Há um choupo na Karlsplatz
Numa Berlim de destroços
E quem passa na Karlsplatz
Dele vê verdes viçosos
Em quarenta e seis no frio
Gelavam pessoas, e lenha faltou
E caíram muitas árvores
E nenhum ano lhes sobrou
Mas o choupo da Karlsplatz
Mostra as suas verdes hastes
Moradores da Karlsplatz:
Obrigado, que o poupastes!
(Tradução e adaptação do poema de Bertolt Brecht por Helena Araújo)
Os choupos da Karlplatz (karlsplatz no poema de Bertolt Brecht) não resistiram ao Inverno de 1946/47. O frio e a cidade em ruínas acabaram por transformá-los em lenha, tal como às árvores do Tiergarten. Em 1949, de volta a Berlim, Brecht assistiu ao renascimento de um dos choupos e escreveu este poema, mas, alguns anos mais tarde, abateram-no novamente por a sua copa fazer sombra aos escritórios de uma embaixada. Contudo, Brecht tinha guardado dele um rebento e, crê-se, é ele o avô dos dois choupos que agora lá vemos (Berliner Zeitung).
Die Pappel vom Karlsplatz por Ernst Busch, cabaretista célebre nos anos 1920 que participou na estreia da Ópera de Três Vinténs.






