31.3.10

Bonito!

O Príncipe Real estava podre?
Veja-se o que disse o senhor vereador Sá Fernandes.

Via Blog de Cheiros.


Já agora, como se chamará esta flor?

Aranhas



 
Tibouchina sp.

30.3.10

Paixão

Oportunidade para ir à Gulbenkian, hoje ou amanhã, e assistir à Paixão Segundo São Mateus, de Bach. A bilheteira online diz-nos que este evento se encontra esgotado, mas nunca se sabe.

Alegoria da Salvação, posterior a 1543, de Wolf Huber
(Kunsthistorisches Museum, Viena)


29.3.10

The horror! The horror!*

Não vem agora ao caso o como e o porquê, o facto é que me vi na contingência de furar a greve a que me tinha proposto e ontem à tarde fui assistir à récita de "Níobe, Rainha de Tebas" com o meu amigo Miguel.

Como prevíamos, ao intervalo saímos, fomos lanchar Sachertorte no Kaffeehaus e não pusemos mais os pés no TNSC. É que aquilo não é mau; aquilo consegue ser para lá de deprimente. Aquilo não tem ponta por onde se lhe pegue. Talvez se contassem umas oitenta pessoas na sala, várias por convite, outras com bilhete de última hora, que assim como assim é muito mais barato e, para quem quiser, dá para arriscar. Os camarotes estavam às moscas e umas três ou quatro frisas estavam semi-ocupadas. Também lá vi uns dez alemães, não sei se convidados de Dammann ou meros turistas que já que estavam em Lisboa compraram o bilhete. Não cheguei a perguntar-lhes.

Vamos então ao que interessa:

O preâmbulo "Hybris" dura uma meia hora e parece interminável. Foi encomendado a uma senhora romena de origem alemã que parece que já recebeu vários prémios. A versão cénica conta com seis cantores solistas em palco e um coro reduzido no fosso sem orquestra. O coro fazia barulhos com as mãos e com os pés e de vez em quando também com a boca. Acredito que todos tenham feito um excelente trabalho, eu é que não nasci para ouvir aquela guincharia.

Finalmente aquilo acabou e entrou a orquestra. Começa a abertura barroca e o espectador descansa um bocado a cabeça, mas por pouco tempo. Nem a música é extraordinária, nem a orquestra a toca admiravelmente. Os cenários são miseráveis: uma sala do palácio real pintada de cinzento-escuro, as arestas dos vãos dos janelões com um ar muito escalavrado, assim como mais umas falhas na tinta aqui e acolá. Mas tudo isso não teria grande importância. O pior é que a obra nos pareceu muito fraca, para sermos simpáticos com Agostino Steffani. Estava lá tão bem enterrada e esquecida numa biblioteca qualquer, ninguém dava pela sua falta, e apareceram umas almas iluminadas a acharem que era o máximo apresentá-la ao povo outra vez. Do ponto de vista dramático não tem interesse nenhum, não se passa nada (talvez mais tarde, quando os filhos de Níobe morrerem e ela se transformar em rocha, mas isso já não vimos), e a encenação também não ajuda. Um ou outro momento musical até parecia ser relativamente bonito, sem mais, mas era preciso abstrairmo-nos dos cantores e imaginarmos outras vozes lá por trás.

A rainha é interpretada por uma fraquinha Alexandra Coku, que já tem feito outras coisas por cá.
O rei é um sopranista polaco, Jacek Laszczkowski, dono de uma voz desagradável, fraca, que só ganha alguma força nas notas mais agudas, acabando estas por parecer deslocadas. Dos restantes cantores não me apetece falar.
Enfim, não havia meio de chegar o intervalo, pelo que estávamos já a ponderar a hipótese de sair a qualquer instante.


*O título foi descaradamente roubado a um amigo. Espero que ele não leve a mal.

27.3.10

Níobe, Rainha de Tebas, Chorando a Morte dos Filhos

Esta pintura de 1591, de Abraham Bloemaert, encontra-se num museu em Copenhaga e mostra-nos Níobe chorando a morte dos filhos. O Ípsilon publicou um artigo para quem quiser saber mais sobre a ópera que está em cena no Teatro de São Carlos.

Ankeruhr

Mais logo os relógios serão adiantados sessenta minutos, roubando uma hora à nossa noite. Felizmente amanhã é Domingo, porque à uma já serão duas e às duas já serão três e às duas por três já é de manhã.

Em Viena, ao meio-dia, doze figuras da História da cidade desfilam neste relógio e, de hora a hora, cada uma dá lugar à seguinte, sendo Marco Aurélio o primeiro da fila, à uma hora, e Joseph Haydn o último, às doze. Fico curioso por saber como será feita a passagem do testemunho esta noite, quando às 00h00 os Austríacos mudarem a hora e Haydn tiver de dar uma corridinha para que o imperador romano entre sem atrasos.

Ankeruhr - Viena

Não vá Haydn pensar que estamos zangados, ou pior, que queremos livrar-nos dele, ouçamo-lo aqui pelas mãos de Rostropovich, que hoje faria anos.

