As câmaras filmaram a Salomé de Karita Mattila no Met, em 2008, contudo há certas coisas que não se mostram em público. Já o sabemos e podemos supor que Janet Jackson jamais o esquecerá. Se a acção se passasse no Inverno gélido de Nova Iorque, possivelmente o realizador teria encontrado uma lareira em cena para mostrar. Mas isso é coisa impensável numa noite de luar mediterrânico e, à falta dela, procurou-se a expressão de Herodes.
A tarde pôs-se cinzenta e aguada mas terminou em cores. Dando a volta no Cais do Sodré para subir a rua do Alecrim, depara-se agora o transeunte com uma enorme "Vitrine" de Joana Vasconcelos que lembra as suas "Valquírias". Até me veio à memória o chapéu-de-chuva gigante imaginado pelo André no seu delírio hospitalar.
Adenda:Aqui podemos ouvir excertos (tracklist) do novo disco da bela Anne-Sophie Mutter dedicado ao compositor. Estão lá o concerto para violino, com a orquestra do Gewandhaus de Leipzig e Kurt Masur, e música de câmara - com Lynn Harrell e André Previn -. Ide a video para um pedacinho do concerto.
Saí da Gulbenkian com a sensação de ter ouvido pouco Bellini. O mesmo Lawrence Foster que tão bem captou o espírito straussiano de "Elektra" deu-nos uma leitura certinha, mas fria, de "Norma".
Do lado dos cantores, concordo que a entrada de Silvana Dussmannfoi desastrosa. A coloratura em Ah! Bello a me ritorna saiu tão descontrolada que me encolhi na cadeira, assustado, e temi pelo resto da prestação da senhora. No entanto, o canto de Botha foi tão belo que talvez a tenha ajudado a desemperrar para o II acto e ela aí melhorou, vocal e dramaticamente, apesar de não ter deslumbrado quem é apaixonado pela Norma de Callas ou de Caballé. Mas isso é todo um outro universo.
Johan Botha, que eu tinha por cantor pouco interessante, foi um magnífico Pollione e a sua voz encheu o Grande Auditório sem pedir licença. Foi ele quem proporcionou mais prazer aos nossos ouvidos, nomeadamente no dueto com a Adalgisa de Heidi Brunner.
"As Aventuras de Robin Hood" salvaram-lhe a vida, dizia o próprio Korngold. Em 1938 foi convidado a compor a música do filme com Errol Flynn e Olivia de Havilland e deixou a Áustria a caminho de Hollywood. Pouco depois, a Áustria foi anexada pela Alemanha, os bens de Korngold foram confiscados e algumas das suas partituras foram destruídas. Foi o que sucedeu às "Vier Shakespeare-Lieder" op. 31, de 1937. Em 1941 Korngold reconstituiu-as de memória, em Los Angeles, e Anne Sofie von Otter gravou-as em 1998, com Bengt Forsberg, com quem também as interpretou em Lisboa.
Under the Greenwood Tree
Under the greenwood tree, Who loves to lie with me, And turn his merry note Unto the sweet bird's throat, Come hither, come hither; Here shall he see No enemy But winter and rough weather. (...)
Tal como a Quinta dos Loridos, o Jardim Monte Palace, no Funchal, atesta o gosto do Comendador Berardo por coisas do Oriente. As fotografias foram enviadas pelo meu colega e amigo Jorge Falcato. Obrigado, Jorge.