15.2.12

Berliner Allgemeine

Quando João Grosso era director artístico do D. Maria II, Georgette Dee cantou . Passados quase nove anos surge a possibilidade de voltar a assistir a um espectáculo dela, agora no seu elemento, o Berliner Ensemble. Convém dizer que este teatro abriu em 1892, como Neues Theater, e é um dos mais representativos de Berlim. Foi lá que Kurt Weill estreou a Ópera de Três Vinténs em 1928. Ao Berliner Ensemble estão ligados nomes como Max Reinhardt, Bertolt Brecht, Lotte Lenya, Rosa Valetti, Heiner Müller, Ruth Berghaus, Klaus Maria Brandauer. É um teatro mítico, localizado junto à Friedrichstrasse, bem no coração da antiga metade oriental de Berlim.



(as fotos possíveis)

Georgette Dee não cantou Mann in meinen Armen, que tínhamos ouvido em Lisboa. Desta vez fez-se acompanhar ao piano por Terry Truck e cantou Schöne Lieder (canções bonitas) e contou pequenas histórias cheias de um humor picante reminiscente do Kabarett. 


De volta à Filarmonia, para dar contas do que por lá se passa: depois de termos ouvido a de Bruckner exactamente como o Digital Concert Hall no-la mostra aqui, ontem pudemos também verificar que Sir Simon Rattle dirigiu a sua orquestra num programa completamente diferente mas igualmente de cor. A Helena dá-nos mais detalhes.

13.2.12

Prodígios

Jesus-Christus-Kirche

Calhou a mim vir contar, muito rapidamente, o mais recente prodígio. Aconteceu ontem em Dahlem, um bairro muito agradável na zona Sudoeste de Berlim, com lagos, florestas e casas bonitas. É lá que se encontra a Igreja de Jesus Cristo, celebrizada por muitas gravações de Karajan, e não só, que a escolheu por ela oferecer uma acústica perfeita, graças ao altíssimo tecto de madeira e à cavidade entre ele e a cobertura. Pudemos comprová-lo: o coro da paróquia estava a ensaiar o padre-nosso e o som que produzia era sublime.

(Lembrei-me desta gravação da , embora não possa garantir que tenha sido feita na Jesus-Christus-Kirche)

11.2.12

O Céu Sobre Berlim

A Helena conta histórias maravilhosas sobre Berlim. Da Filarmonia à Berlinale, uma verdadeira overdose de prodígios. Até o céu de Berlim anda vestido de azul lavado.

9.2.12

A Filarmónica em Berlim

Um conselho: se pretender visitar Berlim, não se esqueça de consultar antes o calendário da Filarmónica. Ouvi-la na sua casa e ver Simon Rattle a dirigi-la pode mudar a sua vida. Para sempre.



6.2.12

Um sítio onde pousar a cabeça

Um documentário de Ricardo Espírito Santo dedicado a Manuel António Pina. A não perder, dia 11 de Fevereiro, na RTP 2, às 21h00.


Documentário Manuel António Pina from Terra Líquida Filmes.

Primeiro abre-se a porta
por dentro sobre a tela imatura onde previamente
se escreveram palavras antigas: o cão, o jardim impresente,
a mãe para sempre morta.

(...)

Manuel António Pina, Como se desenha uma casa

2.2.12

Scholl goes pop


O programa do próximo concerto de Andreas Scholl na Gulbenkian, no dia 7 de Fevereiro, baseia-se no seu novo disco, dedicado a cantatas de Bach, gravado com a Orquestra de Câmara de Basileia e a maestrina Julia Schröder.
Scholl deu os primeiros passos na música coral de Bach e, ao longo da sua carreira como solista, regressou a este compositor com regularidade.




Mas Andreas Scholl interessa-se também pela música pop e montou o seu próprio estúdio de gravação no celeiro, onde faz as suas brincadeiras.
No ano passado, uma companhia aérea perdeu a sua mala e não mostrou grande interesse em procurá-la. Vai daí, Andreas escreveu e compôs Adria Airways lost my suitcase (via The Telegraph).

Adria Airways mix MASTER by Friendship7 productions

31.1.12

"The Life and Times of Max Lorenz"

É um documentário excelente e imperdível para quem se interessa por estas coisas da música, dos cantores e das suas relações com o poder.

Max Lorenz foi um ídolo de Hitler e de Bayreuth até quase cair em desgraça por ter ousado casar com uma mulher judia e por ter sido apanhado em flagrante com outro homem. Foi a influência de Winifred (viúva de Siegfried Wagner), que na época dirigia o Festival de Bayreuth, que levou o Führer a permitir que Lorenz continuasse a cantar no Festspielhaus. Winifred, nora de Richard Wagner, terá dito a Hitler que sem Max Lorenz o Festival não se fazia.
A sua insistência em aparecer em público acompanhado pela mulher era vista pelos nazis como uma provocação e foi graças à intervenção de Göring que ela e a mãe não foram levadas pela SS. Max Lorenz, gozando de um estatuto privilegiado, protegido de Göring, terá também impedido que vários amigos judeus fossem perseguidos.

