No séc. XVIII, o Marquês de Pombal ordenou a abertura de valas na zona pantanosa de Azambuja, para drenar os campos e os tornar aráveis. A Vala Real, ou Vala de Azambuja, chegou a ser navegável por fragatas e barcos-varinos, numa extensão de dezassete quilómetros. Aqui ainda se encontram barbos, carpas, enguias, fataças, entre outras espécies de peixes.
Quando Pinamonti veio para Lisboa como director artístico do Teatro de São Carlos, fiquei bastante entusiasmado, tal como a maioria dos melómanos que gostam deste teatro. Aos poucos, o entusiasmo foi esmorecendo, como escrevi aqui, porque as temporadas nunca subiram de nível, apesar de algumas produções interessantes. O Teatro de São Carlos continuou a não se parecer com um teatro de nível internacional, espelhando um miserabilismo português, mais cultural que económico.
Eis que é anunciada a nova temporada e continua a pobreza de programação. Para pior. Sendo a ópera um espectáculo de arte total, os cantores são sempre os grandes protagonistas ou, na minha opinião, deveriam ser. Sempre foi assim, até ao momento em que se passou a dar mais importância aos encenadores, nem que eles apresentem visões que deturpem completamente o significado da ópera. Muitas vezes, seria preferível assistir a uma boa versão de concerto, com cantores à altura dos papéis.
Vamos ter, então, "Rigoletto" e "Tosca", com onze récitas cada (muitas, como se faz lá fora), "Os Contos de Hoffmann" (mais dez récitas) e as outras obras são consideradas de pequeno público, logo, pouca coisa (consultar o programa). De "Siegfried" nem se fala. Talvez para a temporada seguinte, se não acabarem por interromper definitivamente o ciclo d’"O Anel do Nibelungo", o que não deixaria de ser vergonhoso, depois do alarido que se fez em torno da produção de Graham Vick.
E os cantores? Nos últimos anos, Dimitra Theodossiou tornou-se a diva do São Carlos. Ninguém a conhecia até vir substituir Angela Gheorgiu na "Traviata", mas o público e Pinamonti gostaram tanto que passou a vir cantar em todas as temporadas. Os aplausos foram estrondosos, nunca percebi bem a razão. Parece que a nova Direcção está a querer encontrar uma substituta: Chelsey Schill. Quem será ela? Vai ser a Gilda ("Rigoletto"), a Serpente (em "Das Märchen" de Emmanuel Nunes, estreia absoluta), Servilia ("A Clemência de Tito"), Olympia ("Os Contos de Hoffmann") e Rainha da Noite ("A Flauta Mágica" em versão sub-16). Se calhar, se não estivesse Elisabete Matos apalavrada, também cantaria ela a "Tosca".
(...) A temporada lírica será inaugurada a 10 de Dezembro com a apresentação da ópera "Rigoletto", de Verdi, numa co-produção com a ópera de Bilbau. (...) Em Janeiro de 2008, o São Carlos vai apresentar em estreia absoluta "Das Märchen", a primeira ópera de Emmanuel Nunes, no que é considerado um dos acontecimentos da temporada. (...) Em Fevereiro, o teatro lírico volta a apresentar uma ópera de Mozart, "La Clemenza di Tito", que assinala a estreia do actual director do Teatro Municipal de Almada, Joaquim Benite, na encenação de uma ópera. O tenor Herbert Lippert e a soprano Adriana Damato cantam pela primeira vez no São Carlos. (...) Em Abril, o São Carlos vai apresentar "Os Contos de Hoffmann", de Offenbach, numa nova produção encenada por Christian von Götz e com direcção musical de Gregor Buhl. A ópera "Tosca", de Giacomo Puccini, com a soprano portuguesa Elisabete Matos no papel principal, encerra a temporada lírica, numa produção encenada pelo canadiano Robert Carsen. (...) A temporada sinfónica começa a 28 de Setembro com o concerto "Do barroco ao bel canto" que conta com a actuação da meio-soprano Vesselina Kasarova. (...)
O Blog de Cheiros já mostrou o estado de abandono em que se encontra o Parque Eduardo VII. Hoje passei por lá e confirmei. O mato cresce, como se o campo tivesse vindo para a cidade, e vários tipos de flores dão cor a terrenos que parecem ter sido lavrados. Até aí, tudo bem; poderíamos vir a ter o tal prado florido... Só que, enquanto estavam a ser retiradas as estruturas da Feira do Livro, ninguém parecia importar-se muito que restos de papéis e outros tipos de lixo se vão acumulando por todo o lado, principalmente fora da alameda central.
Cichorium intybus (Agradeço a Maria Carvalho a identificação desta flor de chicória.)
Je revois la ville en fête et en délire Suffoquant sous le soleil et sous la joie Et j'entends dans la musique les cris, les rires Qui éclatent et rebondissent autour de moi Et perdue parmi ces gens qui me bousculent Étourdie, désemparée, je reste là Quand soudain, je me retourne, il se recule, Et la foule vient me jeter entre ses bras...
Emportés par la foule qui nous traîne Nous entraîne Écrasés l'un contre l'autre Nous ne formons qu'un seul corps Et le flot sans effort Nous pousse, enchaînés l'un et l'autre Et nous laisse tous deux Épanouis, enivrés et heureux.
Entraînés par la foule qui s'élance Et qui danse Une folle farandole Nos deux mains restent soudées Et parfois soulevés Nos deux corps enlacés s'envolent Et retombent tous deux Épanouis, enivrés et heureux...
Et la joie éclaboussée par son sourire Me transperce et rejaillit au fond de moi Mais soudain je pousse un cri parmi les rires Quand la foule vient l'arracher d'entre mes bras...
Emportés par la foule qui nous traîne Nous entraîne Nous éloigne l'un de l'autre Je lutte et je me débats Mais le son de sa voix S'étouffe dans les rires des autres Et je crie de douleur, de fureur et de rage Et je pleure...
Entraînée par la foule qui s'élance Et qui danse Une folle farandole Je suis emportée au loin Et je crispe mes poings, maudissant la foule qui me vole L'homme qu'elle m'avait donné Et que je n'ai jamais retrouvé...