5.6.09

Argerich, Freire e Rachmaninov

Uma vez assisti a um recital de Martha Argerich e Nelson Freire na Gulbenkian, com um programa baseado em obras de Rachmaninov e Prokofiev.
Após o que deve ter sido um momento de desatenção do rapaz que virava as pautas da pianista, e como já não havia meio de voltarem a entender-se, Argerich decidiu dispensar os serviços dele e começou ela própria a tratar do assunto. As suas mãos não paravam e ela, com fúria de leoa, contagiava o público com intensidade crescente até ao clímax. Disse-me a Antena 2 há pouco que ela faz hoje anos. Parabéns, Martha Argerich.

(BixiaYuanjin)

Breves:
O recital de Thomas Hampson na Gulbenkian não foi muito bom. Foi memorável.
Do "Don Giovanni" em cena no Teatro Nacional de São Carlos não me apetece falar.

28.5.09

Parabéns, Fischer-Dieskau


Dietrich Fischer-Dieskau faz hoje 84 anos.
(Obrigado, Maria Helena.)


(oakroom48)
Auf dem Wasser zu singen

Mitten im Schimmer der spiegelnden Wellen
Gleitet, wie Schwäne, der wankende Kahn:
Ach, auf der Freude sanftschimmernden Wellen
Gleitet die Seele dahin wie der Kahn;
Denn von dem Himmel herab auf die Wellen
Tanzet das Abendrot rund um den Kahn.

Über den Wipfeln des westlichen Haines
Winket uns freundlich der rötliche Schein;
Unter den Zweigen des östlichen Haines
Säuselt der Kalmus im rötlichen Schein;
Freude des Himmels und Ruhe des Haines
Atmet die Seele im errötenden Schein.

Ach, es entschwindet mit tauigem Flügel
Mir auf den wiegenden Wellen die Zeit;
Morgen entschwinde mit schimmerndem Flügel
Wieder wie gestern und heute die Zeit,
Bis ich auf höherem strahlendem Flügel
Selber entschwinde der wechselnden Zeit.

(Friedrich Leopold zu Stolberg-Stolberg/Franz Schubert)

(Versão do poema em Inglês disponível aqui)

Ilustração musical

Se os carpinteiros gregos fossem desta categoria Cassandra nada teria a recear.

(superdooperstupor)

27.5.09

Terreiro do Paço

(imagem roubada algures)

O estudo prévio da reformulação do Terreiro do Paço já foi apreciado e teve parecer favorável na Câmara de Lisboa. Quando as obras estiverem prontas logo veremos o resultado dos losangos à pulôver, das linhas inspiradas nas cartas de marear que lembram a Carrilho da Graça “os tempos do fascismo e a exposição do mundo português”, do mármore verde em torno do cavalo de Dom José, do trânsito a engarrafar-se à volta da praça (ou já existem alternativas para o escoamento dos automóveis?).

Ontem, no seguimento da discussão do projecto na Ordem dos Arquitectos, segundo o Público, o arquitecto Bruno Soares prometeu que vai rever o desenho de alguns detalhes: os degraus à volta do monumento a Dom José e a passadeira de pedra entre o arco da Rua Augusta e o Cais das Colunas. Detalhes, portanto, já que a essência do projecto se mantém.

E árvores? Para Rui Tavares "não há razões históricas para a sua exclusão definitiva". E razões técnicas? Haverá?

25.5.09

Acerca de Sintra

O encanto da serra e o sofrimento que lhe causam.

Richard Wagner - 196 anos e 3 dias

O sempre atento Heitor nunca perde o Norte e dá-nos conta das efemérides mais importantes que se comemoram no mundo da música. Uma delas quase ficava por assinalar aqui, o que, tratando-se do centésimo nonagésimo sexto aniversário de Richard Wagner, seria uma falha grave. Celebre-se, embora com alguns dias de atraso (Wagner nasceu em Leipzig a 22 de Maio de 1883), a sua música. A Música, depois do acorde de Tristão, nunca mais foi igual.

