25.6.11

And the winner is... Carlos Cardoso

Luísa Todi

Carlos Cardoso, que ainda há dias cantou gloriosamente, num promissor Estúdio de Ópera, Salut! demeure chaste et pure, do Fausto de Gounod, venceu o 1º Prémio (voz masculina) do Concurso Nacional de Canto "Luísa Todi". Parabéns! A ele e aos outros concorrentes.
O concerto de encerramento terá lugar no próximo dia 28 de Junho, no Salão Nobre do Teatro de São Carlos.




21.6.11

La Traviata Indignada

O elenco da Traviata de Palma de Mallorca, que incluía o tenor Bruno Ribeiro, juntou-se à manifestação dos Indignados:

18.6.11

Bonne soirée

Mais logo, para quem tiver saudades de Jonas Kaufmann, há um serão inteiro no Mezzo dedicado a ele.
Começa com um concerto em que poderá ouvir árias de Beethoven, Mozart, Weber e Wagner e continua com "Lohengrin", tudo registado em Munique.




14.6.11

São Carlos - Temporada 2011/12

São Carlos - pormenor do tecto da sala principal (TNSC)

Temos temporada! O director artístico do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC), Martin André, apresentou-a hoje de manhã. Será talvez a temporada possível dentro das nossas limitações financeiras, mas sente-se uma enorme vontade de trazer o público de volta ao Teatro após o ano da transição.
A temporada lírica terá início em Outubro, com "Don Carlo", que não se ouve em Lisboa há quase trinta e cinco anos, numa nova produção do TNSC, com encenação de Stephen Langridge, direcção musical de Martin André e as interpretações de, entre outros, Fabio Sartori, Enrico Iori, Dmitri Platanias e Enkelejda Shkosa. Elisabete Matos fará o seu esperado regresso ao palco de São Carlos no papel de Elisabetta di Valois.

Maquete para "Don Carlo" (HARDMUSICA)
Em Dezembro, a ópera "O Gato das Botas", de Montsalvatge, será apresentada em Português no Teatro Camões, especialmente para famílias e escolas. A produção é do Teatro Real de Madrid e a encenação é de Emilio Sagi.
"Così Fan Tutte" vem em Janeiro, numa produção da Vlaamse Opera.
Março terá "Madama Butterfly", com Adina Nitescu. A produção vem da Ópera Real de Copenhaga e a direcção musical caberá a Antonio Pirolli.
Em Maio assistiremos a mais uma nova produção (dois em um) do TNSC: "Turandot" (de Busoni) e "Francesca da Rimini" (de Rachmaninov).
Para terminar a temporada lírica, "Don Pasquale", com Renato Girolami, Carla Caramujo e a maestrina Ariane Matiakh. A produção é do Teatro La Fenice.
Também haverá Óperas no Salão Nobre: "Amor; Traição; Morte" é o tema para quatro mini-óperas encomendadas a compositores portugueses e a ópera "O Basculho da Chaminé", de Marcos Portugal, será apresentada na comemoração dos 250 anos do nascimento do compositor.
Na temporada sinfónica teremos vários ciclos, com destaque para "Homenagem a Liszt", "Walton & Wagner" (em Fevereiro, com as presenças de Ana Bela Chaves e Gerardo Ribeiro), "Rachmaninov e a Música Russa" (numa interessante colaboração com a Fundação Gulbenkian: a Orquestra Gulbenkian vem a São Carlos com Sequeira Costa e a Orquestra Sinfónica Portuguesa vai com Artur Pizarro e Martin André à Gulbenkian; neste ciclo serão tocados os quatro concertos de Rachmaninov) e "Alma Portuguesa" (no Salão Nobre; os programas incluem sempre um ou dois compositores portugueses).
Em Dezembro, a Companhia Nacional de Bailado e a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direcção de Joana Carneiro, apresentarão "Romeu e Julieta", de Prokofiev, com coreografia de John Cranko.
Ficámos ainda a saber que o maestro titular do Coro do TNSC, Giovanni Andreoli, regressa em Setembro a tempo inteiro.
Em 2013 haverá Wagner.

12.6.11

Carmen em São Carlos

Noite de estreia em São Carlos, à antiga, com a sala tão esgotada que até deu gosto ver. Era a "Carmen", por supuesto. Abanicos vermelhos, oferecidos pelo Teatro à entrada, refrescavam os espectadores mais acalorados e ajudavam a recriar o ambiente das festas sevilhanas.
Quando as luzes se apagaram, a voz que pediu ao público que desligasse os telemóveis informou também que a récita seria dedicada à memória do violoncelista Kenneth Frazer, recentemente falecido na sequência de um acidente de viação.
"Carmen" é uma ópera que eu dispenso, mas que possui uma profusão de melodias irresistíveis, daquelas que põem o público a dar à perninha e a abanar a cabeça. Foi assim logo no prelúdio do I acto.
Esta "Carmen" pode não ser extraordinária, mas é um espectáculo muito recomendável e não envergonha ninguém. O elenco é de nível internacional: Rinat Shaham tem feito uma carreira notável neste e noutros papéis para mezzo-soprano; Andrew Richards ganhou fama como Don José mas também como Parsifal; Adriana Damato foi a Micaëla de Jonas Kaufmann no Scala. Yannis Yannissis, que interpretou recentemente o Gianni Schicchi em Lisboa, voltou agora como Escamillo. Nem todos os cantores me deixaram entusiasmadíssimo, mas alguns tiveram momentos muito bons, assim como outros mais irregulares. Os cantores portugueses desempenharam bem os restantes papéis.