26.3.10

"Niobe, Regina di Tebe"


Não necessitando de penitência nesta Quaresma e mantendo-me fiel ao espírito grevista, não vou poder reportar sobre a ópera "Niobe, Regina di Tebe", que ontem estreou no Teatro de São Carlos. O Crítico já criticou e, segundo ele, estariam umas duzentas e cinquenta pessoas na sala. Para a terceira récita,  no próximo Domingo, ainda segundo Henrique Silveira, esperam-se umas sessenta. Uma versão cénica encomendada pelo TNSC e pelo Festival de Schwetzingen deveria atrair mais público, não? Talvez casa cheia.
A estreia da produção teve lugar no Teatro Rococó de Schwetzingen em 2008.

25.3.10

Aguardando

Gabriela Canavilhas foi entrevistada por João Almeida e falou, durante mais de uma hora e meia, de questões ligadas aos museus, às igrejas, às orquestras regionais, à cinemateca, à edição musical, às bibliotecas, à tauromaquia, ao teatro, etc. Ouça aqui a entrevista na íntegra.
A partir do minuto :54 ficamos a saber que as negociações entre a Opart e Christoph Dammann estão a decorrer "no sentido de se rescindir o contrato por mútuo acordo". O caso estará arrumado, "se tudo correr bem, durante o mês de Abril". A Ministra da Cultura, que não gosta de perder tempo e é muito rápida, já tem um substituto para o cargo. Aguardamos o feliz desfecho do caso Dammann para que todos possamos sorrir com a ministra.

24.3.10

Pés de Molho no Retiro

No Parque del Retiro, em Madrid, ainda se conserva o Palácio de Cristal, construído em 1887 como estufa da Exposição das Filipinas e seguindo a corrente das construções em ferro e vidro dos jardins ingleses. A estrutura permite que se abram algumas janelas para ventilação e controlo da temperatura.
No seu interior, à volta de um pequeno lago com repuxos, cresciam várias espécies da flora filipina. Actualmente o Palácio de Cristal já não cumpre a função de estufa e é utilizado como sala de exposições.

Madrid - Palácio de Cristal

Madrid - Palácio de Cristal - Azulejos

Madrid - Palácio de Cristal - Cobertura

A fachada principal reflecte-se num lago rodeado de pinheiros, cedros, eucaliptos e plátanos, onde crescem vários ciprestes-dos-pântanos, Taxodium distichum, árvores que gostam de estar com os pés molhados e são parentes muito próximas do taxódio-de-Montezuma de Monserrate. Segundo alguns autores, a espécie a que pertence este taxódio-de-Montezuma, Taxodium mucronatum, é mesmo uma variedade de T. distichum. Nestas tricas familiares eu não me meto, mas lá que o primo de Monserrate também gosta de molhar os pés, lá isso, gosta.

Madrid - Palácio de Cristal

Madrid - Palácio de Cristal - Lago

Madrid - Palácio de Cristal - Lago

21.3.10

Orpheu


SALOMÉ

Insónia rôxa. A luz a virgular-se em mêdo,
Luz morta de luar, mais Alma do que a lua...
Ela dança, ela range. A carne, alcool de nua,
Alastra-se pra mim num espasmo de segrêdo...

Tudo é capricho ao seu redór, em sombras fátuas...
O arôma endoideceu, upou-se em côr, quebrou...
Tenho frio... Alabastro!... A minh'Alma parou...
E o seu corpo resvala a projectar estátuas...

Ela chama-me em Iris. Nimba-se a perder-me,
Golfa-me os seios nus, ecôa-me em quebranto...
Timbres, elmos, punhais... A doida quer morrer-me:

Mordoura-se a chorar - ha sexos no seu pranto...
Ergo-me em som, oscilo, e parto, e vou arder-me
Na bôca imperial que humanisou um santo...


Mário de Sá-Carneiro (no primeiro número da revista "Orpheu", publicado a 21 de Março de 1915)


Biblioteca Nacional Digital [PDF], Calaméo (versão moderna)

17.3.10

Veremos - II

Gabriela Canavilhas

Falta cumprir-se o sonho.
Gabriela Canavilhas reuniu-se ontem à tarde com Christoph Dammann e consta que levava na carteira um convite para a demissão do actual director artístico do Teatro Nacional de São Carlos.

Pelos vistos, o Ministério da Cultura entrou em negociações com o Senhor Dammann, negociações essas que visam definir e enquadrar o papel do actual director nos objectivos do teatro de ópera. O que quererá isso dizer?

A dois anos do termo do contrato, Dammann, penso eu, exigirá uma indemnização choruda. Garanto, porém, à Senhora Ministra que, se me sair o Euromilhões - e eu saio daqui directo para a tabacaria -, a ajudo a pagá-la.

