5.2.14

O Schumann de Maria João Pires em Londres

Quem é amigo, quem é? Ora ouvejam aqui o Concerto de Schumann, que Maria João Pires tocou há dias com a Orquestra Sinfónica de Londres e Sir John Eliot Gardiner no Barbican Hall. Do programa constavam também a Abertura As Hébridas (‘Gruta de Fingal’) e a Sinfonia nº 3, Escocesa, de Mendelssohn.




29.1.14

Brokeback Mountain #1

Teve ontem estreia mundial em Madrid, no Teatro Real, a ópera Brokeback Mountain, de Charles Wuorinen, com libreto de Annie Proulx, autora da novela que deu origem ao filme de Ang Lee. Daniel Okulitch e Tom Randle são Ennis del Mar e Jack Twist.

O Arte Live Web já pensou em quem não pode ir num instante ali a Madrid e vai transmitir em directo a récita de 7 de Fevereiro às nossas 19h00. A Medici.tv também. É pôr na agenda.

Os críticos que já lá estiveram não são unânimes: The Guardian, The New York Times, El País, El Mundo.

Eis algumas imagens emprestadas pelo Teatro Real.







23.1.14

No Silêncio de uma Nota

(©)

Um documentário de 2008 sobre a arte de Maria João Pires, com depoimentos do irmão Hugo, da filha Joana, de António Vitorino de Almeida, Jorge Rodrigues, Carla Seixas, Adriano Jordão, Rui Vieira Nery e muitos outros.


20.1.14

Maestra

O mandato da nova maestrina titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa não podia ter começado melhor. Antes de dirigir a peça de abertura do concerto, perante uma sala cheia que deu gosto ver, Joana Carneiro (directora musical da Berkeley Symphony desde 2009 e maestrina convidada da Orquestra Gulbenkian) dirigiu-se ao público, manifestando a honra que sente por ter sido convidada para o cargo e a esperança num "novo ciclo verdadeiramente positivo" (aplausos). Oxalá a sua voz chegue ao sítio certo. Depois falou também com Luís Tinoco, que explicou em breves palavras a história de Before Spring, uma obra estreada em 2010 no CCB, na sua versão original para orquestra de câmara, como abertura à Sagração da Primavera (na coreografia de Olga Roriz). Joana Carneiro pediu ao compositor que adaptasse este tributo à Sagração para a versão sinfónica que se ouviu ontem pela OSP.


A obra de Luís Tinoco pareceu-me muito interessante. Sem mostrar referências óbvias a Stravinsky, sentíamos aqui e ali de onde vinham certos acordes. Perto do final, alguns músicos saíram do palco para se colocarem em diversos pontos da sala, criando um curioso efeito sonoro. Sabendo da apetência de Joana Carneiro pela música contemporânea, era de esperar, como se verificou, um bom resultado.

Passando a Beethoven, ouvimos uma Grande Fantasia Coral com Artur Pizarro na sua melhor forma (o Steinway do São Carlos com um som esplendoroso) e a orquestra, o coro e os solistas totalmente empenhados e a uma só voz. Quanto a Pizarro, resta-nos esperar o seu regresso a Lisboa, já em Março, a iniciar a integral das obras para piano de Rachmaninov no novo Grande Auditório da Gulbenkian.

Na segunda parte do programa ouvimos a Sinfonia nº 6, Pastoral. E Joana Carneiro levou a OSP a transcender-se, produzindo um som limpo e brilhante a que não estávamos habituados. Mais uma vez se prova a qualidade da Sinfónica Portuguesa, desde que tenha um maestro à altura. No final do concerto, o público aplaudiu com um entusiasmo sentido e verdadeiro. Alguém dizia que Joana Carneiro devia ser promovida a maestra, pois maestrina é pouco para ela. Concordo.

Só podemos desejar que tudo lhe corra de feição, já que a orquestra e o coro estiveram a um nível de grande qualidade, respondendo sempre com precisão aos seus gestos claros e seguros, dando prova da empatia que já se gerou entre ela e os corpos artísticos da casa. Ou, pelo menos, assim parece.

Claudio Abbado partiu hoje. Descanse em Paz


18.1.14

Grão a grão...

o Teatro de São Carlos vai-nos deixando saber o que aí vem. Já a seguir, em Fevereiro, toca-nos Il Viaggio a Reims, de Rossini. É uma produção do Teatro Real de Madrid em colaboração com o Rossini Opera Festival de Pesaro.


5, 7 e 11 de fevereiro de 2014 20h
9 de fevereiro de 2014
16h


Dramma giocoso em um ato de Luigi Balocchi

Corinna Eduarda Melo
Marquesa Melibea Marifé Nogales
Condessa de Folleville Carla Caramujo
Madame Cortese Cristiana Oliveira
Cavaleiro Belfiore Dempsey Rivera
Conde de Libenskof Vassilis Kavayas
Lord Sidney Francisco Tójar
Don Profondo Luís Rodrigues
Barão de Trombonok Diogo Oliveira
Don Alvaro João Merino
Don Prudenzio Nuno Dias
Don Luigino João Sebastião
Delia Bárbara Barradas
Maddalena Ana Ferro
Modestina Carolina Figueiredo
Zefirino/Gelsomino Bruno Almeida
Antonio João Oliveira

Encenação e cenografia Emilio Sagi
Figurinos Pepa Ojanguren
Desenho de luz Eduardo Bravo
Direção musical Yi-Chen Lin
ORQUESTRA SINFÓNICA PORTUGUESA
Maestrina titular Joana Carneiro