27.1.12

Terapia Mozart*

O jovem Mozart ao cravo, por Karl Offterdinger (1877), © Wikipedia

Aqui há dias, o Joaquim dedicou um post aos leitores portugueses do In Fernem Land e ofereceu-nos o Concerto nº 20 de Mozart, tal como Maria João Pires o tocou no passado dia 20 em Munique, com a Orquestra Sinfónica da Rádio da Baviera e Bernard Haitink.

Como hoje é dia de Mozart, que nasceu há exactamente duzentos e cinquenta e seis anos em Salisburgo, trago o presente do Joaquim para o valkirio, supondo que ele não se importará. Aliás, o que fica aqui é apenas o teaser. A ligação para o concerto completo está no referido post e recomenda-se.



*O título foi igualmente roubado ao Joaquim, já que não consegui encontrar um melhor.

23.1.12

Rienzi

Avery Fisher Hall (foto cedida por Bosc d'Anjou)

Ou se tomam as decisões no momento certo ou o comboio passa, diz Elisabete Matos em entrevista ao DN. E o comboio levou-a agora novamente a Nova Iorque, onde cantará em "Rienzi", com a Opera Orchestra of New York. Será já no próximo Domingo, 29 de Janeiro.

"Rienzi" é a terceira ópera completa de Richard Wagner, imediatamente anterior a "Der Fliegende Holländer", e, ao contrário das suas obras de maturidade, não é executada frequentemente. Desta vez será apresentada em versão de concerto no Avery Fisher Hall, com a direcção musical de Eve Queler, Ian Storey no papel titular, Elisabete Matos como Irene e Géraldine Chauvet como Adriano.


16.1.12

"Tannhäuser" na Gulbenkian

Joseph Tichatschek (Tannhäuser) e Wilhelmine Schröder-Devrient (Venus)
(na estreia em 1845) (Wikipedia)

Ontem pudemos ouvir um grande "Tannhäuser". Houve alguns desacertos na orquestra, como se mais um tempinho de ensaio tivesse dado jeito, mas o coro esteve em grande forma e a Gulbenkian trouxe a Lisboa dois cantores de primeira água:
  • Johan Botha já era conhecido do público do Grande Auditório e dele se diz que é o melhor Tannhäuser da actualidade. Cantou sem qualquer espécie de dificuldade o papel do trovador caído em desgraça. Esteve sublime no III acto, quando narrou, transbordando emoção, os acontecimentos da peregrinação a Roma. (Aqui canta In fernem Land, de "Lohengrin")
  • Falk Struckmann (Landgraf Hermann) distinguiu-se em personagens como Amfortas, Scarpia e Wotan. Hermann é uma figura importante em "Tannhäuser" e requer uma nobreza vocal como a de Struckmann. Contudo, trata-se de um papel pequeno para quem gostaria de o ouvir mais. Vejamo-lo na cena final de "Das Rheingold", em Barcelona, na encenação de Harry Kupfer e com a direcção musical do mesmo Bertrand de Billy que ontem segurava a batuta.
Ao pé destas duas grandes vozes, a de Manuela Uhl (Venus) soou-me pouco interessante e sedutora e a de Melanie Diener (Elisabeth) pareceu-me estar abaixo do que se espera para aquele papel, principalmente quando o Heldentenor é Botha.

Outro contraste infeliz foi a presença de Job Tomé como Wolfram. O seu grande momento, O du, mein holder Abendstern, perdeu-se na sala.

Nada a dizer em relação aos pequenos papéis, e uma nota muito positiva para Ana Maria Pinto (Jovem Pastor).

    14.1.12

    Così fan tutte

    "Così fan tutte" estreia hoje no Teatro de São Carlos. A temporada, como se sabe, empobreceu devido aos célebres cortes orçamentais, com cancelamentos e adiamentos, estando anunciada, porém, uma nova produção de "La Rondine" com "custos moderados".

    Dá-se o caso de as coisas também não estarem a correr lá muito bem aos teatros por essa Europa fora. Em Copenhaga, os cortes no Teatro Real vão obrigar à redução de pessoal, segundo o Intermezzo. Em Itália, se excluirmos Milão, o panorama não é bonito. O Teatro Real de Madrid anunciou que provavelmente apresentará quatro óperas em versão de concerto na próxima temporada e em pior situação parece estar o Liceu de Barcelona, que estuda a hipótese de cancelar duas produções da temporada em curso.