16.3.10

Veremos - I

Sonhei que o Senhor Dammann tinha sido finalmente demitido por Gabriela Canavilhas.

et un bouquet de camélias - II

XV Exposição de Camélias do Porto, na Biblioteca Almeida Garrett. Em primeiro plano, as camélias da Quinta de Villar d'Allen.

Camélias - Exposição - Isaura Allen - Quinta de Villar d'Allen

Camélias - Exposição - Dahlonega (USA) - Melhor Camellia japonica
Camellia japonica "Dahlonega" (Prémio Melhor Camellia japonica)

Camélias - Exposição - Camellia chrysantha (China) - Melhor camélia
Camellia chrysantha (Prémio Melhor Camélia)

Camélias - Exposição - variedade Yume - USA
Camellia "Yume"

Camélias - Exposição
Camellia "Jill Totty"

Camélias - Exposição - 32
Camellia higo "Okan"

Parabéns, Christa Ludwig


Christa Ludwig nasceu em Berlim a 16 de Março de 1928. A melhor homenagem que podemos fazer-lhe é ouvi-la. Na Sinfonia nº 3 de Mahler, com Bernstein e a Orquestra Filarmónica de Viena, e como Klytämnestra, ao lado da Elektra de Gwyneth Jones (papéis que não chegaram a cantar juntas no Teatro Nacional de São Carlos, no início dos anos 1990 - já nessa época o teatro andava azarado).




11.3.10

et un bouquet de camélias - I

Camélias - Exposição - Univ Porto - Jardim Botânico

Camélias - Exposição - Maria Emília Lobo d'Ávila - Casa de Terças - Ribeira de Pena

Camélias - Exposição - Maria Emília Lobo d'Ávila - Casa de Terças - Ribeira de Pena

Marguerite assistait à toutes les premières représentations et passait toutes ses soirées au spectacle ou au bal. Chaque fois que l'on jouait une pièce nouvelle, on était sur de l'y voir, avec trois choses qui ne la quittaient jamais, et qui occupaient toujours le devant de sa loge de rez-chaussée: sa lorgnette, un sac de bonbons et un bouquet de camélias.

Alexandre Dumas Filho, La Dame Aux Camélias

7.3.10

A Compensação da Insistência

A lotação da Sala Suggia estava esgotada havia, pelo menos, vários dias. Sábado, 6 de Março, a Orquestra Nacional do Porto (ONP), o Coro Gulbenkian, Lisa Milne e Birgit Remmert, todos dirigidos por Christoph König, iam tocar e cantar a Sinfonia nº 2, "Ressurreição", de Mahler. A Áustria é o país tema na temporada de 2010 e a orquestra tem um projecto ambicioso: a apresentação integral das sinfonias de Gustav Mahler, a prolongar-se por 2011.

Inquirindo na bilheteira se por acaso alguém teria desistido, a resposta era negativa. Nada. Muito bem, tente-se mais tarde. E mais tarde provou-se que há pessoas boas: faltavam poucos minutos para as 6 da tarde e alguém apareceu com uns milagrosos bilhetes de que não necessitava.

A casa veio a baixo. Deu gosto ver o jovem maestro titular da ONP a dirigi-la com energia e decisão e ouvir a resposta vigorosa dos músicos. De Birgit Remmert só esperava um pouco mais de volume na voz. Lá para as últimas filas o seu Urlicht soou a pouco.

O Sermão de Santo António aos Peixes ("Des Antonius von Padua Fischpredigt"), composto por Mahler na mesma época, serviu de base ao terceiro andamento, Scherzo, da Ressurreição.



Dietrich Fischer-Dieskau com Wolfgang Sawallisch





O
Scherzo, seguido de Urlicht, pela Orquestra Sinfónica de Londres, com Leonard Bernstein e Janet Baker

4.3.10

Paz de Vestfália para Barenboim


A lista de prémios e distinções de Daniel Barenboim, de âmbito cultural e humanista, é extensa. Agora foi-lhe atribuído, e à West-Eastern Divan Orchestra, o Prémio Paz de Vestfália, criado em 1998 para comemorar os 350 anos da Paz de Vestfália, que deu por terminada a Guerra dos Trinta Anos.

De facto, Barenboim tem feito um trabalho notável com a orquestra que fundou com Edward Said. Pode parecer pouco, tendo em conta a aparente irresolubilidade dos conflitos no Médio-Oriente, mas, et pour cause, é tanto. No Facebook existe um grupo que propõe que lhe seja atribuído o Nobel da Paz.

(...) the West-Eastern Divan Orchestra brings together musicians from Israel, Palestine, Syria, Lebanon, Jordan, Egypt – joined by a number of musicians from Iran, Turkey and Spain – with the aim to perform music and promote reflection and understanding.


Para os mais novos


1.3.10

XV Exposição de Camélias do Porto

Um excelente programa para quem estiver no Porto no próximo fim de semana (6 e 7 de Março). Saiba os detalhes no Dias com árvores.

Parabéns, Chopin

Chopin faz hoje 200 anos. Se calhar nasceu a 22 de Fevereiro, mas isso não interessa.