RTP:

(Nota: o vestido de Carmen na estreia, embora curto, não era este.)


A encenação de Stephen Medcalf, transpondo a acção para a época da Guerra Civil Espanhola, não choca. Estranhei a cena dos contrabandistas, no III acto, passar-se na pista de aterragem de um aeroporto, mas nada de grave.
Julia Jones, a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos estiveram à altura do acontecimento. A temporada acaba com casa cheia, o Teatro quer fazer as pazes com o seu público e a programação para 2011/12, segundo o passarinho, será finalmente apresentada na terça-feira. Ficai atentos.

SIC:


10.6.11

Constância

O Tejo, deslizando em Constância,


e a Casa-Memória de Camões, construída sobre as ruínas de uma casa quinhentista onde supostamente o poeta viveu, desterrado dos amores com D. Catarina de Ataíde. O projecto, de influência nitidamente pós-socrática, deve-se à Faculdade de Arquitectura de Lisboa. Segundo o painel informativo em frente da casa, "para além de preservar, valorizar e divulgar a relação de Camões com Constância, a casa acolherá um Centro Internacional de Estudos Camonianos".


O Lisbona, alfin ti miro



CAMOENS:

Giuoco di rea fortuna,
povero Camoens! D'Alcazar sul piano.
Per morto abbandonato,
poscia in crudele schiavitù ridotto,
rotti i tuoi ceppi alfine,
fia pur vero che il cielo impietosito
riveder ti conceda il patrio lido?
O Lisbona, alfin ti miro,
riedo alfine, o patria, a te!
L'aura tua ch'io sento e spiro
vita nuova infonde in me!
Scordo l'ansie e l'aspra guerra
che il destro mi fe' soffrir.
Ti riveggo, o sacra terra,
or può farmi il ciel morir!
Pur languente in suol straniero,
senza speme di mercé,
era il cor del prigioniero,
dolce patria, ognor con te!

Da ópera Dom Sebastião, Rei de Portugal, de Donizetti.
(Libreto)

8.6.11

Oceano Índico

    Vêm morrer à praia e são jovens
    as sereias,
    jovens como andar à chuva,
    a brusca melancolia,
    o lume aceso na cal,
    jovens como as baladas escocesas
    ou as molhadas sílabas de Junho,
    e com a lua nova
    vêm morrer no areal.

    Eugénio de Andrade

5.6.11

Ao Largo


Este Verão volta a ter Festival ao Largo, de 30 de Junho a 31 de Julho. São dezanove espectáculos à borla, comentados por Jorge Rodrigues, sempre às dez da noite.

4.6.11

Perseu e Andrómeda

O belo Perseu liberta Andrómeda, de Anton Raphael Mengs (ca. 1777)

3.6.11

Período de Reflexão




O programa tem vários pontos de muito interesse, todos a chamarem por nós, pedindo votem em mim, votem em mim. Karita Mattila abrirá a temporada, mas também cá teremos Iréne Theorin (com a Gustav Mahler Jugendorchester), Philippe Jaroussky, Andreas Scholl e Patricia Petibon. Ao piano teremos Maria João Pires, Artur Pizarro, Pedro Burmester, Arcadi Volodos, Evgeny Kissin, Hélène Grimaud e Alfred Brendel virá falar de humor na música. O Quarteto Borodin vem fazer um Festival Chostakovitch. Johan Botha será Tannhäuser. Angélique Ionatos cantará Eros y Muerte.
Declara-se aqui oficialmente que acabou de ter início o período de reflexão. Votai bem.

2.6.11

Art Project

Já conhece o Art Project, powered by Google? Não? É um projecto nosso amigo, conhecedor das nossas desgraças. Vá lá e perca-se nos detalhes das obras que nos próximos tempos não poderá ver ao vivo. Escolha um museu, depois as obras da sua preferência, e entretenha-se. Veja como é maravilhoso O Porto de Dieppe.

Sir Thomas More, de Hans Holbein (The Frick Collection)
A Ronda da Noite, de Rembrandt (Rijksmuseum)
Francisco d'Andrade como Don Giovanni, de Max Slevogt (Alte Nationalgalerie)

E di pensier

Há uns dias, à conversa com a Helena, dei com ela a subir a voz, as notas saindo-lhe cada vez mais agudas. Vai daí, lembrei-me desta cena d'O Navio, que, o dito, já cá tinha entrado. Mas agora não há tempo para mais.