9.1.14

Joana Carneiro e Artur Pizarro


Temporada propriamente dita ainda não há, mas o Teatro de São Carlos já tem um concerto agendado com Artur Pizarro e a maestrina Joana Carneiro para dia 19 de Janeiro, às 18h00.
Os bilhetes já estão à venda e o programa é assim:
Luís Tinoco
Before Spring
«
a tribute to the Rite»

versão para orquestra sinfónica, encomenda do Teatro Nacional de São Carlos

Ludwig van Beethoven
Fantasia Coral, op. 80
I. Adagio
II. Finale. Allegro – Meno allegro (Allegretto) – Allegro moltoAdagio ma non troppoMarcia, assai vivaceAllegroAllegretto ma non troppo quasi andante con moto «Schmeichelnd hold und liebliech klingen» – Presto

Ludwig van Beethoven

Sinfonia n.º 6, op. 68, Pastoral
I. Allegro ma non troppo, «Despertar de sentimentos alegres na chegada ao campo»
II. Andante molto mosso, «Cena à beira do riacho»
III. Allegro, «Alegre reunião de camponeses»
IV. Allegro, «Trovões e tempestade»
V. Allegretto, «Canto do pastor: sentimentos alegres e gratos após a tempestade»

Solistas
Ana Serro, Ana Franco, Natália Brito, Bruno Almeida, João Sebastião, Nuno Dias
Piano Artur Pizarro
Direção musical Joana Carneiro


Orquestra Sinfónica Portuguesa
Coro do Teatro Nacional de São Carlos

Para abrir o apetite...


2.1.14

Um jardim em perigo

Lemos n'O Corvo um texto sobre a degradação acelerada do jardim do Príncipe Real, que, antes da requalificação, era um dos mais belos de Lisboa. Pedro Lérias, entre outros Amigos do Príncipe Real, põe novamente o dedo na ferida. O texto é de Isabel Braga e termina assim:
No Príncipe Real, já não existe o jardim romântico que ali foi construído em 1853, com canteiros cercados por gradeamentos de ferro a proteger uma multiplicidade de plantas, flores e pequenos arbustos, sebes que formavam recantos com alguma privacidade, renques de árvores a toda a volta a formar uma cortina contra o ruído da cidade. Existe um jardim, em espaço aberto e degradação acelerada. Resta esperar que, daqui a algumas décadas, aquela praça não volte a ser o local de entulho que, segundo a Wikipédia, ali existia há 170 anos.
Quando havia flores no Príncipe Real
Feliz Ano Novo

20.12.13

In bocca al lupo

Daqui a poucas horas Elisabete Matos sobe novamente ao palco do Met de Nova Iorque para cantar um dos seus papéis de eleição: Tosca. Toi toi toi.

Recordemos, neste pequeno excerto do II acto, como ela o cantou no Teatro de São Carlos. A encenação era de Robert Carsen.


15.12.13

melographia portugueza


Ontem foi lançado mais um CD, o quinto, da gravação integral da obra para tecla de Carlos Seixas por José Carlos Araújo. Um disco que podemos já considerar como histórico. Para o fazer, foi utilizado o pianoforte de Henrique van Casteel, de 1763, que se encontra no Museu da Música (estação de metro de Alto dos Moinhos). Cremilde Rosado Fernandes já o tinha usado para uma gravação, há cinquenta anos, e José Carlos Araújo voltou a tocá-lo recentemente num recital no Museu da Música, quando pudemos ouvir a sonoridade específica do instrumento, cuja fragilidade se pressente também neste disco em que José Carlos toca primorosamente, com dedos de veludo. Recordemos a curta reportagem do Público a propósito desse recital.

O pianoforte de Van Casteel merece ser visto. Diz-nos o livrinho que acompanha o disco:
Com um tampo harmónico de conífera, armação de nogueira e cepo de castanho folheado a jacarandá, este instrumento é, à semelhança do modelo de Cristofori, inteiramente encordoado em latão, o que lhe confere um timbre quente e claro. A deslocação do mecanismo para o lado possibilita o recurso ao registo una corda, em que soa apenas uma das filas de cordas, enquanto a segunda vibra por simpatia. (...)

O disco contém, entre várias sonatas belíssimas, a magnífica K. 15, em Dó menor, aqui interpretada por José Carlos Araújo ao cravo:


Para percebermos o que é o timbre do pianoforte de Van Casteel, ouçamos a Sonata K. 30:


No recital de ontem, José Carlos Araújo tocou o cravo Antunes e, com ele, estiveram a violinista Raquel Cravino e o violoncelista Nuno M. Cardoso, que usou um instrumento que pertenceu à colecção do rei D. Luís, construído por Joaquim José Galrão em 1769. O trio interpretou sonatas em versões reconstituídas para violino ou violoncelo e baixo contínuo. Espera-se também a gravação de um CD pelos três músicos, integrado no projecto discográfico melographia portugueza, utilizando o violino e o violoncelo de Galrão.

José Carlos Araújo (cravo Antunes) e Nuno M. Cardoso (violoncelo Galrão)
(Do Facebook de José Carlos Araújo)

Os discos de José Carlos Araújo, se não os encontrar numa discoteca perto de si, estão à venda na loja do Movimento Patrimonial pela Música Portuguesa (MPMP).