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16.7.11

Bonne Soirée

Mais logo, pelas 20h30, Natalie Dessay estará no Théâtre de l'Archevêché, em Aix-en-Provence, como Violetta Valéry. "La Traviata" será transmitida em directo pelo canal ARTE e também pelo ARTE live WEB. Não podendo estar lá, é o que se arranja.

© Pascal Victor / ArtcomArt

20.3.11

Lucia, perdona - II

Natalie Dessay e Joseph Calleja como Lucia e Edgardo (©)
Diz a Io, e muito bem, que ouvimos ontem um tenor à antiga. Joseph Calleja, que nasceu em Malta em 1978, é um verdadeiro tenor lírico, de um timbre que nos transporta à primeira metade do século XX. O maestro Riccardo Chailly concorda connosco:


Logo na sua primeira entrada, Lucia, perdona, Calleja traz consigo reminiscências de Gigli e Björling.
Veja-se agora, neste pequeno excerto do dueto de Lucia e Edgardo no final do I acto, Verrano a te sull'aure, como a voz dele casa bem com a de Natalie:


"Lucia di Lammermoor" é uma daquelas óperas de que é impossível não gostar. A invenção melódica de Donizetti esteve inspirada do princípio ao fim da composição e deixou-nos momentos belíssimos como a ária Regnava nel silenzio, de Lucia, o sexteto Chi mi frena in tal momento?,  a cena da loucura ou a morte de Edgardo, que podemos ouvir já a seguir (com o alto patrocínio do Joaquim) tal como Calleja a cantou ontem no Met. Ide ao In Fernem Land ouvir mais e, em querendo, podeis descarregar a Lucia inteira.



Edgardo di Ravenswood está-lhe na massa do sangue. Veja-se como Calleja, então com 21 anos, cantou Tombe degli avi miei no Operalia de 1999:

Há dois tipos de Lucias. Um segue o modelo da grande Dame Joan, que nos deixava boquiabertos com a técnica e a vocalidade. Gruberová está nessa linha. O outro modelo foi definido anteriormente por Callas e é desse que Dessay mais se aproxima. O incomparável não pode ser comparado, mas Dessay disse algures que enquanto puder estar no palco dará sempre tudo o que tem para dar e, de facto, não se lhe pode apontar que alguma vez tenha sido uma mulher poupada. Dessay galvaniza, Dessay é completamente electrizante, mesmo quando os agudos já não lhe saem com a facilidade de outros tempos e a voz parece querer quebrar. E no entanto, cada nota é dada com uma intenção precisa, nem que a voz acabe por ser prejudicada em favor da expressividade. No final, mortos Lucia e Edgardo, algumas lágrimas teimavam em sair-nos dos olhos, que os nossos corações não são de pau, e ouviam-se aplausos na sala. Poucos, porém, não fosse o vizinho do lado reparar e passar a olhar-nos de lado.
Dito isto, a récita a que o Grande Auditório da Gulbenkian assistiu ontem em directo do Met foi memorável. Que o diga quem viu esta Lucia ao vivo.
ADENDA: A Gi também disse de sua justiça.

17.3.11

Lucia, perdona - I

Natalie Dessay como Lucia di Lammermoor
No próximo Sábado, Natalie Dessay cantará directamente de Nova Iorque para a Avenida de Berna. Como a bilheteira online nos diz que o evento se encontra esgotado, resta tentar a sorte.
A estreia da ópera "Lucia di Lammermoor", de Donizetti, baseada na novela "The Bride of Lammermor", de Walter Scott, deu-se no San Carlo de Nápoles em 1835. Durante muito tempo Lucia foi relegada para a prateleira das óperas que tinham como único interesse a possibilidade que davam às cantoras de demonstrar as suas capacidades técnicas. Até que Callas a desenterrou e, usando a coloratura como forma de expressão dramática e não como mera habilidade, lhe deu nova vida. Não será de mais lembrar a referência absoluta que é a célebre gravação de Berlim (1955), com Callas, Di Stefano e Karajan, como não se pode falar de Lucia sem que nos venham à memória as vozes de Joan Sutherland e de Alfredo Kraus, que estes ouvidos ouviram no velhinho Liceu de Barcelona.

Dessay retoma o papel que interpretou no Met em 2007. Foi assim, com harmónica de vidro e tudo:





12.2.10

"La Sonnambula" - Natalie Dessay

O canal medici.tv anuncia que transmitirá no dia 15 de Fevereiro, pelas 18h30 de Lisboa, "La Sonnambula", em directo da Ópera de Paris. A personagem de Amina será interpretada por Natalie Dessay, que podemos ver aqui cantando Oh se una volta sola... Ah non credea mirarti (Met, 2009).
Basta criar uma conta com o endereço de correio electrónico. É simples.

28.1.08

Natalie Dessay

Oh! quante volte
"I Capuleti e i Montecchi"
Bellini


(agnellodei)

Giulietta:
Oh! quante volte, oh quante
ti chiedo al ciel piangendo!
Con quale ardor t'attendo,
e inganno il mio desir!
Raggio del tuo sembiante
ah! parmi il brillar del giorno:
ah! l'aura che spira intorno
mi sembra un tuo sospir.


O novo disco de Natalie Dessay traz-nos árias de óperas italianas de Bellini, Donizetti e Verdi. No passado dia 22, o Théâtre des Champs-Élysées assistiu ao concerto de apresentação, com Evelino Pidò dirigindo o Concerto Köln. Do programa constavam árias de Maria Stuarda, I Puritani, Rigoletto e La Traviata. Extra-programa, ouviu-se ainda I Capuleti e i Montecchi e Lucia di Lammermoor. Quando Natalie cantou Spargi d'amaro pianto, levou o público ao verdadeiro delírio (ver aqui um pequeno excerto da cena da loucura de Lucia, no Met, em 2007).


Spargi d'amaro pianto
"Lucia di Lammermoor"
Donizetti (Met, 2007)


(FoxyGrandpa)

Lucia:
Spargi d'amaro pianto
il mio terrestre velo,
mentre lassù nel cielo
io pregherò per te.
Al giunger tuo soltanto
fia bello il ciel per me!
Ah si!