15.5.09

Notícias


Entretanto, e para desanuviar, boas notícias para matar saudades. Tive conhecimento, através de comentários (1 e 2) deixados pela Bettips, que o Paulo Araújo (sim, do Dias com árvores) acabou de publicar mais um livro com crónicas arborescentes. Chama-se "A Árvore de Natal do Senhor Ministro".
[Indo a correr para comprar]

Afinal os jardins de Queluz ficaram encerrados ao público durante cerca de dois anos para quê?

Estava prometida a recuperação dos jardins do Palácio de Queluz e eles hoje reabrem ao público. Mas a julgar por este artigo, do qual transcrevo alguns excertos, e pelo que já se vislumbrava, a diferença entre o que estava e o que está não justificará dois anos de encerramento nem a campanha que propagandeava o restauro dos sistemas hidráulicos e de rega concebidos por Manuel da Maia no séc. XVIII.

Uma parte, ainda que diminuta, dos 16 hectares dos jardins foi limpa, alguns lagos e algumas estátuas de pedra e chumbo foram recuperados. Algumas árvores e umas quantas flores foram plantadas, nas áreas mais nobres, e a água corre, embora timidamente e sem pressão nas poucas fontes a que voltou a chegar. A cascata grande foi pintada e regressou à vida, as sebes de buxo foram talhadas nos percursos principais e os plátanos, cujas raízes davam cabo dos azulejos do canal, foram arrancados.

Por fazer está, todavia, muito daquilo que tinha sido prometido. Logo à entrada, percebe-se o falhanço daquela que era a mãe de todas as obras do jardim: a recuperação dos sistemas hidráulicos e de rega concebidos por Manuel da Maia no séc. XVIII. Mesmo nos lagos e fontes dos jardins superiores, contíguos à fachada traseira do palácio, os jogos de água não jogam, não jorram, limitam-se a correr, ou apenas a escorrer. Isto para já não dizer que nas instalações da Escola Portuguesa de Arte Equestre, nos limites da propriedade e depois de um investimento de 750 mil euros, a água morre nas condutas, e os cavalos são lavados a partir da rede da Câmara de Sintra.

Na verdade, grande parte dos caminhos está hoje barrada por redes de plástico verde, enquanto o "matagal", continua a reinar daí para lá. Passando o rio Jamor, e à excepção de um outro lago e respectivos conjuntos escultóricos, nada foi feito e os antigos e frondosos pomares de laranjeiras tornaram-se uma dor de alma morta de sede. Dolorosa é também a visão do celebrado canal dos azulejos, onde o Jamor se travestia em salão de festas aquáticas e coloridas nos verões reais de antigamente. Em vez da prometida recuperação, o que lá está é o que lá estava. Com a diferença de que no lugar dos azulejos caídos ou roubados foi posto reboco de cimento e, seguramente, foram feitos muitos e muito eruditos estudos sobre os mesmos.

(in Público)


13.5.09

Ópera do Castelo

A Companhia de Ópera do Castelo apresenta amanhã, 14 de Maio, o espectáculo "Memória dos Anjos" - recital cénico com cabaret, ópera e fado, para canto, piano e vídeo, com Catarina Molder e Nuno Barroso. A concepção e a direcção artística são de Catarina Molder e a encenação é de Jorge Rodrigues. Vai ser às 21h30, no claustro do Museu de São Roque (sujeito a confirmação devido às condições atmosféricas).
Este recital cénico não só cruza múltiplas áreas artísticas procurando novos formatos para o tradicional recital de canto e piano, como conjuga repertórios e linguagens musicais a priori tão opostas como a ópera, o cabaret e o fado. (...)

(OperadoCastelo)


E no dia 16 de Maio, às 15h00, no Castelo de São Jorge, terá lugar mais uma iniciativa da Ópera do Castelo: "Mosaicos Musicais".
Mais detalhes sobre os espectáculos, o projecto e a programação no site da companhia.

(Faça um clique sobre a imagem)