores, Lisboa oferece duas "Winterreisen" em dois dias seguidos. A 16, no CCB, o tenor Rufus Müller será acompanhado por Maria João Pires. A 17, na Gulbenkian, Christoph Prégardien apresentará uma versão diferente, arranjada por Hans Zender para orquestra de câmara em 1993. Prégardien será acompanhado pelo Remix Ensemble, com direcção de Peter Rundel.



Depois de Lisboa, Maria João Pires seguirá para Portimão, onde voltará a interpretar, a 17, "Winterreise" com Rufus Müller. A agenda da pianista dá-nos conta da tournée com a Orquestra Sinfónica de Londres e Sir John Eliot Gardiner, que passará por Basingstoke, Lisboa, Madrid, Paris, Estugarda, Amesterdão e Londres. Em Lisboa será no dia 26 de Janeiro, no Coliseu dos Recreios.

28.5.09

Parabéns, Fischer-Dieskau


Dietrich Fischer-Dieskau faz hoje 84 anos.
(Obrigado, Maria Helena.)


(oakroom48)
Auf dem Wasser zu singen

Mitten im Schimmer der spiegelnden Wellen
Gleitet, wie Schwäne, der wankende Kahn:
Ach, auf der Freude sanftschimmernden Wellen
Gleitet die Seele dahin wie der Kahn;
Denn von dem Himmel herab auf die Wellen
Tanzet das Abendrot rund um den Kahn.

Über den Wipfeln des westlichen Haines
Winket uns freundlich der rötliche Schein;
Unter den Zweigen des östlichen Haines
Säuselt der Kalmus im rötlichen Schein;
Freude des Himmels und Ruhe des Haines
Atmet die Seele im errötenden Schein.

Ach, es entschwindet mit tauigem Flügel
Mir auf den wiegenden Wellen die Zeit;
Morgen entschwinde mit schimmerndem Flügel
Wieder wie gestern und heute die Zeit,
Bis ich auf höherem strahlendem Flügel
Selber entschwinde der wechselnden Zeit.

(Friedrich Leopold zu Stolberg-Stolberg/Franz Schubert)

(Versão do poema em Inglês disponível aqui)

18.5.07

Fischer-Dieskau - Schubert - Der Lindenbaum

A Tília

Hans Baluschek pintou (1870-1935)


















Dedico este "post" ao Jorge Rodrigues e ao Ritornello, que a Antena 2 resolveu retirar da programação.
Dietrich Fischer-Dieskau canta Der Lindenbaum, do ciclo de canções "Winterreise" (Viagem de Inverno), composto por Schubert a partir de poemas de Wilhelm Müller.
Como diz o Jorge Rodrigues, "apertem os cintos". O Ritornello era um dos melhores programas de divulgação de músicos e de músicas, ouvido todos os dias por muita gente durante o regresso a casa, entre as 6 e as 8 da tarde.



Der Lindenbaum

Am Brunnen vor dem Tore
Da steht ein Lindenbaum
Ich träumt in seinem Schatten
So manchen süßen Traum
Ich schnitt in seine Rinde
So manches liebe Wort
Es zog in Freud und Leide
Zu ihm mich immer fort

Ich musst auch heute wandern
Vorbei in tiefer Nacht
Da hab ich noch im Dunkeln
Die Augen zugemacht
Und seine Zweige rauschten
Als riefen sie mir zu
Komm her zu mir Geselle
Hier find'st du deine Ruh

Die kalten Winde bliesen
Mir grad ins Angesicht
Der Hut flog mir vom Kopfe
Ich wendete mich nicht
Nun bin ich manche Stunde
Entfernt von jenem Ort
Und immer hör ich's rauschen
Du fändest Ruhe dort


A Tília

Junto à fonte, perto do arco,
Encontra-se uma tília.
Sonhei, na sua sombra,
Um sonho doce.
No seu tronco,
Escrevi palavras de amor.
Alegre ou triste,
Sempre fui arrastado até ela.

Também hoje lá passei,
Durante a noite,
E mesmo na escuridão
Cerraram-se-me os olhos.
Os seus ramos sussurravam,
Como se me chamassem:
Vem até mim, companheiro.
Aqui, encontras o teu sossego.

Os ventos sopravam,
Gelavam-me o rosto.
O meu chapéu voou
Mas eu não me voltei.
Já estou há algum tempo
Longe daquele lugar.
E ainda ouço um sussurro:
Lá encontrarias o teu sossego.