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11.11.11

Un peu grise


A palavra a Glória Saraiva:


O Povo diz:
"Verão de São Martinho são três dias e mais um bocadinho",
relembrando o milagre que aconteceu depois de São Martinho ter socorrido um mendigo enregelado, cortando com a espada a sua capa em duas metades; o sol então terá brilhado como se o Verão tivesse retornado.
Diz ainda o Povo:
"Pelo São Martinho, castanhas assadas, pão e vinho".
Assim se assam castanhas, bebe-se jeropiga ou água-pé, e que melhor, num Magusto, do que a música para nossas tristezas espantar?
Aqui vos deixo a magnífica Elisabete, na interpretação da arietta da opereta "La Périchole", de Offenbach, que foi propositadamente embebedada:
Ah quel dîner je viens de faire

Ah! quel dîner je viens de faire!
Et quel vin extraordinaire!
J'en ai tant bu, mais tant tant tant,
Que je crois bien que maintenant
Je suis un peu grise. Mais chut!
Faut pas qu'on le dise! Chut!

Si ma parole est un peu vague.
Si tout en marchant je zigzague,
Et si mon oeil est égrillard.
Il ne faut s'en étonner, car...
Je suis un peu grise, mais chut!
Faut pas qu'on le dise! Chut!


La Brava Matos, que há poucas semanas cantou em São Carlos Élisabeth de Valois em "Don Carlo", de Verdi, com estrondoso êxito, soma e segue numa carreira cada vez mais internacional e reconhecida.
Pela segunda vez, e após a sua estreia com "La Fanciulla del West" há quase um ano, voltará a pisar as sagradas tábuas do Met de Nova Iorque, já no próximo dia 17 às 7:30 pm. Por cá, estaremos com cinco horas de avanço.

22.8.10

Quel grido #1

O caso estava mal parado. O dia de trabalho ia ser muito longo e nem eu já acreditava que ainda fosse possível conseguir. Foi um autêntico bafejo da sorte que me permitiu sair de Lisboa na companhia da T. e da S., apontarmos à abençoada A8 rumo a Óbidos e, aí, apanharmos um autocarro que nos deixou sãos, salvos e a horas no Braço do Bom Sucesso.
Dizer que o programa era aliciante é pouco. Elisabete Matos ia cantar algumas das árias mais exigentes do reportório dramático: Ambizioso spirto... Vieni t’affretta, Suicidio e In questa reggia, para mencionar apenas três. O ambiente estava muito bom. Muitos espectadores cobriam as pernas e a cabeça com as mantinhas que tinham levado de casa; não fazia propriamente frio, mas sentia-se a frescura da noite e a humidade que descia sobre a lagoa. Ainda assim, no intervalo pudemos apreciar um branco da região, bem fresquinho, em simpatiquíssima companhia. O veredicto foi de que ele sabia mesmo a uvas.
No final do concerto tivemos direito a mais alguns brindes: Meine Lippen, sie küssen so heiss, a divertida ária Je suis un peu grise e uma dedicatória a Teresa Berganza, que se ergueu na plateia e recebeu, também ela, um aplauso estrondoso. Ousado, sim, começar um concerto com L’amour est un oiseau rebelle quando na assistência se encontra Berganza, a Carmen.
Escusado será dizer que o concerto foi extraordinário. Na memória ficam a voz gloriosa de Elisabete Matos, as suas belíssimas interpretações e... ah! o grido estratosférico de Turandot.

4.8.10

VI Festival de Ópera de Óbidos


Está aí, com uma récita de "O Barbeiro de Sevilha" e outra de "La Bohème" (ambas na Cerca do Castelo).
A encerrar o evento, a 21 de Agosto, um concerto com Elisabete Matos e este programa:


  Primeira parte
  Georges Bizet - Carmen, Abertura
  Georges Bizet - Carmen, “L’amour est un oiseau rebelle”
  Giuseppe Verdi - La Forza del Destino, abertura
  Giuseppe Verdi - La Forza del Destino, “Pace, pace mio Dio”
  Giuseppe Verdi - Nabucco, “Va pensiero”
  Giuseppe Verdi - MacBeth,
“Ambizioso spirto... Vieni t’affretta”
  Pietro Mascagni - Cavalleria Rusticana, Intermezzo
  Pietro Mascagni - Cavalleria Rusticana,
“Inneggiamo, il Signor non è
  morto
”

  Segunda parte

  Giacomo Puccini - Suor Angelica, Intermezzo
  Giacomo Puccini - Tosca, “Vissi d’arte”
  Amilcare Ponchielli - Gioconda, “Suicidio!”
  Giacomo Puccini - Manon Lescaut, Intermezzo
  Giacomo Puccini - Edgar, “Addio mio dolce amor”
  Giacomo Puccini - Turandot, “In questa reggia”

  Elisabete Matos, soprano
  Orquestra do Norte
  Coro da Orquestra do Norte
  Jose Miguel Pérez Sierra, maestro


Será no Braço do Bom Sucesso, aonde se chega do seguinte modo:

Pode adquirir o seu bilhete online.

Elisabete Matos na cena final de "La Gioconda", de Ponchielli, em Tóquio (2009):

23.7.07

1.5.07

Óbidos, outra vez

1 - Glicínia com uma idade respeitável
2 - Abutilon megapotamicum
3 - Robinia pseudacacia
4 - Impatiens (prima da alegria-da-casa; obrigado, Isabel)
5 - Chelidonium majus (obrigado, Jardineira)








21.3.07

Árvores podadas

A saga das árvores podadas radicalmente continua. Todos os anos assistimos à triste figura que plátanos, tílias, jacarandás e outras pobres árvores se vêem obrigadas a fazer. Decepam-lhes os braços sem dó nem piedade, retirando-lhes toda a dignidade. Não consigo perceber por que sentem as pessoas tanto desdém, ou ódio, pela majestade das árvores. Medo da sombra?
Três fotos na Batalha. Na quarta, em Óbidos, já vemos os ramos jovens, com ar raquítico.
VIVA A PRIMAVERA!