2.1.14

Um jardim em perigo

Lemos n'O Corvo um texto sobre a degradação acelerada do jardim do Príncipe Real, que, antes da requalificação, era um dos mais belos de Lisboa. Pedro Lérias, entre outros Amigos do Príncipe Real, põe novamente o dedo na ferida. O texto é de Isabel Braga e termina assim:
No Príncipe Real, já não existe o jardim romântico que ali foi construído em 1853, com canteiros cercados por gradeamentos de ferro a proteger uma multiplicidade de plantas, flores e pequenos arbustos, sebes que formavam recantos com alguma privacidade, renques de árvores a toda a volta a formar uma cortina contra o ruído da cidade. Existe um jardim, em espaço aberto e degradação acelerada. Resta esperar que, daqui a algumas décadas, aquela praça não volte a ser o local de entulho que, segundo a Wikipédia, ali existia há 170 anos.
Quando havia flores no Príncipe Real
Feliz Ano Novo

20.12.13

In bocca al lupo

Daqui a poucas horas Elisabete Matos sobe novamente ao palco do Met de Nova Iorque para cantar um dos seus papéis de eleição: Tosca. Toi toi toi.

Recordemos, neste pequeno excerto do II acto, como ela o cantou no Teatro de São Carlos. A encenação era de Robert Carsen.


15.12.13

melographia portugueza


Ontem foi lançado mais um CD, o quinto, da gravação integral da obra para tecla de Carlos Seixas por José Carlos Araújo. Um disco que podemos já considerar como histórico. Para o fazer, foi utilizado o pianoforte de Henrique van Casteel, de 1763, que se encontra no Museu da Música (estação de metro de Alto dos Moinhos). Cremilde Rosado Fernandes já o tinha usado para uma gravação, há cinquenta anos, e José Carlos Araújo voltou a tocá-lo recentemente num recital no Museu da Música, quando pudemos ouvir a sonoridade específica do instrumento, cuja fragilidade se pressente também neste disco em que José Carlos toca primorosamente, com dedos de veludo. Recordemos a curta reportagem do Público a propósito desse recital.

O pianoforte de Van Casteel merece ser visto. Diz-nos o livrinho que acompanha o disco:
Com um tampo harmónico de conífera, armação de nogueira e cepo de castanho folheado a jacarandá, este instrumento é, à semelhança do modelo de Cristofori, inteiramente encordoado em latão, o que lhe confere um timbre quente e claro. A deslocação do mecanismo para o lado possibilita o recurso ao registo una corda, em que soa apenas uma das filas de cordas, enquanto a segunda vibra por simpatia. (...)

O disco contém, entre várias sonatas belíssimas, a magnífica K. 15, em Dó menor, aqui interpretada por José Carlos Araújo ao cravo:


Para percebermos o que é o timbre do pianoforte de Van Casteel, ouçamos a Sonata K. 30:


No recital de ontem, José Carlos Araújo tocou o cravo Antunes e, com ele, estiveram a violinista Raquel Cravino e o violoncelista Nuno M. Cardoso, que usou um instrumento que pertenceu à colecção do rei D. Luís, construído por Joaquim José Galrão em 1769. O trio interpretou sonatas em versões reconstituídas para violino ou violoncelo e baixo contínuo. Espera-se também a gravação de um CD pelos três músicos, integrado no projecto discográfico melographia portugueza, utilizando o violino e o violoncelo de Galrão.

José Carlos Araújo (cravo Antunes) e Nuno M. Cardoso (violoncelo Galrão)
(Do Facebook de José Carlos Araújo)

Os discos de José Carlos Araújo, se não os encontrar numa discoteca perto de si, estão à venda na loja do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa (MPMP).

7.12.13

La Traviata no Scala

Diana Damrau e Piotr Beczala durante um ensaio (© Corriere della Sera)

Hoje, como sempre a 7 de Dezembro, é dia de inauguração da nova temporada do Teatro alla Scala e a ópera escolhida para o efeito foi "La Traviata", nem menos. Diana Damrau e Piotr Beczala serão Violetta e Alfredo. Mara Zampieri também lá estará, como Annina. O maestro será Daniele Gatti e a encenação é de Dmitri Tcherniakov. Comemora-se ainda o bicentenário de Verdi e celebra-se Santo Ambrósio. Que ele nos valha.

A transmissão, em diferido, começa pelas 19h49!

(Adenda: Fica disponível, para quem não viu, durante vinte e oito dias.)

25.11.13

Noites em São Carlos

Já abriu a nova exposição Noites em São Carlos, a visitar até ao próximo dia 23 de Dezembro. A exposição anterior, em Agosto de 2012, recebeu cerca de oito mil visitantes. Desta vez, os temas são os bicentenários de Verdi e de Wagner, os 120 anos do nascimento de Almada Negreiros e os 150 anos do barítono Maurício Bensaúde.
Há ainda um núcleo dedicado ao tenor António de Andrade, cujo espólio composto por fotografias e objectos pessoais foi recentemente doado ao Teatro de São Carlos.

Algumas peças em destaque:

Maqueta para a ópera Inês de Castro, de Ruy Coelho (Almada Negreiros, 1943)

Maqueta para a ópera Parsifal, de Richard Wagner (Peter Bissegger, 1973)

Poderemos ver cenários e peças de guarda-roupa de Rigoletto (da encenação de Gino Bechi, em que participaram, ao longo das várias apresentações em São Carlos, cantores como Alfredo Kraus, Fernando Teixeira, Piero Cappuccilli, Renato Bruson, Elvira Ferreira, Ileana Cotrubas, Elisete Bayan, ou Carlos Fonseca) e de diversas óperas de Wagner.

A exposição pode ser visitada todos os dias, excepto à quarta-feira, entre as 10h e as 18h, com visitas guiadas de meia em meia hora.
As entradas custam 5€ por pessoa; crianças até aos cinco anos de idade têm entrada livre; os menores de 18 anos, maiores de 65 anos e os grupos com mais de 15 pessoas beneficiam de desconto (bilhete: 3€).

(Imagens do Centro Histórico do TNSC)

22.11.13

Para o dia de Santa Cecília


O recente recital de Maria João Pires e António Meneses na Salle Pleyel, em Paris. Em linha durante os próximos 179 dias.

15.11.13

As Asas do Besouro

John Singer Sargent, Ellen Terry como Lady Macbeth (1889)
(Tate Gallery)
A Tate Gallery possui um quadro de John Singer Sargent que retrata a actriz Ellen Terry com um vestido em tons de verde, decorado com mil asas de besouro. É o vestido que ela usara no palco como Lady Macbeth e que ainda existe e foi recentemente a restaurar. Mil e trezentas horas e cinquenta mil libras depois, o vestido regressa a Smallhythe Place, a casa quinhentista onde Ellen Terry viveu e morreu, em 1928.

O Daily Mail conta a história

8.11.13

A Turandot de Pequim

Especialmente para quem não facebooka.
Eis algumas fotografias da "Turandot" de Elisabete Matos em Pequim no passado mês de Outubro, publicadas pelo National Centre for the Performing Arts. Vladimir Galouzine como Calaf e Yao Hong como Liù.







7.11.13

Aniversário #2

(©)

E parabéns à Grande Dame Gwyneth Jones, que nasceu há 77 anos numa terrinha no País de Gales chamada Pontnewynydd. Sem mais palavras.