21.4.12

Parece-nos óbvio



“[...] Too many directors arrive at the opera house these days knowing little or nothing about music. Most come from the spoken theater, focus only on the text and don’t understand how to give the music its space. It may seem obvious to you and me, but a brilliant theater director does not automatically translate into a brilliant opera director. If I am a crack racecar driver, that doesn’t qualify me to be an ace pilot as well.

I sometimes feel that directors devise all these elaborate concepts because they don’t trust the power of the music and are terrified of boring the audience. Opera is a truly magical art, but the magic originates primarily in the music that we singers work so hard to communicate.” 

Jonas Kaufmann in The New York Times

19 comentários:

  1. Chapeau bas, Herr Kaufmann.

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  2. O facebook tem além de outros este defeito: agora parece redundante escrever aqui...

    Mas já agora: acha que se integra, e é ou não essa a intenção de Kaufmann, nesta má escola de direcção teatral analfabeta em música o caso de tantas encenações modernas que recorrem ao nu e a roupa interior e fatos e gravata à toa para "épater le bourgeois" e fazer diferente? Tipo Calixto Bieito? Mesmo quando é Peter Sellars com o Giovanni, ou com a Theodora de Handel, que são "genialmente" modernas, tenho sentimentos mistos - magnífico, sim, mas incoerente...

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    1. Kaufmann não menciona encenadores em particular; penso que se refere às encenações patetas em geral, onde eu incluo as de Calixto Bieito, para citar apenas um exemplo. Em entrevistas anteriores, JK já tinha exprimido o seu desagrado em relação à actual omnipotência dos encenadores que retiram todo o romantismo inerente à Ópera (cito de cor).

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    2. A nudez, a roupa interior e os fatos e gravatas, se não forem utilizados à toa, mas sim com parcimónia, muita inteligência e apenas em casos que o permitam, na minha opinião podem ser aceitáveis. Suponho, pelo que li de JK, que coincido com ele.

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    3. A patetice horrenda da encenação que hoje vi na Traviata do Met de um tal Willy Decker, acrescida de uma cenografia ainda mais medonha de um outro Athol Farmer, inscrever-se-ão lindamente no que referes nestes dois comentários. Chapeau para o borracho do Kaufmann (se bem que esta barbinha ... ou não é barbinha?)

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    4. Não vi essa "Traviata" mas conheço vários excertos da produção, que vem de Salzburgo. Do que vi não gostei.

      (A barbinha tinha alguns dias e estava esquisita.)

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  3. A mim também parece óbvio. Cada vez mais, aliás.

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  4. Cada vez mais, concordo com a Gi. Talvez na tentativa de inovação diferente (é a melhor explicação que tenho) ou, por outro lado, por se querer deliberadamente chocar os espectadores, cada vez mais se vêem encenações disparatadas e que não trazem nada de novo às obras encenadas, apenas causam grande incómodo aos cantores e à assistência. Tenho assistido a muitas encenações que colocaria nesta categoria mas, ao ler os comentários anteriores, lembrei-me de imediato de I Capuleti e i Montecchi que vi recentemente em Munique em que uma das mais belas arias da Julieta (Oh quante volte) é cantada estando o soprano de roupa interior e empoleirado, num equilibrio instável, num lavatório!

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    1. Parece que ontem, no "Siegfried" do Met, Jay Hunter Morris tropeçou numa das placas da máquina. Não se magoou.

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  5. Bonitas palavras com as quais concordo plenamente, mas há muito incoenrência por parte de Jonas Kaufmann, pois permito-me questionar por que razão é que ele validou aquela estapafúrdia encenação do Lohengrin? "Res non Verba", "acções não palavras" já dizia o velho César.

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    1. Aquelas, Raul. A de Munique e a de Bayreuth, que ainda é pior. Penso que, por razões contratuais, nem sempre será fácil para um cantor recusar-se a participar numa determinada produção. A menos que todos os cantores começassem a fazer greve às encenações parvas.

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  6. Receando, porventura, nada de verdadeiramente substancial acrescentar, esse conjunto específico de encenadores insiste em lançar-se de modo assaz dadivoso numa voragem na qual a "diferenciação" proposta se esvai em si mesma.

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  7. Paulo,
    Uma superestrela, uma casa cheia, pode impor condições através do seu agente. Grande Angela Gheorghu que chegou a Madrid e viu uma tal Traviata que se recusou a cantar naquela encenação.

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  8. os presentes encenadores de opera nao sabem nada de opera, tem uma ignorancia total do que e a musica. O problema tambem e de nos (audiencia), deviamos boicotar as encenacoes, mas o que queremos e fazer uma de intelecual pensar entender o que nao e entendido. E como por uma TV numa sala branca e disser e uma instalacao e todos temos medo de disser que e uma m... de uma tv no espaco branco, mas nao fazemos isso! Entramos numa de filosofias "baratas" (porque nao queremos que os outros pensem que somos ignorantes ou analfabetos em intrepertar a arte) e la estamos nos a disser "que grande instalacao, um grande conceito".

    O mesmo se passa nas producoes de operas. E vi uma Rusalka que o encenador pos a acao num bordel e o pai da Rusalka era um projeneta. E claro que recebeu uma pateda monumental e depois foi disser para os jornais que nao entendia a pateada.

    Temos e que para de pensar que somos (uso aqui o somos como nos sociedade) que somos mais intelegentes que o Mozart e que vamos dizer mais coisas para alem do que Mozart disse quando escreveu o Le Nozze di Figaro. Listen to the music it says everything

    Desculpem por nao ter acentos, estou a escrever num teclado ingles

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    1. Obrigado pelo testemunho, J.

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  9. Gosto de encenações que ponham a acção em tempos modernos, se isso fizer sentido para a ópera em questão e desde que não prejudique a música. Mas de facto têm-se visto coisas absolutamente inenarráveis. Por exemplo, que sentido faz pôr um D. Giovanni como um marginal, vendedor de droga, ou um duque de Mântua chefe da Mafia quando o texto pretende fazer uma crítica a determinada elite e aos governantes? Se o protagonista passa a marginal, a crítica social deixa de fazer sentido. O encenador que faz isto só merece o epíteto de estúpido.

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    1. Tudo começa pelo bom senso: saber distinguir o que é adaptável do que não o é. Depois, chamar-se Patrice Chéreau ajuda.

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  10. Citando uma expressão muito conhecida aqui na Catalunha (na verdade, usada até à exaustão...), "Perdoneu, però algú ho havia de dir!" :)

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