2.4.08

O Espectro da Rosa

Na velha casa de Sintra continua tudo igual. Apenas uma cobertura de flores tenta dar-lhe um aspecto colorido e animado.






(jolicrasseux) Dame Janer Baker, 1972

Le spectre de la rose

Soulève ta paupière close
Qu’effleure un songe virginal.
Je suis le spectre d’une rose
Que tu portais hier au bal.
Tu me pris encore emperlée
Des pleurs d’argent de l’arrosoir,
Et parmi la fête étoilée
Tu me promenas tout le soir.

Ô toi, qui de ma mort fus cause,
Sans que tu puisses le chasser,
Toutes les nuits mon spectre rose
À ton chevet viendra danser.
Mais ne crains rien, je ne réclame
Ni messe ni De Profundis,
Ce léger parfum est mon âme
Et j’arrive du Paradis.

Mon destin fut digne d’envie,
Et pour avoir un sort si beau
Plus d’un aurait donné sa vie.
Car sur ton sein j’ai mon tombeau,
Et sur l’albâtre où je repose
Un poète avec un baiser
Écrivit : "Ci-gît une rose
Que tous les rois vont jalouser".

Théophile Gautier/Hector Berlioz

31.3.08

Pesquisa


Resultado: chama-se erva-gorda e há quem a trate por Arctotheca calendula. Vem da África do Sul, tem características invasoras na Califórnia e na Austrália, mas não consegue vencer os chorões que abundam no Cabo da Roca.

30.3.08

Uva-dos-passarinhos

A Phytolacca americana mostra as suas flores e alguns cachos já apresentam bagas verdes que parecem miniaturas de maçãs. Quando estiverem maduras poderão ser saboreadas pelos pássaros, mas contêm substâncias tóxicas para os mamíferos. Não convém, portanto, prová-las. O sistema digestivo dos pássaros permite-lhes expelir intactas as sementes onde se encontram essas substâncias. Esta uva-dos-passarinhos está no jardim do Museu de Arte Antiga, mas as bagas maduras não são de lá. Devem ter sido comidas em Agosto do ano passado.
(O Dias com árvores fala das Phytolaccaceae.)





28.3.08

A florir

agora, no jardim do Museu de Arte Antiga.



Abundância (Ageratina adenophora)

27.3.08

A Traviata de Lisboa


Já aqui se falou da Traviata de Lisboa e hoje é dia de voltar a falar dela. Aconteceu há exactamente cinquenta anos, no Teatro de São Carlos. No dia 27 de Março de 1958 alguém teve a feliz ideia de gravar o som da récita de Maria Callas e Alfredo Kraus, que veio a ser uma das grandes referências para esta ópera. Infelizmente não se chegou a filmar a récita completa e o que existe, que eu saiba, são apenas estes excertos. É o que há.
Está a ser preparada uma exposição que vai assinalar a vinda de Callas a Lisboa, a inaugurar em finais de Junho na Central Tejo (Museu da Electricidade). Os cenários da Traviata de São Carlos estarão presentes na exposição, assim como fotografias e peças que ainda serão seleccionadas na Associazione Culturale Maria Callas, em Veneza. Do espólio constam vestidos, jóias e documentos.





(kraustrujillo)

26.3.08

"Erva-dos-rapazes"


Chamo-lhe eu assim. É uma Orchis italica, a que os alemães chamam italienisches Knabenkraut, compondo a palavra a partir de Kraut (erva) e de Knaben (rapazes). De facto, o nome Orchis (testículos, em grego) deriva da comparação de algumas raízes tuberosas de orquídeas com os testículos humanos.

Mas quando olho para a inflorescência desta orquídea, vejo coros de rapazinhos entoando hinos e saudando a Primavera nas suas brincadeiras.



(KingsGroupPlace)

"A Ceremony of Carols" é um conjunto de cânticos compostos por Benjamin Britten a partir de pequenos poemas medievais, em Março de 1942, durante a viagem de regresso dos Estados Unidos para a Inglaterra. Apesar da temática natalícia deste cântico, a atmosfera musical antevê a Primavera britânica.
Balulalow

O my deare hert, young Jesu sweit,
Prepare thy creddil in my spreit,
And I sall rock thee to my hert,
And never mair from thee depart.

But I sall praise thee evermoir
With sanges sweit unto thy gloir;
The knees of my hert sall I bow,
And sing that richt Balulalow


(RyanGolddRedux)

25.3.08

Nos Cabeços #2

Cabeça de velha com toucado, ou a mulher que chora na sexta-feira de Paixão.

20.3.08

Paixão Segundo São João


(OedipusColoneus)

Es ist vollbracht!
O Trost vor die gekränkten Seelen!
Die Trauernacht läßt
nun die letzte Stunde zählen.

Der Held aus Juda siegt mit Macht
Und schließt den Kampf.
Es ist vollbracht!

It is finished!
O comfort for the ailing soul!
The night of sorrow
now measures out its last hour.
The hero out of Judah conquers with might
and concludes the battle.
It is finished!


Andreas Scholl, Collegium Vocale Gent, Philippe Herreweghe.

19.3.08

Primavera

O equinócio está aí à porta mas traz-nos uma Primavera que começa tristonha(*). O poema de Hermann Hesse musicado por Richard Strauss (1864-1949) prevê-a bem mais luminosa que este céu de chumbo que se ergue agora sobre Lisboa.

(*Ou talvez não... A chuva parece ter mudado o rumo para nos oferecer uma Páscoa soalheira.)

Frühling é normalmente apresentada como a primeira das quatro últimas canções ("Vier letzte Lieder") de Strauss, o testamento de uma vida que começa com esta "Primavera", continua por "Setembro", "Adormece" e termina "Ao Pôr-do-Sol". São quatro canções compostas em 1948 e estreadas em Londres em 1950, já depois da morte do compositor, por Kirsten Flagstad e Furtwängler.

Aqui, ouvimos a voz de Kiri Te Kanawa com a Orquestra Sinfónica de Londres e Andrew Davis.



Frühling

In dämmrigen Grüften
Träumte ich lang
von deinen Bäumen und blauen Lüften,
von deinem Duft und Vogelgesang.

Nun liegst du erschlossen
in Gleiss und Zier,
von Licht übergossen
wie ein Wunder vor mir.

Du kennst mich wieder,
Du lockst mich zart,
es zittert durch all meine Glieder
deine selige Gegenwart!


Primavera

Em túmulos crepusculares
Sonhei longamente
Com as tuas árvores, os teus céus azuis
O teu perfume e o teu canto

Agora aqui estás
Envolta em brilho e glória
Banhada em luz,
Como um milagre diante de mim

Reconheces-me
E atrais-me docemente;
E os membros tremem-me
Com a tua presença bem-aventurada.
(Tradução de Rui Vieira Nery)


(belgradegeneve)
Lucia Popp com a Orquestra Sinfónica de Chicago e Georg Solti, em 1977